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12 Setembro 2016

Duas estudantes estrangeiras de jornalismo, uma norte-americana e outra sulcoreana, contam a partir da sua realidade a história de dois padres da “Igreja de Bergoglio”.

A reportagem é de Antea Gatalica e Jenny Lee e publicada por Perfil, 10-09-2016. A tradução é de André Langer.

O padre Pepe Di Paola, mais conhecido como padre Pepe, dá aos seus fiéis a seguinte mensagem: “Nada neste mundo é perfeito”. Isto acontece no dia 31 de janeiro deste ano, durante o aniversário da morte de São João Bosco, na capela Nossa Senhora do Milagre, em Villa La Cárcova, San Martín.

Um ar frio atravessa a igreja de paredes brancas, enquanto centenas de pessoas vestidas com camisetas, jeans e chapéus se sentam nos bancos improvisados. O público observa como uma menina de não mais de cinco anos se levanta e se submerge em uma pia batismal. O padre Pepe, de 54 anos, acaba de terminar um dos cinco batizados do dia. Villa La Cárcova é um dos 50 bairros onde muitos estrangeiros temem entrar. As ruas são de chão batido. São labirintos de ruelas com casas de má qualidade, construídas com blocos de cimento e pedaços de metal. As maiores taxas de delinquência, violência e problemas com drogas encontram-se aqui. Há uma construção que se diferencia do resto, a Igreja do Padre Pepe, a partir de onde diz: “Ser sacerdote significa trabalhar com pessoas marginalizadas. É uma vocação, um chamado”.

Ele é um dos 20 “padres vileiros” que há em Buenos Aires que levam aos moradores do bairro a fé católica e a educação. Seu principal objetivo não é converter os bairros, mas “criar uma base para uma melhor qualidade de vida”.

A partir da divulgação de atividades na comunidade, tais como a construção de escolas, a ajuda para a saída das drogas e pregar a não violência, estão mudando, lentamente, estes bairros empobrecidos.

Apoio do Papa. O padre Pepe começou a trabalhar com Jorge Bergoglio, que lhe pediu para ajudar as crianças e jovens das vilas. Os inícios de Pepe foram em Villa 15, também conhecida como Ciudad Oculta, e finalmente se transferiu para a Villa 21. Esteve nestes bairros durante 15 anos, até que recebeu ameaças de morte por parte de narcotraficantes que o forçaram a se mudar. Foi assim que acabou em La Cárcova, há três anos.

O padre Pepe está consciente dos perigos de seu trabalho. Mas ele sente que faz parte de um plano maior.

Para estes padres, o Papa Francisco cumpre uma missão muito importante. Ao longo de seu papado, Bergoglio pregou a importância de atender os marginalizados, um pilar que ele sustentou desde a época em que era arcebispo de Buenos Aires. Francisco também trabalhou nestes bairros pobres e ajudou a estabelecer o trabalho de seus colegas como uma identidade única para o catolicismo na América do Sul.

“Quando Bergoglio esteve aqui, ninguém nos deu dinheiro”, disse o padre Juan Isasmendi, um padre da Villa 21-24, onde Francisco passou muito tempo. “Ele mesmo ia buscar o pão. Literalmente, ia às padarias para conseguir pão para levá-lo às crianças cada manhã. Ninguém o ajudava. E isso é importante, porque dá às pessoas uma ideia do que é a Igreja”.

Outro exemplo. Isasmendi é outro padre do Terceiro Mundo. Tem 35 anos e é padre da igreja de Nossa Senhora dos Milagres de Caacupé, em Villa 21-24, o maior bairro marginal e o mais povoado da zona sul da Cidade de Buenos Aires. Começou a trabalhar nas casas em 2008, época em que Bergoglio era arcebispo. Ele se esforça para evangelizar e ajudar os moradores, em sua maioria imigrantes paraguaios. Ali vivem mais de 40 mil habitantes.

Ele afirma que seu maior desafio é o problema das drogas, mais especificamente com o “paco” [pasta de cocaína].

O padre recorda uma vez que foi assaltado por um adolescente armado. Ele conhecia o jovem desde quando era criança. O rapaz, ao reconhecer o padre, ficou com vergonha e saiu correndo.

“Isto é uma demonstração de um problema maior: a marginalização”, disse o padre Isasmendi. “Falamos de como há tantos pecadores nestes bairros pobres, mas, na realidade, o sistema está configurado para que estas pessoas fracassem. E ninguém se preocupa em conhecer sua história de fundo”.

Diariamente, o padre Isasmendi dá aulas para crianças em um jardim de infância e em uma escola secundária. Também organiza estudantes voluntários para que visitem doentes nos hospitais. Ele é o encarregado dos programas de reabilitação para drogaditos e de entrega de remédios para crianças.

“Ao contrário do que muitos pensam, nosso trabalho não tem nada a ver com a intelectualidade ou o conhecimento. É um trabalho de amor”, disse o padre Isasmendi. “Oferecemos lares para pessoas sem casa e o cuidado dos doentes”. A chave para acabar com a pobreza, disse, é educar os filhos da favela e inculcar neles o valor e a positividade. “São pessoas que trabalham duro e que estão vivendo uma vida normal, como qualquer outra pessoa; acordam cedo para trabalhar na cidade e em geral voltam muito tarde da noite”, disse, observando que a maioria delas são amas de casa ou trabalhadores da construção civil. “E sua presença (Jesus) é para que o mundo possa mudar. Pode-se mudar o mundo e eu estou vendo a mudança. É como estar debaixo da água. Não verá as mudanças que estão acontecendo sob a terra, mas estão acontecendo. É um processo gradual. E a mudança lenta é mais forte”.

De acordo com o padre Isasmendi, a Igreja recebe financiamento parcial do governo para executar todas as atividades com as crianças. O bispo Santiago Olivera, presidente da Comissão de Comunicação do Episcopado, confirmou que a Igreja está trabalhando com o governo do presidente Mauricio Macri em um programa de desenvolvimento de 700 moradias.

A origem. Não foi Francisco quem começou a tradição dos padres vileiros. Isso começou em 1968, quando um grupo de padres progressistas se transferiu para os bairros de trabalhadores empobrecidos com uma agenda diferente que ampliava os direitos dos pobres através da participação política.

Dirigidos pelo padre Carlos Mugica, os membros dos Sacerdotes do Terceiro Mundo reclamavam e estabeleciam infra-estruturas básicas para os habitantes dos subúrbios como uma resposta moral à injustiça social que se vivia em toda a América Latina nos anos 1960 e 1970. O governo militar e bispos da Igreja católica apelidaram esses sacerdotes de comunistas subversivos. Criticavam Mugica por ser muito político.

Vários padres, inclusive Mugica, foram assassinados por um grupo armado ligado à ditadura. Sua morte acabou com o movimento dos padres vileiros até que Francisco e um grupo de sacerdotes jovens entraram nos bairros pobres, 30 anos mais tarde.

“Não separamos os padres vileiros da Igreja. Eles fazem parte da Igreja argentina; fazem parte da nossa realidade”, disse o bispo Olivera.

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