Dois padres oferecem respostas espirituais e sociais para o tiroteio de Orlando

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08 Julho 2016

O tiroteio de Orlando em uma boate gay estimulou muitíssimas declarações e gestos de solidariedade para com a comunidade LGBT. Na imprensa católica, dois padres escreveram ensaios que valem a pena serem lidos e que atribuem dimensões católicos a esta tragédia. O padre jesuíta James Martin oferece aconselhamento espiritual para as pessoas LGBT, como uma resposta à mensagem de ódio enviada pelo tiroteio. O Padre Claretiano, Paul Keller, faz um trabalho de aconselhamento para os problemas institucionais da Igreja Católicos, postos em evidência por este incidente.

A reportagem é Francis DeBernardo, do movimento New Ways Ministry, publicada por Bondings 2.0, 05-07-2016. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Em um ensaio para a revista America, intitulado "Reflexões sobre orgulho", Martin oferece cinco conselhos para aqueles que foram impactados negativamente pelo tiroteio de Orlando. Primeiramente, ele recorda às pessoas LGBTs, particularmente a juventude:

“. . . [R]ecordem que vocês foram criados por Deus. O Salmo 139 fala sobre Deus, 'Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas"!

“. . .Você é um presente de Deus para o mundo. Você é, como diz o salmista, "especial e admirável".

Para aqueles que se sentem excluídos pela igreja, ele oferece esta mensagem:

"[R]ecorde que você tem tanto espaço na igreja quanto o papa tem, o seu bispo local tem - ou eu tenho. Como eu sei disso? Porque você foi batizado. Com o sacramento do batismo, você foi bem-vindo na igreja. Na primeira comunhão, você foi recebido ao redor da mesa do senhor, e na Confirmação do Batismo fostes selado com o Espírito Santo".

O Papa Francisco é um sinal de esperança para os católicos LGBT, ele sugere. Ele observou a nova abordagem do papa para o ministério pastoral:

" 'Você pode sentir que a igreja nem sempre lhe recebeu bem, mas as coisas estão mudando. O Papa Francisco gosta de usar a palavra "acompanhamento". As pessoas da igreja estão cada vez mais sendo encorajadas a lhe acompanhar. Então, tenha esperança em sua Igreja".

Martin sugere que os católicos LGBT procurem uma paróquia católica que seja receptiva, observando que, algumas vezes, tais comunidades podem ser encontradas em um ministério católico em um campus universitário. Sugerimos que você consulte a lista de recepção de paróquias e faculdades católicas do Ministério dos Novos Caminhos (New Ways Ministry), caso você esteja procurando por um lugar assim. Se você souber de um lugar semelhante, por favor, deixe que os outros também saibam na seção "Comentários" deste post.

Finalmente, Martin oferece uma comovente bênção:

"[R]ecorde que Jesus ama você. Frequentemente as pessoas LGBT se sentem à margem da Igreja. Mas nos Evangelhos, vemos como Jesus continua próximo com as pessoas nas margens, acolhendo-as na comunidade. Jesus sempre procurou aquelas pessoas que se sentiram excluídas e fez com que elas se sentissem incluídas".

Em uma coluna da revista U.S. Catholic, intitulada "Catolicismo e discriminação LGBT," Keller observa que a Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé (CDF), historicamente, fez declarações contra a discriminação e a violência contra as pessoas LGBT, mas ele nota que as declarações em resposta à Orlando do Bispo Robert Lynch, da Flórida, e do Arcebispo de Chicago, Blase Cupich, acrescentaram muito mais substância às generalizações vagas do CDF:

"As recentes declarações dos bispos respondendo à tragédia em Orlando parecem ir além da mediocridade e da compreensão minimalista de discriminação, ofertada pela CDF. Em um movimento muito semelhante ao estilo do Papa Francisco, esses bispos abordam direta ou indiretamente algumas perguntas desafiadoras para a própria Igreja. O que significa para nós considerar as pessoas LGBT "nossos irmãos e irmãs"? De que forma os católicos criam desprezo pelas pessoas LGBT? Onde podemos encontrar e como podemos combater o preconceito anti-gays que existe na comunidade católica"?

Keller é explícito sobre o que é necessário:

"Precisamos de nossos bispos para nos dar orientações sobre o preconceito e desprezo anti-LGBT que existe dentro da Igreja Católica. Um silêncio contínuo não é moralmente corajoso ou pastoralmente responsável".

E ele oferece algumas sugestões concretas:

"Nenhum ser humano normal deve ter qualquer problema condenando atos de violência dirigidos a alguém por causa de sua orientação sexual. No entanto, como parte de uma comunidade católica, precisamos fazer muito mais do que apenas condenar a violência. Por exemplo, é legal em muitos estados (dos EUA) demitir alguém por ser gay, lésbica ou transgênero. Se acreditamos que isso representa discriminação injusta, então como é que a nossa igreja não está na linha de frente, trabalhando para acabar com isto? Certamente não podemos nos auto-congratular porque condenamos explicitamente a violência contra as pessoas LGBT. Quem não condena? Nós podemos, como uma Igreja, fazer melhor do que isso? Não deveríamos estar ativamente fazendo algo para acabar com outras formas de discriminação injusta"?

O mais interessante é o fato de que Keller parece que não aprova o casamento ou relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Em sua coluna, ele afirma:

"Se a Igreja Católica tem alguma credibilidade moral quando abordamos questões como o casamento de pessoas do mesmo sexo ou os fins morais naturais da intimidade sexual, então, nós, como católicos que somos, devemos estar dispostos a gastar tempo e dinheiro lutando contra as injustiças sofridas por nossos irmãos e irmãs LGBT".

Mas seu impulso para uma posição mais forte contra a discriminação parece ser motivado por mais do que apenas uma possibilidade de ganhar vantagem política. Sua conclusão aponta para a ideia de que a Igreja deveria levantar-se à favor das pessoas LGBT, porque é a coisa certa a fazer, mesmo que a hierarquia não concorde plenamente com todas as questões LGBT:

"Para alguns, a única experiência que eles poderiam ter da Igreja Católica é saber que eles mesmos, seus tios favoritos, professores mais queridos, ou vizinhos mais generosos são 'gravemente perturbados', 'intrinsecamente mau intencionados', ou 'abominações' ". Ao invés de ter a sua dignidade ou a das pessoas que amam diminuída e insultada, essas pessoas, sem uma compreensão do vocabulário técnico da teologia moral, podem concluir que é a própria igreja que está "gravemente perturbada" ou "intrinsecamente mau intencionada". A fim de persuadi-los de que este não é o caso, a Igreja Católica deveria estar muito mais disposta a trabalhar em solidariedade com e em nome de comunidades que estão sofrendo injustamente, mesmo quando nós não concordamos com todas as crenças dessa comunidade".

Apesar de eu não concordar com a abordagem de Keller referente aos relacionamentos, o seu raciocínio sobre a defesa da dignidade e da igualdade LGBT é um desenvolvimento importante para aqueles que ainda não aceitam casais do mesmo sexo. De sua abordagem tradicional, ele recorda os católicos que, mesmo que eles estejam de acordo com a sua posição acerca dos relacionamentos, eles ainda têm a obrigação de condenar a violência e a discriminação. A tradição de justiça social da Igreja é muito mais importante para defender e apoiar do que a tradição ética sexual. Se os católicos não apoiarem a justiça social quando se tratar de pessoas LGBT, eles estarão ignorando, para seu próprio prejuízo, uma faceta importante da tradição de sua fé.

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