A contribuição do design para a construção de uma sociedade sustentável através da inovação

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Por: João Flores da Cunha | 24 Setembro 2016

O design como caminho para a construção de uma sociedade sustentável. Esse foi o centro da fala de Carlo Franzato, designer e professor da Escola de Indústria Criativa da Unisinos, intitulada “Redes de design estratégico para sustentabilidade e a inovação social”. A palestra, que ocorreu no dia 22-09-2016, faz parte do IHU Ideias.

O professor concentrou sua apresentação em torno do tema da sustentabilidade e em como o design pode contribuir para alcançá-la. Referindo-se ao lema dos 3 R’s – reduzir, reutilizar e reciclar –, Franzato enfatizou a necessidade de redução da produção de objetos para consumo. Citando Serge Latouche, economista francês que foi o precursor da teoria do decrescimento, Franzato notou que há um “limite para que o homem se desenvolva de forma sustentável na Terra” – e esse limite já foi ultrapassado.

“O desafio do decrescimento demanda projeto”, para Franzato. Segundo ele, é nesse campo que projetistas – não apenas designers, mas também engenheiros, arquitetos e comunicadores – devem trabalhar para “buscar descobrir novas maneiras de produzir e de estar no mundo” para habitá-lo de forma sustentável.

Assim, o design, através da prospecção de alternativas e de dispositivos sócio-técnicos, “trabalha para mudar o mundo no futuro”, afirmou o professor. Não se trata de algo ligado ao presente ou ao real exatamente, mas a uma possibilidade de transformação que pode vir a se concretizar. “É no horizonte do futuro que o conceito de design encontra o de sustentabilidade”, segundo Franzato.

Nessa perspectiva, pensa-se o design não tanto em sua dimensão tecnológica, mas como uma inovação social que contribua para alcançar a sustentabilidade, “objetivo último” da rede DESIS – Design para a Inovação Social e Sustentabilidade, da qual Franzato faz parte. É necessária uma “mudança radical e sistêmica do nosso sistema socioeconômico para que a sociedade possa encontrar novos caminhos e alcançar a sustentabilidade”, de acordo com ele.

Carlo Franzato: o design "trabalha para mudar o mundo no futuro" (Foto: João Flores da Cunha)

Sociedade convivencial

O designer retomou o conceito de sociedade convivencial, de Ivan Illich, que dá conta de uma sociedade em que o homem controla a ferramenta – um cenário virtual atualmente, considerando que “o homem é agora controlado pela mesma máquina que ele criou”, segundo o professor. Franzato notou que o “sistema de transporte individual nos domina. Ele não está sob o nosso controle”. Pelo contrário, “é ele que nos controla”, afirmou o professor. Mesmo “uma cidade de pequenas proporções como Porto Alegre” convive com engarrafamentos diários, que são inevitáveis nesse sistema, disse Franzato.

Um exemplo de uma ferramenta convivial, que está ao alcance do ser humano, seria a bicicleta, um contraponto ao carro. Hoje, todos têm “total competência e total habilidade” para reparar sua bicicleta no quintal de casa, notou Franzato – basta acessar um tutorial na internet.

Colaboração e participação no design

A sociedade em rede não é ficção científica, mas o “paradigma de organização social contemporâneo”, mencionou Franzato. Nesse contexto, o design não deve se enfocar sobre o produto, mas sobre o sistema de produção como um todo. Da mesma forma, o produto não pode ser pensado como feito por um indivíduo, mas sim pelo “sistema projetante”, segundo o professor.

Nessa perspectiva, o papel do designer passa a ser menos o de projetista e mais o de “habilitar outras pessoas para o design”, disse Franzato. O profissional deve “fazer com que a cultura de projeto evolua e se difunda na sociedade, e que seja possível para a sociedade praticá-lo”. Essa é a base do conceito de co-design, notou o professor.

Assim, o designer deve ter como objetivo levar o design para novos cenários e buscar desenvolver projetos em rede. Para Franzato, o design está se deslocando da noção de entrega de um artefato final e passando a ter como foco um enredo de interações sociais e participativas que integra o processo de projeto – e é esse enredo de relações que pode levar à inovação e à sustentabilidade, de acordo com o professor.

Quem é

Carlo Franzato é designer, com doutorado em Design pelo Politecnico di Milano, universidade italiana estatal de cunho científico-tecnológico. É decano e professor dos cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado em Design da Escola de Indústria Criativa, que reúne as áreas de comunicação, linguagem e design, da Universidade do Vale do Rio do Sinos – Unisinos. É líder do Grupo de Pesquisa “Rede de Estratégias em Design” e membro do “Grupo de Pesquisa em Design estratégico: inovação cultural e social”. Também é membro da rede internacional de pesquisa “Latin Network for the Development of Design Processes”. Atua na divulgação científica do design e das demais áreas de conhecimento ligadas aos processos criativos, colaborando com organizações de promoção do design e veículos de comunicação.

Confira a palestra na íntegra:

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