Papa Francisco aos bispos dos EUA: "Criar uma cultura de encontro, não dos muros"

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17 Novembro 2016

Um apelo que soa quase como uma resposta de Bergoglio a Trump, que insiste em querer impedir novas entradas de latinos nos Estados Unidos. A Conferência Episcopal dos EUA escolheu um texano conservador, mas o vice é hispânico imigrante. Um sinal para o presidente eleito.

A reportagem é do jornal La Repubblica, 15-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"O nosso grande desafio é criar uma cultura do encontro, que encoraje os indivíduos e os grupos a compartilhar a riqueza das suas tradições e experiências, a abater muros e a construir pontes." É o que o Papa Francisco ressalta na videomensagem enviada à Assembleia Geral da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, que ocorre em Baltimore.

Um apelo que soa quase como uma resposta de Bergoglio ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que insiste na ideia do muro para evitar novas entradas de latinos nos EUA. O pontífice lembra aos bispos estadunidenses que, "durante toda a sua história, a Igreja do seu país acolheu e integrou novas ondas de imigrantes: na rica variedade das suas línguas e tradições culturais, eles forjaram o rosto mutável da Igreja estadunidense".

Nesse sentido, o Papa Francisco elogia o Encuentro Nacional de Pastoral Hispana/Latina que começará nas dioceses dos EUA em janeiro, para "reconhecer e valorizar os dons específicos que os católicos hispânicos ofereceram e continuam oferecendo à Igreja dos Estados Unidos da América, parte de um processo mais amplo de renovação e de empenho missionário, ao qual todas as suas Igrejas locais são chamadas".

Para o pontífice, "a Igreja, na América como em outros lugares, é chamada a sair do seu ambiente seguro e ser um fermento de comunhão: entre nós, com os outros cristãos e com todos aqueles que buscam um futuro de esperança. Devemos nos tornar cada vez mais plenamente uma comunidade de discípulos missionários. A comunidade cristã deve ser sinal e profecia do plano de Deus para toda a família humana. Somos chamados a ser portadores de boas notícias para uma sociedade assolada por desconcertantes mudanças sociais, culturais e espirituais e por uma crescente polarização", é o pedido do papa.

O que é certo é que, a uma semana das eleições estadunidenses – como ressalta a agência Ansa –, os bispos dos EUA enviam uma dupla advertência para Trump: luz verde sobre o aborto e as políticas pela vida, mas não mexa com os sans papiers. A Conferência Episcopal dos EUA elegeu, nessa terça-feira, a sua nova cúpula, colocando no primeiro lugar o cardeal arcebispo de Galveston-Houston, Daniel DiNardo, conservador, e escolhendo como número dois o arcebispo de Los Angeles, Jose Gomez.

É a primeira vez que um hispânico chega tão alto na hierarquia católica dos EUA. E não só: a práxis manda que o vice-presidente seja eleito presidência ao término do mandato trienal do antecessor. Para Gomez, sacerdote do Opus Dei, isso seria em 2019, a um ano da próxima eleição para a Casa Branca.

Na eleição de Trump, o voto católico foi muito importante. Cerca de 68 milhões nos EUA, os católicos constituem um quarto do eleitorado, e o magnata conquistou 52% deles (em comparação com os 45% de Hillary Clinton) com a promessa de derrubar a decisão da Suprema Corte que, em 1973, legalizou o aborto.

Nessa linha, Trump encontra o consenso dos bispos e, em particular, do seu novo presidente: DiNardo, que em maio definiu Francisco como "vago demais" na defesa da ortodoxia e que, no ano passado, com outros 12 bispos, enviou ao pontífice uma carta contestando a organização do Sínodo sobre a família, esteve na vanguarda nas campanhas das dioceses pela vida, também às vésperas da última eleição.

Mas é a escolha de Gomez que, à luz das posições expressadas por Bergoglio sobre os migrantes, pareceu ser, nos EUA, um sinal claro de rota de colisão. O próprio Gomez é um imigrante nascido no México, e a sua última homilia em uma vigília de oração improvisada antes das eleições foi de defesa das famílias "sem documentos" e do seu medo de serem deportadas ou divididas.

A eleição do arcebispo de Los Angeles também faz parte de uma tendência que vê um forte crescimento da população hispânica especialmente nos Estados do sul. Nos EUA, quatro em cada dez católicos são hispânicos, e eles são a maioria em muitas dioceses. Em Los Angeles, de até 70%.

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