Líderes religiosos da Europa têm previsões conflitantes para o governo de Trump

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16 Novembro 2016

Dias após Donald Trump ter se tornado o 45º presidente dos EUA, em uma vitória eleitoral surpreendente, a maioria dos líderes religiosos da Europa permanece extremamente discreta e cautelosa em suas reações.

No entanto, alguns afirmaram suas contrastantes previsões sobre as prováveis consequências do governo de Trump.

A reportagem é de Jonathan Luxmoore, publicada por National Catholic Reporter, 11-11-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Na Alemanha, o cardeal Karl Lehmann, ex-presidente da associação de bispos, em uma reunião de católicos no dia 9 de novembro, em Friburgo, disse estar "chocado" com a conquista de Trump e temer que a crescente "onda populista" possa impactar negativamente as eleições de 2017 para o parlamento do seu país, o Bundestag.

Enquanto isso, o chefe da comissão de Assuntos Internacionais da Igreja na Alemanha, Dom Ludwig Schick de Bamberg, declarou que a escolha dos eleitores norte-americanos tinha de ser respeitada, mas acrescentou que esperava que Trump "repensasse e reposicionasse" suas promessas de campanha sobre imigração e relações com outros países e utilizasse o poderio norte-americano para combater as mudanças climáticas, a desigualdade mundial e as guerras na Síria, no Iraque e no Sudão.

"Trump precisa discutir estas importantes questões com verdade e clareza - os EUA têm grande impacto na política mundial e os direitos humanos fazem parte da agenda de muitos países", disse o arcebispo de 67 anos à Rádio Católica Domradio, de Colônia, no dia 9 de novembro. "Os bispos norte-americanos certamente manifestarão seus posicionamentos e buscarão conversar com ele sobre as suas preocupações, que, acima de tudo, implicam em uma aproximação dos valores cristãos da política. Eles fizeram o mesmo com todos os presidentes até agora."

A agência de notícias Católica da Áustria, Kathpress, informou o telegrama felicitando Trump em nome do secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, expressando tanto seus votos de que o novo presidente "promova a paz e o bem-estar no mundo"quanto seu comentário de que "os pontos de vista dos candidatos à presidência muitas vezes diferem de suas políticas públicas", em 9 de novembro a jornalistas de Roma.

Enquanto isso, a Agência Católica de Informação da Igreja da Polônia, a KAI, relatou que 52 por cento dos católicos norte-americanos e mais de 60 por cento dos protestantes votaram em Trump, prevendo que o novo presidente desfrutaria de boas relações com o Vaticano por ter sido "declaradamente contrário ao aborto" e"defensor da liberdade religiosa".

A agência disse que o senador reeleito da Flórida Marco Rubio tinha emergido como uma "grande esperança para os republicanos" por representar "uma das mais fortes vozes pró-vida no Senado", mas disse que Trump deixaria "a maior parte das questões religiosas" para seu vice, Mike Pence. No entanto, o jornal católico francês La Croix declarou que "o novo sonho americano" de Trump corria o risco de se tornar "um pesadelo americano" para aqueles que não pertencem à "comunidade protestante branca" do país.

O jornal acrescentou que a calorosa troca de farpas entre Trump e o Papa, em fevereiro, a respeito da proposta de construção de um muro na fronteira mexicana, indicava um provável conflito, que poderia se agravar pelos planos do novo presidente de tornar os EUA "menos presentes no cenário internacional".

"Ao colocar-se numa certa continuidade com Barack Obama, um governo da candidata democrata parecia mais animador para Roma – pois, apesar de suas divergências, Obama e Francisco sabiam trabalhar juntos," declarou a La Croix aos seus leitores em 10 de novembro. "Com Donald Trump, há outros pontos de discordância, e se o candidato republicano se manifestar abertamente como esperado, demonstrando seu ceticismo quanto ao clima e seu desejo de fechar as fronteiras norte-americanas aos imigrantes, ele vai atingir áreas muito caras para o coração do Papa."

Os bispos católicos da Europa são representados coletivamente pelo Comissão das Conferências Episcopais da Europa, fundada em 1971, com sede na Suíça, que agrupa 39 Conferências Episcopais e as dioceses do Leste e do Oeste da Europa, e pela Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia, com sede em Bruxelas, representando mais de 1.000 bispos de 28 países-membros da UE, cujo presidente é o alemão Cardeal Reinhard Marx, e com vice-presidentes da Bélgica, da Itália, da Escandinávia e da Lituânia.

Em junho, a Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia "publicou o seu primeiro documento em comum acordo com a Conferência Episcopal dos Estados Unidos, estabelecendo as prioridades para os planos de Comércio Transatlântico e Parceria de Investimentos entre Europa e EUA, o qual não deve acontecer com a vitória do Trump.

O bispo auxiliar polonês Witold Mroziewski de Brooklyn disse à agência da KAI em 9 de novembro que os eleitores da comunidade polonesa nos EUA, que conta com 15 milhões de pessoas, estavam divididos na eleição, mas contavam com Trump para honrar a promessa de campanha de que poloneses não precisariam de visto para entrar nos EUA.

Enquanto isso, uma comentarista católica sênior da Rádio Polonesa disse que essa promessa ia de encontro a suas "ameaças de blindar as fronteiras", mas disse acreditar que a maioria dos bispos poloneses tinham discretamente celebrado sua vitória por considerá-la "dos males, o menor".

"Os polacos norte-americanos são conservadores e foram totalmente contra Hillary Clinton, embora eles possam acabar repensando essa escolha", disse Malgorzata Glabisz-Pniewska ao NCR em 10 de novembro. "Pode muito bem ser melhor ter uma presidente como Clinton, de quem a Igreja absolutamente discorda, mas cujos pontos de vista são bastante claros, do que alguém que não é abertamente contrário à Igreja, mas também é totalmente imprevisível e bastante vulgar."
Em um comentário especial para a agência KAI da Igreja polonesa, em 10 de novembro, George Weigel, membro sênior do Centro de Ética e Políticas Públicas, disse esperar que o Supremo Tribunal dos EUA "defenderia a vida e a liberdade religiosa com mais qualidade" em um governo de Trump, acrescentando que atualmente a maior ameaça para os valores cristãos era "a cultura imperialista do ego".

"A imponente comunidade de 70 milhões de católicos nos EUA tem diferentes pontos de vista políticos", disse Weigel aos católicos poloneses. "Mas espero que a maioria espere de Donald Trump e sua administração mais respeito pela instituição da Igreja, por seu papel na sociedade e por seu direito de viver conforme a sua própria compreensão de si mesma do que no governo Obama."

As únicas reações positivas unânimes em relação à vitória de Trump, até agora, vêm da Igreja da Rússia, predominantemente ortodoxa, cujo líder, o Patriarca Kirill, disse em um telegrama enviado no dia 9 de novembro que desejava a Trump "auxílio e sucesso divinos e força" para satisfazer os desejos dos norte-americanos de "mudança na política pública interna e nas relações internacionais".

O patriarca, aliado do presidente russo Vladimir Putin, previu que a experiência de Trump de "muitos anos de trabalho ativo e criativo" ajudaria na "organização do estado e da vida social e na cooperação com outros países".

Ele acrescentou que os EUA e a Rússia foram "unidos por uma história e por valores cristãos em comum", e devem cooperar "para combater o extremismo e o terrorismo e para defender os valores fundamentais e os elevados ideais morais que estão na base dos direitos humanos e da dignidade."

Enquanto isso, o segundo mais importante religioso da Igreja Russa, o Metropolita Hilarion Alfeyev, disse à agência de notícias Interfax da Rússia, em 9 de novembro, que a vitória de Trump deu "esperanças para melhorar todo o sistema das relações internacionais", acrescentando que os eleitores norte-americanos aceitaram sua crítica ao governo de Obama por "desistir de construir relações de aliança com a Rússia".

"A grande pergunta feita aos norte-americanos foi a seguinte: 'Vocês querem que tudo fique como está ou querem mudar?' - E eles votaram a favor da mudança", disse o metropolitano de 50 anos, que lidera o departamento de relações exteriores da Igreja Russa.

"As políticas públicas dos EUA em relação ao Oriente Médio, desde a queda de Saddam Hussein até os eventos recentes na Síria, foram erradas e pouco visionárias. Ao derrubar regimes nos países, um após o outro, supostamente em nome da democracia, os EUA não democratizaram a região e nem levaram prosperidade. Pelo contrário, provocaram o caos, um êxodo em massa de civis e o genocídio de minorias étnicas e religiosas", disse ele.

No entanto, o Bispo Católico Friedhelm Hofmann de Wurzburg, na Alemanha, disse, em 10 de novembro, que temia que políticos populistas "continuariam gerando comoção geral" após a vitória de Trump, enquanto o bispo Georg Bätzing de Limburg disse que também estava "muito preocupado" com as consequências globais da eleição e receoso que o governo de Trump poderia encorajar os países a "fecharem as portas à ação internacional responsável".

Heiner Koch, o arcebispo católico de Berlim, disse, em uma cerimônia em comemoração à Reforma, em 10 de novembro, que esperava que as paróquias cristãs se tornassem "mais capazes de interagir com pessoas como Trump," em vez de concluir que "não há o que possa ser feito com os populistas".

Enquanto isso, o presidente da Associação de leigos católicos da Alemanha, Thomas Sternberg, disse que Trump havia feito "comentários realmente repulsivos" sobre a chanceler alemã Angela Merkel e seu país, acrescentando que ele também estava "profundamente chocado" com o resultado "incompreensível" das eleições.
Ele acrescentou que espera que o presidente eleito seja mais conciliador, após os dois candidatos terem "atacado um ao outro de forma tão repugnante e insultante", mas disse que a perspectiva de que "Trump e Putin sejam aliados" é "tão terrível para a Europa que não se pode sequer imaginar sua dimensão".

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