Especialista em proteção sexual infantil do Papa, Pe. Hans Zollner fala sobre o combate ao “mal”

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12 Agosto 2016

O padre jesuíta Hans Zollner, presidente do Centro de Proteção à Criança da Pontifícia Universidade Gregoriana e membro da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, visitou a Nova Zelândia pela primeira vez na semana passada.

A reportagem é de Shane Cowlishaw, publicada por Stuff, 10-08-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Segundo contou a jornalistas, o trabalho que ele desempenha é “obscuro, sombrio e pesado”.

Frequentemente descrito como o especialista do Papa Francisco para o combate ao abuso sexual infantil, Zollner tem ouvido inúmeros relatos de pessoas que sofreram nas mãos de sacerdotes.

Zollner, alemão, preside o Centro de Proteção à Criança da Pontifícia Universidade Gregoriana.

Ele também faz parte da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, criada pelo papa em 2014 com a finalidade única de desenvolver iniciativas que podem evitar abusos futuros dentro da Igreja.

Desde a década de 1980, quando as primeiras acusações de comportamento impróprio na Igreja começaram a aparecer, milhares de pessoas vieram a público dizendo que foram abusadas sexualmente por padres e feiras.

Zollner viaja o mundo todo por causa do seu trabalho. Durante o período em que ficou no país, ele deu um treinamento de um dia em Wellington para 85 pessoas de todas as áreas da Igreja, incluindo o Cardeal John Dew, o núncio apostólico e bispos.

A Nova Zelândia pareceu ter feito um progresso razoável em seu trabalho no sentido de combater práticas ilegais dentro da Igreja e evitar com que elas aconteçam no futuro, disse o religioso.

Porém o país não é perfeito e ainda enfrenta desafios, tais como a unificação das jurisdições da Igreja e uma forma de lidar com questões migratórias complexas.

“Eu esperaria que a Nova Zelândia supere esse sistema paroquial. Precisa haver uma abordagem nacional, coerente e proativa. Essa ideia bem poderia sair daqui, no dia de hoje, após este treinamento.

Um dos principais desafios que vejo para o país é também o influxo de pessoa vindas de diferentes culturas, onde se tem um jeito diferente de falar sobre a sexualidade, um jeito diferente de se envolver e viver com a autoridade e o poder”.

A Nova Zelândia viu a sua parcela de abusos sexuais na Igreja na medida em que as vítimas encontram coragem para denunciar.

Em maio, a questão foi novamente lançada no espaço público quando o ex-padre Peter Hercock foi preso por delitos no passado.

Uma de suas vítimas, Ann-Marie Shelley, havia informado à Igreja sobre o padre há mais de uma década.

A Igreja investigou o caso e o considerou válido, com Hercock admitindo ser culpado durante uma entrevista. Ele no entanto nunca foi detido até que uma segunda investigação policial fosse conduzida.

Shelley decidiu se pronunciar em público sobre o que aconteceu com ela para mostrar a outras pessoas que não há nada a temer.

Zollner não se encontrou com nenhuma das vítimas no país, mas antes de sua chegada passou algumas horas na Austrália reunindo-se com um grupo de pessoas de Ballarat.

Ballarat, uma cidadezinha do estado de Victoria, foi o centro de abusos sexuais em décadas passadas e é onde se baseia a atual Comissão Real que investiga as respostas institucionais da Igreja a abusos contra crianças.

Zollner afirmou que foi um encontro emocionante e que apenas ouviu as vítimas.

“Ouvi os sobreviventes, eles tiveram uma oportunidade de falar e serem ouvidos, de forma humana, aberta, receptiva. Eles não queriam vir a público, eles não queriam processar para ganhar o máximo de dinheiro em indenizações possível, mas porque se sentiram feridos com uma postura defensiva, fria de parte de alguns líderes eclesiásticos, estas pessoas escolheram agir daquela forma”.

É por este motivo que Zollner já viu três vezes o filme Spotlight, produção de Hollywood baseada na investigação do The Boston Globe sobre o escândalo de pedofilia na Igreja nos EUA.

Ele acredita que Spotlight é um filme bem produzido, e que está “bem próximo dos fatos”, acrescentando que se trata de uma grande contribuição não só para a Igreja mas para a sociedade em geral.

Longe de ficar preocupado sobre se o filme prejudicaria a reputação da Igreja, o sacerdote alemão falou que foi importante ao mundo saber o que estava acontecendo.

“Essa daí não é uma preocupação que eu tenho. Não me preocupo se iremos ou não recuperar a reputação da Igreja. A minha preocupação é fazer o que precisamos fazer e permanecermos focados.

Precisamos nos focar no que podemos fazer para limpar a bagunça que foi criada ao longo dos anos e fazer o que puder ser feito para criar ambientes tão seguros quanto possível.

Há uma expectativa de que abusos desse tipo jamais vão acontecer na Igreja. É claro que vão acontecer e acontecem nesse mesmo minuto dentro e fora da Igreja, porque este é um mal e nós não somos capazes de acabar com ele, infelizmente”.

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