A longa marcha dos gays católicos: "Com Bergoglio, fora das catacumbas"

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01 Outubro 2016

Eles viveram durante anos nas catacumbas, em uma Igreja que, como explica o jesuíta alemão Klaus Mertes, diretor do Colégio de St. Blasien, em um artigo recém-publicado na revista acadêmica Theologie.geschichte, não consegue "se decidir a reivindicar direitos humanos fundamentais para as pessoas homossexuais". E ainda: "O fato de ela tolerar, ao contrário, que até mesmo altos representantes do clero invoquem compreensão para tradições culturais em que as pessoas homossexuais são ameaçadas de morte está em contradição com o Evangelho".



A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 30-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eles são os cristãos LGBT, lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, pessoas de fé que buscam apenas uma coisa: acolhida e compreensão, "encontrar um lugar para se sentir aceito e acolhido", também para "resolver as dificuldades ligadas à fé e à sua relação com a sexualidade".

Na Itália, são 28 os grupos de pessoas LGBT que se encontram para caminhar juntos, alguns ainda em estado de semiclandestinidade; outros, tolerados pelo bispo; poucos, plenamente reconhecidos pela diocese de pertença. No entanto, dizem, com Francisco no sólio de Pedro, "algo mudou para nós".

Tudo começou no verão de 2013. Na viagem de volta do Rio de Janeiro, Bergoglio usou palavras claras sobre a homossexualidade. Ele disse que, se existe um problema, este é dado pelos lobbies gays, não pela homossexualidade como tal: "Se alguém é gay e busca Deus com boa vontade, quem sou eu para julgá-lo?", acrescentou.

A partir daquele momento, a parte da Igreja "homofóbico", como Mertes a define, manteve-se como tal, mas a hostilidade contra as pessoas LGBT não se manifestou mais. E o último relatório, recém-publicado, sobre os cristãos LGBT na Itália e editado por Giuliana Arnone está aí para demonstrar isso.

Segundo o relatório, embora muitos considerem que, no plano institucional e teológico, não houve uma abertura, no plano factual e pastoral a realidade mudou: paróquias, conventos masculinos e femininos acolheram nos últimos três anos nada menos do que 42% dos grupos LGBT para falar sobre a própria história. E assim também fizeram diversas seções dos escoteiros que ouviram os testemunhos de 29% dos grupos; a mesma porcentagem diz respeito aos grupos convidados pelas Igrejas evangélicas.

É claro, muito ainda há de ser feito. Quem está consciente disso é o padre Gian Luca Carrega, encarregado pela diocese de Turim para o acompanhamento das pessoas homossexuais católicas. Foi ele que escreveu um prefácio esclarecedor a um livro corajoso de Adrien Bail publicado pela editora Effatà: Omosessuali e transgender alla ricerca di Dio [Homossexuais e transexuais em busca de Deus].

"À parte de raras exceções – diz – a pastoral ordinária parece assustadoramente indiferente à questão. Em toda a península, são apenas três as dioceses, com Turim, além de Cremona e Parma, que nomearam oficialmente um representante para acompanhar as pessoas fiéis homossexuais no seu caminho de busca espiritual". Um dado, explica ainda, "bastante preocupante. O lugar de um cristão é na Igreja, não em um gueto preparado especificamente para ele. O amor incondicional que Jesus mostra nos Evangelhos por cada homem e mulher que se aproxima dele é o modelo a ser retomado na nossa pastoral".

Os fechamentos, em parte, permanecem. No entanto, explica Innocenzo Pontillo, um dos responsáveis pelo Projeto Gionata, a rede italiana online de fé e homossexualidade, "os sinais de mudança, embora pequenos, existem. Não por acaso, nos três dias do Fórum de Albano (15 a 17 de abril) – onde estavam reunidos todos os grupos de cristãos LGBT italianos, os seus pais e os agentes de pastoral que os acompanhavam –, o bispo de Albano, Semeraro (secretário no Colégio dos Cardeais que ajuda o papa na reforma da Igreja) quis se encontrar com os participantes, e o jornal Avvenire [dos bispos italianos] dedicou ao evento um amplo espaço, com um artigo inesperadamente positivo. Nos dias seguintes, até mesmo o canal TV2000 [também dos bispos italianos], pela primeira vez, decidiu abordar o tema da homossexualidade em um programa em que falaram dois agentes de pastoral presentes no Fórum".

As outras comunidades cristãs agem de forma diferente. Na França, por exemplo, a Igreja Protestante Unida concedeu, a partir de 2015, aos casais do mesmo sexo a possibilidade de serem abençoadas por um ministro de culto. Na Itália e em outros lugares, no entanto, a Igreja Católica propõe uma bênção separada para os dois membros do casal, e apenas alguns padres individuais tomam a liberdade de abençoar as duas pessoas juntas. Também na França, está ativa a "Comunidade Betânia", nascida com o objetivo de acolher as pessoas homossexuais que se sentem excluídas da Igreja. No seu interior, trabalha a Ir. Bernadette, que diz: "Um dia me explicaram que um amigo nosso gostava de homens. Eu logo entendi que devia aceitá-lo por aquilo que ele era".

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