"Não" aos Acordos de Paz na Colômbia: o papel da Igreja

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04 Outubro 2016

Dias atrás, depois de diversos encontros com sacerdotes e jornalistas colombianos, fiquei com a ideia de que o resultado do referendo sobre o "sim" e sobre o "não" aos Acordos de Paz sancionados no dia 24 de agosto e assinados solenemente no dia 26 de setembro entre o presidente M. Santos e os ex-guerrilheiros das FARC/EP, se resolveriam em um punhado de votos. Hoje, não me surpreende a vitória do "não", embora com uma diferença apertada (50,2% contra 49,8%).

A reportagem é de Luis Badilla, publicada no sítio Il Sismografo, 03-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Embora as reações de Santos e dos ex-guerrilheiros foram encorajadoras e muito sólidas ao reiterar que se continuará buscando os modos mais eficazes para chegar à paz, o povo colombiano parece chocado e desorientado. Agora, esperam-se os próximos movimentos, em particular dos líderes do "não", até porque ninguém vai querer propor que se "continue a guerra".

No atual estado das coisas, o que parece claro é um fato indiscutível: foram muitos os colombianos mornos, os colombianos aos qual faltou a coragem da paz, os colombianos que se deixaram levar por sentimentos, talvez compreensíveis, mas totalmente anti-históricos. Parece que essa atitude esteve muito difundida em uma grande proporção de eleitores católicos, e isso é paradoxal. Eram justamente eles os únicos capazes, teoricamente, de compreender a labuta e as dilacerações da paz, o sentido último do perdão recíproco, da reconciliação e da misericórdia.

A própria voz do papa permaneceu não ouvida, e tudo se consumou justamente nos momentos em que, em Baku, Francisco, dirigindo-se aos muçulmanos, dizia nesse domingo: é preciso vencer "a tentação de se servir do fator religioso: as religiões nunca devem ser instrumentalizadas e nunca podem se prestar a apoiar conflitos e contraposições".

O Santo Padre, depois, acrescentou: "Uma paz verdadeira, fundada no respeito recíproco, no encontro e na partilha, na vontade de ir além dos preconceitos e dos erros do passado, na renúncia às duplicidades e aos interesses partidários; uma paz duradoura, animada pela coragem de superar as barreiras, de debelar as pobrezas e as injustiças, de denunciar e frear a proliferação de armas e os lucros obtidos às custas da pele dos outros".

Justamente isso: na Colômbia, quem trabalhou contra o "sim" foram os traficantes de drogas e de armas, os industriários do sequestro, o crime pequeno e transnacional. Para eles, a paz é uma bancarrota. Para eles, o negócio é a guerra. Para os cristãos, somente "a paz é santa". Para os comerciantes de todas as raças, somente a guerra é conveniente.

A Igreja na Colômbia é chamada agora a uma profunda e séria reflexão. Ela lutou por décadas, pagando com a vida de homens santos (bispos, padres, religiosos, catequistas) em favor da paz. No momento do referendo, ela não teve a clarividência, talvez por disputas internas, de tomar com corajoso discernimento o único caminho possível, necessário e justo: mobilizar as consciências em favor do "sim".

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