"Podem-se aceitar grandes diferenças em torno dos símbolos religiosos, mas respeitando a Constituição." Entrevista com Michael Walzer

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22 Agosto 2016

"É estranho querer libertar as mulheres dos vínculos no vestuário da sua religião impondo as regras de vestuário da nossa não religião. Não é uma posição que vai conquistar os corações e as mentes." Michael Walzer, um dos maiores filósofos políticos estadunidenses, autor de "Sobre a tolerância" (Ed. Laterza), fala desde Princeton, onde é professor emérito. Ele ainda não leu o editorial do New York Times, que critica a escolha "farsesca" na França de banir os burkinis com o risco de "estigmatizar e marginalizar os muçulmanos", mas vê as coisas de modo semelhante.

A reportagem é de Viviana Mazza, publicada no jornal Corriere della Sera, 20-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

De acordo com o Times, a batalha contra os burkinis na França não é apenas uma questão de liberdade de vestuário. É uma batalha sobre a identidade, ligada ao terrorismo e ao medo do multiculturalismo, que leva a ver a assimilação a uma identidade rígida como uma questão de segurança nacional. Por que nos Estados Unidos não é assim?

Eu entendo a importância da laicidade, e, obviamente, todos os franceses e a maioria dos estadunidenses preferem ver mulheres pouco vestidas na praia... Mas, neste caso, eu não entendo a resposta francesa. Antigamente, eu dei uma palestra em uma universidade britânica: depois, aproximaram-se jovens de burca com os olhos visíveis por uma fresta, e eu pensei que seria difícil ser professor dessas jovens, porque não conseguia distinguir uma da outra. O véu sobre o rosto eu posso entender, faz uma grande diferença, se pensarmos nas relações entre pessoas, mas não entendo por que o foulard sobre a cabeça incomoda. Deve ser desagradável nadar com todas aquelas roupas. Mas é um assunto delas. E você diz que a minha resposta é estadunidense?

Eu acho que está ligada ao modo de ver a liberdade nos EUA...

Como sociedade de imigrados, queremos que as pessoas respeitem as regras estadunidenses na economia e na política, mas, do ponto de vista cultural e religioso, estamos prontos para aceitar grandes diferenças. Não importa o que você veste sobre a sua cabeça, mas queremos que você respeite a Constituição. Se você a respeita, você é estadunidense.

E o que está na raiz dessa diferença com a França?

Eu acho que tem a ver com o Estado-nação: ao contrário da França, os EUA não são um Estado que pertence a uma única nação. É multinacional. Os colonos anglo-saxões, embora com relutância, aceitaram se tornar uma minoria naquele que eles consideravam como o seu país. Nos anos 1940 e 1950, tivemos o comitê sobre as atividades antiamericanas, definidas puramente em termos políticos, enquanto é difícil imaginar que os comunistas franceses fossem definidos como não franceses. Em vez disso, um judeu ortodoxo com um hábito polonês do século XIX, em Nova York, pode ser estadunidense.

No futuro, o medo do terrorismo poderá levar a se considerarem como antiamericanas algumas escolhas culturais?

Pode acontecer, Trump representa essa possibilidade. Mas as coisas podem mudar na Europa no sentido oposto. Há uma luta sobre como enfrentar o radicalismo islâmico e pode ir em direções diferentes. Se tivermos sucesso para derrotar o radicalismo islâmico ou se os focos religiosos se extinguirem, haverá novas oportunidades para o multiculturalismo na Europa.

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