Crimes de pistolagem em conflitos agrários crescem 637%, diz Pastoral

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02 Agosto 2016

Relatório diz que 1,4 mil casos foram registrados em Mato Grosso em 2015. Na região de Novo Mundo, 17 pessoas teriam sido ameaçadas de morte.

A reportagem é de Lislaine dos Anjos, publicada por G1, 29-07-2016.

Acampamento invadido em Novo Mundo foi queimado por pistoleiros, diz Pastoral (Foto: Divulgação/Comissão Pastoral da Terra-MT)

O número de crimes de pistolagem em conflitos agrários em Mato Grosso aumentou 637% em apenas um ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pela Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso. Segundo o levantamento da comissão, 1.423 casos foram registrados em 2015, contra 193 ocorrências em 2014.

Os dados também apontam crescimento de quase 59% nas ocorrências de conflitos agrários no mesmo período, sendo 62 casos registrados no ano passado, envolvendo mais de 30 mil famílias. Ao todo, conforme a pastoral, nos últimos 30 anos, 125 já foram assassinadas durante disputas por terras no estado.

Devido aos conflitos, pelo menos 320 famílias foram obrigadas a deixarem a terra onde viviam por causa de ameaças de fazendeiros que reivindicam a posse dos terrenos, enquanto outras 3,4 mil vivem sob risco constante, conforme a pastoral. Segundo o coordenador da CPT-MT, Cristiano Cabral, os conflitos mais graves registrados em Mato Grosso ocorrem no norte do estado e na região do Araguaia.

“As terras são públicas, pertencem ao estado ou à união. Quando sabem que a terra é pública, os camponeses se veem no direito de ocuparem aquele lugar, mas os latifundiários, que também brigam pela posse da terra, se acham no direito de defender o espaço por meio de [crimes de] pistolagem”, afirmou.


Pistoleiros deram vários disparos dentro de acampamento, segundo a Pastoral (Foto: Divulgação/Comissão Pastoral da Terra-MT)

Ameaças de morte

Um dos casos mais graves registrados no estado ocorre em uma área de 14 mil hectares, em Novo Mundo, a 791 km de Cuiabá. Segundo Cristiano, o conflito no local teve início em 2009 e, hoje, cerca de 100 famílias que lutam pela área se encontram acampadas do lado de fora da cerca da fazenda, em uma estrada de terra.

“Eles reivindicam na Justiça o direito de ocuparem aquela terra. No dia 21 de fevereiro deste ano, a situação se agravou. Houve tiros e carros e casas foram queimados. Além disso, jogaram gasolina em uma criança que estava dentro de um barraco, mas ela foi salva pela mãe de ter o corpo queimado”, relatou.

De acordo com o coordenador, na ocasião, quatro pessoas foram juradas de morte pelos pistoleiros, entre elas o líder do acampamento. As pessoas ameaçadas e suas respectivas famílias estão escondidas, segundo Cristiano.

“Naquela região já tivemos muita gente ferida, gente que levou coronhada na cabeça, que foi obrigada a deitar no chão e comer terra. A situação é grave. Ao todo, na região de Novo Mundo, 17 pessoas foram marcadas para morrer. Um delas já foi assassinada. Todo dia eu espero alguém me ligar para dizer que mais uma pessoa morreu.”, disse.

Na época, em um dos conflitos, um dos assentados filmou a chegada dos pistoleiros no acampamento, quando eles buscavam um dos homens jurados de morte. Assustado, o trabalhador coloca o celular no bolso. No entanto, mesmo sem imagens, é possível ouvir as ameaças de morte feitas pelos pistoleiros e os disparos efetuados no local.

Reforma agrária

Para o coordenador da Pastoral da Terra, falta vontade ao estado e ao Judiciário para tomarem uma posição mais rápida quando aos conflitos agrários e determinarem a quem pertence cada terra disputada. Segundo ele, apenas fazer a reforma agrária da forma como o governo tem feito, atualmente, não resolve a situação.

“Hoje, eles jogam as pessoas na terra, mas sem que elas tenham acesso a investimento, crédito, o que acaba impedindo a pessoa de produzir e de escoar essa produção. Não adianta dar a terra e não dar suporte”, afirmou.

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