Papa se comove com a história da Irmã Giulia, vítima dos abusos de um padre

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15 Setembro 2016

Giulia era pouco mais do que uma criança quando o "lobo", o "monstro" colocou as suas garras sobre ela. Ela era uma adolescente extremamente tímida, tinha 14 anos, mas parecia menos, sonhando de olhos abertos.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no sítio Leggo, 12-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Por um longo tempo, ela trouxe essa vergonha consigo, como se fosse culpa dela ter sido abusada por um padre. Hoje, Giulia é uma religiosa que teve a coragem de fazer as contas com esse trauma terrível.

A sua história foi dada a conhecer ao papa, no último sábado, durante um encontro ocorrido em Santa Marta pelo padre Hans Zollner, da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, e por Luisa Bove, da diocese de Milão, que recolheu a história de Giulia e a entregou à memória coletiva.

O livro Giulia e il lupo, storia di un abuso sessuale nella Chiesa [Júlia e o lobo, história de um abuso sexual na Igreja], foi entregue ao papa junto com uma cópia de Camminare accanto alle vittime [Caminhar ao lado das vítimas], escrito por Anna Deodato, também presente no encontro.

"Chegar à última página é um exercício quase fisicamente doloroso e certamente um desafio psicológico e espiritual enorme", escreve o padre Zollner no prefácio. "Porém, é necessário – e, por fim, também salutar – enfrentar essa difícil prova: necessário porque somos chamados a assumir a nossa responsabilidade, a fazer justiça àqueles que sofreram tanta injustiça e que foram feridos terrivelmente; salutar porque olhar na cara dos nossos pecados e das nossas falhas – ao cometer abusos e ao não fazer todo o possível para evitá-los – é doloroso, mas também abre os nossos olhos para a nossa verdadeira condição humana e espiritual." A história tocou enormemente o Papa Bergoglio.

O pesadelo começou durante as férias de verão com todos as crianças do oratório. O padre-monstro trabalhava na paróquia, tinha 30 anos a mais e, pouco a pouco, começou a lhe dedicar atenção. Cada vez mais, até o abuso.

Trata-se do primeiro relato direto de um caso italiano, de um padre pedófilo que manipulava e mantinha a menininha ligada a ele, fazendo-lhe ter sentimentos de culpa, tornando-a incapaz até de entender que se tratava de uma violência.

Giulia conta: "Ele sempre foi o meu guia espiritual, o meu confessor. Ele tinha que saber. Eu tinha que me confiar. E, depois, talvez, eu gostava daquilo que ele fazia. Eu também sentia medo. Não sei. Estava abalada. Em todos os casos, devia ser um privilégio, porque ele certamente não fazia isso com as minhas amigas."

Depois de sete anos de abusos, a "história com o padre" acabou. "Eu não me lembro com precisão como chegou a esse fim. Eu ainda conservo a data do último encontro com ele, no final da tarde. A última vez. Talvez, depois, eu recolhi as poucas forças que me restavam e não fui mais. Ele não me procurou mais, talvez eu não lhe servisse mais. Os brinquedos, depois de um tempo, quando nos cansamos, nós jogamos fora..."

Giulia terminou a faculdade e entrou no noviciado: "Eu parecia realmente ter me encontrado ‘em casa’". Depois, algo começou a não funcionar, Giulia pensou em abandonar tudo: comunidade e trabalho. "Mas eu sabia que não fazia sentido, que seria apenas uma reação instintiva da qual me arrependeria em breve."

"Para evitar ser devorada pela raiva e reencontrar um pouco de serenidade, decidi buscar ajuda. Descobri que havia uma pessoa capaz de ajudar padres e religiosas em dificuldade."

Foi o encontro com essa pessoa, Martina, que determinou a virada. Foi graças a ela que Giulia entendeu a gravidade daquilo que tinha acontecido e deu os primeiros passos do seu caminho de renascimento.

Infelizmente, Giulia não é a única que traz essa experiência sobre os seus ombros. "Outras mulheres, consagradas como ela, foram sexualmente abusadas por padres e consagrados", afirma Anna Deodato, editora do livro.

"Abusos sofridos desde pequenas, ou no início da juventude, ou antes da escolha da consagração, mas, para muitas, até mesmo depois, às vezes até dentro das suas próprias comunidades, pelos padres que as acompanhavam, por aqueles que detinham funções superiores."

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