A prece do Papa de joelhos: “Povos exaustos, basta de devastações”

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03 Outubro 2016

Que aquela ida à Geórgia não seria uma viagem simples, o Papa o sabia muito bem já antes de partir, mas talvez do irmão patriarca ortodoxo Elias II, ele pelo menos teria esperado um abraço.

A reportagem é de de Franca Giansoldati, publicada por Il Messaggero, 01-10-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

E, ao invés, nada. Nem sequer uma prece em comum, nem mesmo o beijo da paz. Além das palavras do rito, o líder ancião recurvo e de longa barba branca, consagrado padre nos tempos de Alessio I, em Moscou, em 1959, pareceu antes relutante a ramos de oliveira abanando à Igreja de Roma, acusada de ser hegemônica. Irmãos avessos. Uma ducha escocesa para o Papa Bergoglio, que se apresentou em Tiblisi, primeira etapa de uma viagem no barril de pólvora do Cáucaso, com a humildade que lhe é própria, afável, disponível como sempre, sorridente, empático com o hóspede.

A frieza do Patriarca

Isto não parece ter aliviado a tensão de fundo, uma espécie de hostilidade preconcebida. Embora no final da cerimônia tenha sido servido a toda a delegação um copo de vinho georgiano, símbolo de boas vindas, como esquecer os padres que até anteontem protestavam diante da nunciatura contra a visita papal. Olhando-os de longe, o Papa e o patriarca ancião, se entendia que mantinham relações desbalanceadas. Bergoglio inclinado para o hóspede, e Elias II rígido em sua postura recurva, como se um enorme peso o oprimisse. “Que Deus bendiga a Igreja católica de Roma, longa vida a sua santidade o Papa Francisco”. O Papa respondeu com o auspício que “a Igreja da Geórgia possa ir em frente no caminho da liberdade”; depois, enquanto o coro cambava uma Ave Maria composta pelo patriarca, olhou para o relógio. Eram quase 17 horas. “Este é para nós um evento histórico, estamos convencidos que, com a sua visita, serão reforçadas as relações entre as nossas igrejas”. Dali em breve, no encontro com os católicos caldeus, o Papa seria acolhido de maneira bastante diversa, com calor e com afetuosa gratidão. Finalmente em casa. A primeira etapa importante foi no palácio presidencial; mas, já que, na Geórgia, dentro de alguns dias se votará para eleger um novo parlamento, e o partido presidencial poderia sofrer uma bela derrota, não foram difundidas imagens para não interferir no clima eleitoral, embora a visita papal permaneça em segundo plano, quase um incidente da diplomacia religiosa. Pelas ruas não há manifestos, gigantografias, bandeiras. Pouco ou nada; até nos jornais locais a visita não é a primeira notícia do dia, embora o Papa, encontrando as autoridades e os embaixadores, tenha alinhavado um discurso articulado para fazer apelo “ao respeito do direito internacional e às soberanas prerrogativas de cada país”.

A passagem

Uma passagem que, traduzida, inclui uma crítica indireta a Moscou e à política de Putin que apoia as duas áreas separatistas de Abkhazia e Ossezia do Sul, alavancando exacerbados nacionalismos, com trágicas consequências para 300 mil georgianas que, após a independência (e a guerra) foram constrangidos a fugir das áreas separatistas e refugiar-se para onde sua incolumidade fosse garantida. Moscou também se opusera a uma resolução da ONU que previa o seu retorno para casa. Visto que também nesta região o fenômeno das migrações é uma constante, o Papa implorou os políticos de terem a peito a situação de quem foge da própria casa, “empenhando-se para encontrar soluções concretas, também fora das não resolvidas questões políticas”. Servem, concluiu, coragem e clarividência. Depois se ajoelhou e orou pela Síria e pelo Iraque. Aqueles povos estão exaustos, basta com a devastação.

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