Madre Teresa, Pier Paolo Pasolini e o reconhecimento da santidade. Artigo de Angelo Comastri

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05 Setembro 2016

"Pier Paolo Pasolini entendeu que a Madre Teresa via algo onde nós não víamos nada: e reconheceu o mistério, o mistério da santidade!"

A opinião é do cardeal italiano Angelo Comastri, em artigo publicado na revista Se Vuoi, 27-03-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

No fim dos anos 1960, Pier Paolo Pasolini, depois de se encontrar com a Madre Teresa de Calcutá, saiu com esta encantadora exclamação: "Madre Teresa quando olha, vê!"... A propósito do seu "ver", eu me lembro de um episódio de extraordinária beleza.

Em 1988, ela foi me encontrar em Porto Santo Stefano, onde eu era pároco há vários anos. Ela me disse: "Não faça coisas barulhentas. Façamos algumas orações para acolher amor e nos tornarmos amor!".

Não me foi possível cumprir completamente o desejo da madre, e, portanto, à sua chegada, ela encontrou um pouco de inevitável oficialidade.

Ela cumprimentou a todos com a sua costumeira amabilidade e, depois, encaminhou-se para o lugar onde lhe esperava uma extraordinária assembleia: cerca de 20.000 pessoas! A Madre Teresa, de repente, se dirigiu para um ponto específico. O que ela tinha visto? Tinha visto os doentes, e o seu coração tinha tomado asas, e o seu rosto tinha se tornado radiante: ela tinha visto! E, assim, surpreendeu a a todos.

Pier Paolo Pasolini entendeu que a Madre Teresa via algo onde nós não víamos nada: e reconheceu o mistério, o mistério da santidade!

Augusto Guerriero (conhecido pelo pseudônimo de Ricciardetto), nos anos 1970, foi um escritor muito polêmico sobre a religião (…). No entanto, quando se encontrou com a Madre Teresa, Ricciardetto foi capaz de escrever: "Eu nunca tinha encontrado um santo. Esse encontro me comoveu profundamente. A Madre Teresa mantém na Índia 50.000 leprosos, organiza escolas e abrigos para jovens. Agora, abriu uma casa para leprosos no Iêmen. ‘Demos-lhes um pouco de luz', disse ela. ‘São nossos irmãos. Rezem por eles’. Eu beijei a sua mão várias vezes (...) e não respondi, porque era a comoção que me impedia de falar. Nos seus olhos, resplandecia a luz da mensagem cristã, da verdadeira mensagem cristã, que é o amor. Eu senti toda a vaidade do mundo em que vivi, das suas paixões, das suas lutas, das suas ambições. (…) Porque há um único ideal pelo qual vale a pena viver: é a caridade".

Assim era a Madre Teresa, e assim também os "distantes" a reconheciam.

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