Colômbia. Diferenças ratificadas

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19 Dezembro 2016

Uribe divulgou que disse ao Papa que o governo colombiano pretende impor um acordo com as FARC, caracterizado pela "impunidade". Santos disse que agradeceu ao pontífice pelo apoio que tem dado ao processo de paz.

A reportagem é publicada por Página/12, 17-12-2016. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

O Papa Francisco recebeu ontem, em conjunto e individualmente, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o ex-presidente e líder da oposição, Álvaro Uribe. No entanto, a sua mediação não conseguiu que ambos superassem suas diferenças em torno do processo de paz com as FARC.

Francisco se reuniu primeiramente com Santos e depois com Uribe. Por fim, recebeu ambos em uma audiência de cerca de 25 minutos, informou a imprensa italiana. O pontífice argentino recebeu Santos na Sala del Tronetto dizendo-lhe: "Bem-vindo, é um prazer nos encontrarmos novamente. É a terceira vez que nos vemos". "Necessitamos sua ajuda", disse, por sua vez, o presidente colombiano. Santos ofereceu, como presente ao papa, um "balígrafo" (um projétil transformado em caneta) com o qual foi firmado o acordo de paz com o líder das FARC(Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Rodrigo Londoño. Também entregou-lhe uma pequena escultura de porcelana que representa uma orquídea branca. O presidente explicou a Francisco que a orquídea é "a flor nacional da Colômbia e um símbolo de paz".

O papa, por sua vez, deu-lhe um medalhão com o Anjo da Paz e três livros que ele afirmou serem seus escritos sobre ecologia. Possivelmente se trata da encíclica ambiental "Laudato si" e das exortações apostólicas "Evangelii gaudium" e "Amoris laetitia". Francisco reiterou que quer viajar à Colômbia, mas somente quando o processo de paz estiver completo. O governo colombiano assinalou em setembro que o Papa Francisco havia expressado por meio de canais oficiais que iria visitar o país quando o acordo de paz estivesse concretizado.

No final do encontro entre Francisco, Santos e Uribe, o presidente colombiano e o líder da oposição deram declarações que ratificaram as suas diferenças. Uribe divulgou que, durante a reunião, disse ao Papa que o governo colombiano pretende impor um acordo com as FARC, caracterizado pela "impunidade". O ex-presidente, principal líder do partido de direita radical, Centro Democrático, inclusive levantou a possibilidade de introduzir novas alterações no acordo de paz. "Esperamos que se sejam permitidas as modificações nos pontos essenciais sobre os quais houve desacordo, como aconteceu com a oferta inicial do governo", disse Uribe. Além disso, Uribe comentou que disse a Francisco que é mais um daqueles que rejeitaram o primeiro acordo de paz no plebiscito de 2 de Outubro e que espera que o governo e as FARC se "afrouxem um pouquinho".

Por sua vez, Santos disse que agradeceu ao papa pelo respaldo dado ao processo de paz e por haver facilitado o encontro com o seu antecessor. "Disse ao ex-presidente Uribe que estamos sempre dispostos a continuar dialogando, para entrar em um acordo sobre como será implementado este tratado de paz. O governo está totalmente aberto para que estejamos de acordo sobre esse propósito. Esta é uma oportunidade para demonstrar que podemos concordar sobre as coisas importantes para o país", disse Santos. Apesar disso, o chefe de Estado enfatizou que os acordos já estão assinados e em processo de implementação, descartando a possibilidade de que novas alterações sejam introduzidas. "A divisão e a polarização não convém a ninguém e não há nada melhor do que encontrar um assunto como a paz, que é o mais importante de tudo, para fazer nossos pontos de vista coincidirem", disse o governante.

Santos e Londoño assinaram um acordo de paz em 26 de setembro, após quatro anos de negociações em Havana, Cuba, mas o pacto foi anulado ao ser rejeitado em plebiscito por uma estreita maioria dos eleitores. O governo então iniciou uma série de consultas com o Centro Democrático de Uribe, o único partido que fez campanha para que o acordo fosse rejeitado no plebiscito, e convenceu as FARC a aceitar recomeçar as negociações para modificar o acordo. Os promotores do voto pelo NÃO no plebiscito apresentaram propostas de alteração em 57 eixos temáticos, os quais foram aceitos em sua maioria pelas FARC. O único ponto rejeitado foi uma exigência da direita radical de que os ex-guerrilheiros não pudessem participar da política.

O segundo acordo foi novamente assinado por Santos e Londoño em 24 de novembro e na semana seguinte foi aprovado pelo Congresso, pois o Governo considerou que outro referendo seria inconveniente. Ainda que o acordo tenha sido modificado com muitas de suas propostas, o Centro Democrático continuou a insistir em sua oposição ao pacto de paz e absteve-se de participar na votação de chancelamento no Congresso. As FARC têm até os últimos dias deste ano para que os seus cerca de 5.800 membros se reúnam em 27 setores do governo para iniciar o processo de desmobilização e desarmamento, o ponto final de 52 anos de confronto com o Estado colombiano.

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