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17 Setembro 2016

Após meses de rumores, a alemã Bayer e a estadunidense Monsanto confirmaram que esta última aceitou a oferta de 66 bilhões de dólares para se unir. O laboratório multinacional Bayer, líder da indústria farmacêutica, decidiu aumentar sua linha de negócios na indústria agrícola. Ao seu já desenvolvido ramo de agroquímicos – comercializados pela empresa CropScience, que lhe pertence – se somam, agora, mais de 2.000 variedades de sementes, cuja patente é da empresa Monsanto.

A reportagem é de Alejandra Soifer, publicada por Diagonal, 15-09-2016. A tradução é do Cepat.

Esta união não se dá em um contexto qualquer. A Syngenta, competidora de origem suíça da Monsanto, foi recentemente adquirida pela empresa estatal ChemChina. Os mercados ocidentais mais do que nunca se tornaram um terreno de disputa. Assim, das seis empresas multinacionais dedicadas ao agronegócio, a concorrência se reduziria a quatro gigantes (ChemChina-Syngenta/Bayer-Monsanto/Dow-DuPont/BASF).

Hoje, a Bayer conta com cerca de 117.000 empregados ao redor do globo, ao passo que a Monsanto tem 23.000 aproximadamente. Com esta fusão, o negócio farmacêutico da companhia alemã em nível global passa a um segundo lugar, representando 50% de sua atividade.

Dentro do mesmo negócio farmacêutico, a empresa vinha mudando sua intenção comercial para o desenvolvimento de medicamentos com exclusividade de patentes e alto custo, o que vinha provocando demissões nas forças de venda como aconteceu em janeiro deste ano. Esta nova compra pode incidir no mesmo sentido e significar a perda de novos postos de trabalho, destacaram trabalhadores da empresa, que já sofreram cortes de pessoal em fusões anteriores.

Alimentação sustentável

No comunicado que a nova corporação tornou público, destacaram que o objetivo “está em como alimentar 3 bilhões de pessoas a mais no mundo, em 2050, de uma forma sustentável com o meio ambiente”.

Neste sentido, a Coalizão contra os Perigos da Bayer (CBG, em sua sigla alemã), em um comunicado, citou o pesquisador da companhia alemã, Hermann Stübler, que indicou que “há mais de 25 anos, a indústria fitossanitária mundial não desenvolve e coloca no mercado algum herbicida relevante para o cultivo com algum novo mecanismo de ação. Esta é uma das consequências da consolidação da indústria, que foi acompanhada de uma considerável redução do investimento em pesquisa de novos herbicidas”.

“Como consequência, cada vez mais plantas silvestres se adaptam a esses produtos e os agricultores precisam utilizar mais agroquímicos, com efeitos devastadores sobre a biodiversidade”, acrescentou a CBG.

Também denunciou que não é a primeira vez que Bayer e Monsanto se unem. Entre 1954 e 1967, formaram uma empresa conjunta (joint venture) chamada Mobay Chemical Corporation. Mobay proveu o Departamento de Defesa dos Estados Unidos com um dos químicos fundamentais para a geração do Agente Laranja utilizado durante a guerra do Vietnã como parte da Guerra Química.

O uso do Agente Laranja teve como consequência –segundo a Cruz Vermelha do Vietnã – um milhão de pessoas deficientes ou com problemas de saúde e 400.000 mortos. No entanto, o nome da Bayer não ficou associado a este fato, como o da Monsanto.

Se é Bayer, é bom?

Em diversos meios de comunicação internacionais se especula que a histórica farmacêutica planeja se desfazer da empresa Monsanto, já que esta empresa “tem um nome ruim”, ao passo que os alemães gozam de boa fama por ter inventado a aspirina.

No entanto, a Bayer enfrentou julgamentos milionários ao longo de sua história. O mais recente na Argentina teve a ver com a droga para o tratamento do colesterol, comercialmente conhecida como Lipobay, que causou a morte de uma centena de pessoas.

Nesse caso, decidiram não incluir os efeitos adversos na bula do medicamento, fazendo caso omisso a regulamentações locais e internacionais em matéria de saúde coletiva. Pessoas fisicamente saudáveis que foram receitadas com este medicamento ficaram inválidas. O laboratório precisou retirar, em 2001, este medicamento do mercado em todo o mundo.

Após este “deslize”, as ações da Bayer começaram a cair na bolsa. Então, a empresa recorreu à compra do laboratório Schering, adquirindo a linha de produtos anticonceptivos e oncológicos comprovados, que lhe permitiu se levantar de sua queda de imagem e continuar com seus lucros exorbitantes.

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