“O Dia Mundial dos Pobres é um sinal para todos”

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01 Dezembro 2016

Nem todos podem dizer que tiveram uma ideia e depois a encontram escrita em uma carta apostólica do Papa. Mas Etienne Villemain convida para ver além: “Não penso que tenha sido uma proposta apenas nossa: foi o Espírito Santo que a sugeriu...”.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli e publicada por Vatican Insider, 29-11-2016. A tradução é de André Langer.

Etienne é o fundador da Lazare, associação francesa que há mais ou menos uma década reúne jovens que decidiram abrir as portas das suas casas a alguns sem teto. Ele tinha 20 anos quando, com um amigo, fez isso pela primeira vez; atualmente, existem 18 destas casas em Paris, nas quais vivem 300 pessoas, entre “sem teto” e jovens voluntários. Todos eles foram a alma do Irmão 2016, peregrinação que levou mais de quatro mil pessoas sem teto de 22 diferentes países europeus a Roma no final de semana de 11 a 13 de novembro.

No número 22 da carta apostólica pós-jubilar Misericordia et Misera, o Papa Francisco escreveu que o encontro com eles lhe sugeriu a ideia de instituir o Dia Mundial dos Pobres, como sinal concreto da herança do Ano Santo da Misericórdia. Um dia que, a partir de agora, será celebrado anualmente na Igreja no 33º Domingo do Tempo Comum, um domingo antes da Festa de Cristo Rei. Villemain, ao apresentar os “seus amigos” ao Papa na Aula Paulo VI, aproveitou para perguntar expressamente: não seria possível a Igreja instituir um dia mundial dos pobres?

“Senti uma imensa alegria e uma grande sensação de paz ao ler essa passagem da Carta Apostólica – conta. Em nossas comunidades, vemos normalmente os pobres nas portas das igrejas. Mas seu lugar é no coração da Igreja. Disse-o Jesus: o que fizerem a um deles é a mim que fizeram. Por isso, é isto que significa celebrar o Dia Mundial dos Pobres. Compreendendo que não podemos ser cristão apenas por tradição; seguir Jesus significa fazer os pobres entrarem em nossas vidas”.

A decisão que Francisco tomou, de alguma maneira, é a conclusão de um caminho: em 2014, a Lazare promoveu uma primeira viagem ao Vaticano, da qual participaram 200 pessoas sem teto da França. Nessa ocasião, também foram recebidos pelo Papa. “Todos ficamos muito surpresos naquele primeiro encontro – disse Villemain. Nesse dia vi pessoas profundamente tocadas pelo amor de Deus. Recordo as palavras de uma mulher que durante a viagem de volta me disse: ‘É verdade, eu não tenho uma casa para mim. Mas agora tenho um lugar no coração de Jesus’”.

Assim, para o Ano Santo, nasceu a ideia da Irmão 2016, uma peregrinação internacional dirigida pelo cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon e grande amigo da Lazare. Na sexta-feira, 11 de novembro, na audiência na Aula Paulo VI, além da proposta do dia, veio o forte gesto do Papa rodeado pelos sem teto. Todos rezavam juntos e Francisco tinha as mãos de todos sobre os seus ombros. Um ícone do que significa deixar-se tocar pelos pobres. “Dois dias depois, tive a oportunidade de saudar novamente o Papa, antes da missa na Basílica de São Pedro – prosseguiu o fundador da Lazare. E ali também voltei à carga: ‘Santidade, você seria a favor da organização do Dia Mundial dos Pobres?’ Ele sorriu e me respondeu: ‘Sim’. Depois começou a missa, e durante a homilia acrescentou estas palavras: ‘Eu gostaria que hoje fosse o Dia dos Pobres’”.

Por que este sinal tão importante? “Porque ajudará a compreender que os moradores de rua não são um problema dos pobres; este é um desafio que interpela a todos – responde Etienne. Somente fazendo as contas com eles a Europa poderá reencontrar as raízes cristãs. Encontrar os pobres quer dizer encontrar a Cristo. Abrindo-lhes a porta descobrimos que também nós somos pobres, e desta maneira nos colocamos em condições para encontrar verdadeiramente Jesus”.

E agora espera pelo domingo 19 de novembro de 2017, quando oficialmente e, pela primeira vez, será realizada a Jornada. “A ideia é que em cada país haja momentos de encontro com os pobres – explicou. Claro, depois haverá alguns que vão vivê-la com o Papa; mas o importante é que o dia envolva verdadeiramente cada Igreja local. Que seja um encontro em que todos reflitam sobre os pobres e rezem com eles”.

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