Três anos sem o padre Paolo Dall'Oglio, três anos sem respostas

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04 Agosto 2016

Há 1.095 dias, não se têm mais notícias do padre Paolo Dall'Oglio, fundador da comunidade inter-religiosa de Deir Mar Musa al-Habashi, na Síria. Três anos sem respostas, entre notícias falsas e avistamentos nunca confirmados, que favoreceram a queda no esquecimento sobre o seu destino. É por isso que, hoje, mais uma vez, a partir deste blog, relanço o apelo para não esquecer. Para romper o silêncio.

A reportagem é de Antonella Napoli, publicada no sítio TheHuffingtonPost.it, 31-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O jesuíta, comprometido contra o regime de Assad desde o início do conflito sírio, na noite entre os dias 28 e 29 de julho de 2013, foi sequestrado por um grupo de milicianos armados nos arredores de Raqqa, cidade nas mãos da insurreição e, hoje, uma das fortalezas do Daesh.

O seu mosteiro de São Moisés, o Abissínio, no deserto ao norte de Damasco, era o exemplo de como a fé, nas suas diversidades, podia unir em vez de dividir. Precisamente esse foi o principal assunto que abordamos por ocasião da audiência, que, no dia 17 de julho de 2012, ele realizou perante a Comissão de Direitos Humanos do Senado italiano, quando eu o conheci e entrevistei pela primeira vez.

Essa foi uma das suas últimas intervenções públicas.

A suas ideias sobre a Síria estavam em contraste com o que a Igreja síria e o Vaticano expressavam.

Ele tinha criticado várias vezes a posição italiana, sem poupar a então ministra das Relações Exteriores, Emma Bonino, e a preguiça europeia, "uma preguiça irresponsável em relação à revolta do povo sírio".

Ele não hesitava em afirmar que, sobre a crise síria, na Itália, estendia-se um certo esquecimento.

O padre Paolo, durante o seu encontro com os senadores que acorreram numerosos à sessão no Palácio Madama para ouvi-lo, contou que participou de uma reunião, de fato clandestina, de opositores de todas as origens culturais, ideológicas e também religiosas. Eles tinham sido reunidos por um advogado alauíta que tinha pago o compromisso em favor dos direitos humanos com uma prisão de cerca de cinco anos.

Ao lado dele, sentou-se um idoso que passou nas prisões do regime nada menos do que 23 anos.

"Se tivesse sido feita a soma dos anos de prisão imposta aos participantes daquele encontro – disse o jesuíta com um sorriso amargo – facilmente se teria alcançado um século." O padre Paolo, assim, queria enfatizar que o caráter autoritário do regime não era uma novidade, e que as câmaras de tortura não eram uma invenção recente, mas parte da organização da vida política, social e econômica como meio sistemático para oprimir e humilhar a humanidade dos cidadãos através do poder excessivo dos serviços secretos e de segurança.

Embora soubesse que continuar dirigindo acusações contra o governo de Assad lhe impediria de voltar para Deir Mar Musa al-Habashi, o abuna Paolo, como os sírios o chamavam, não podia calar. A repressão tinha sido uma constante dos últimos 40 anos na Síria.

O padre Paolo falava com dor sobre como o tinha decepcionado o presidente Bashar Assad, que, durante a primeira década no poder, era visto por muitos como aquele que poderia conduzir o país, emancipando-o de uma situação de atraso que o caracterizava no plano cultural, institucional e dos direitos, para orientá-lo para uma maturação social e civil adequada a um Estado moderno e democrático.

Esse era o desejo e a esperança em que muitos tinham acreditado, para, para concretizá-lo, teria sido necessário drenar o pântano das máfias criminosas, do tráfico de armas, do poder excessivo dos serviços secretos, assim como da instrumentalização dos extremismos muçulmanos teleguiados para objetivos de potência. O missionário tinha traçado um quadro bem claro da situação e desejava uma consciência global sobre ela.

"Não se pode imaginar uma possível pacificação negociada pondo no mesmo plano o regime e a resistência síria, o carrasco e o torturado. Cometeríamos um erro. Também não é possível fazer isso moralmente, embora, concretamente, a solução só pode ser negociada, especialmente com as forças regionais em campo, como o Irã e a Rússia", foi uma das passagens mais fortes e sentidas da audiência do padre Paolo, bem ciente de que, dentro dos movimentos de oposição a Assad, também estavam presentes posições integralistas.

Ele acreditava firmemente que a missão da comunidade internacional não era apenas a de pacificar a Síria, chegando a uma forma de armistício qualquer, mas que se chegasse a esse resultado através de um processo de amadurecimento democrático. Era esse, na época, o grande pedido dos sírios.

E o padre Paolo, voz do diálogo, levava-o adiante convictamente.

Hoje, mais do que nunca, a sua mensagem deveria ser reproposta, com a mesma intensidade. Seria necessário reencontrar o espírito de Deir Mar Musa, combater, com o debate construtivo, propositivo, os tempos sombrios, terríveis que estamos vivendo e que nos paralisam em uma bolha de terror da qual é cada vez mais difícil sair.

Pelo abuna Paolo e por aqueles que passaram uma vida inteira acreditando em uma convivência possível, se deve e se pode, ainda, tentar percorrer essa trilha traçada com determinação.

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