Indígenas, missionários e bispos juntos para salvar a Amazônia

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Por: André | 29 Junho 2016

Um programa comum para defender a Amazônia, as populações que nela moram e a biodiversidade. É o que discutiram há alguns dias, de 7 a 10 de junho, em Tabatinga, no Amazonas, bispos, representantes dos povos indígenas, congregações missionárias ativas na região e organismos eclesiais, como a Cáritas e a Repam – Rede Eclesial Pan-Amazônica (fundada em 2014 graças à iniciativa do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). O grande impacto que teve a encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco provocou uma considerável mobilização eclesial para a Amazônia. Houve e haverá muitas iniciativas em todo o mundo para celebrar o primeiro ano de sua publicação.

A reportagem é de Francesco Peloso e publicada por Vatican Insider, 28-06-2016. A tradução é de André Langer.

Participaram do encontro 91 pessoas de três países: Colômbia, Peru e Brasil, porque as florestas tropicais que são o pulmão da Terra não conhecem fronteiras, motivo pelo qual é importante que as iniciativas e os compromissos para protegê-las superem a dimensão nacional. Durante o encontro houve momentos de diálogo entre os líderes indígenas e os representantes da Igreja católica sobre diferentes questões: desde o tema central do território até a cultura e a educação escolar das populações indígenas, o desafio das fronteiras e a aliança para compartilhar as diferentes formas de espiritualidade e vida religiosa. Além disso, foi feita uma análise conjunta das realidades das regiões fronteiriças e da zona pan-amazônica destacando os principais desafios socioambientais, os princípios básicos que deverão orientar a presença e as atividades da Igreja entre os povos indígenas e as estratégias mais adequadas para responder a estes desafios.

Entre os principais desafios identificados destacam-se em primeiro lugar a defesa do território perante as leis que ameaçam os direitos dos povos indígenas, os problemas representados pelos “megaprojetos de infraestrutura e de exploração econômica, como as hidrelétricas, as estradas, a mineração, a extração de gás e petróleo, o desmatamento para a implantação da monocultura agrícola”. Também foi destacado o perigo representado pelas atividades ilícitas, como o tráfico de seres humanos ou o narcotráfico na região. Insistiu-se na necessidade de realizar um trabalho cultural tendo em conta as novas formas de domínio, a marginalização dos jovens e, em nível local, os sistemas de produção inadequados, as dificuldades econômicas, a perda do uso da língua materna e outras expressões culturais, a mudança dos costumes cotidianos, um uso errôneo das tecnologias, a propagação do alcoolismo e a presença negativa de alguns tipos de seitas e igrejas.

Falou-se também sobre a necessidade de “reforçar os projetos de vida alternativa frente aos grandes interesses econômicos e políticos e de autonomia dos povos indígenas”. Afirmou-se particularmente a ideia de construir uma Igreja que esteja perto da realidade, que seja capaz de reconhecê-la, “capaz de compreender os povos indígenas, que caminha junto com as comunidades”, que contribua para colaborar na conservação e valorização da própria cultura, capaz de apoiar a formação social e política, de ser espaço de diálogo e participação, amiga, aliada e solidária, espiritual e culturalmente encarnada e não imposta ao povo, que questiona uma ordem opressora com coragem e compromisso: “uma Igreja com rosto amazônico”.

O encontro terminou com uma série de compromissos, a começar pela necessidade de construir estruturas organizativas que envolvem as três fronteiras, para responder da melhor maneira possível aos desafios colocados pelo território e o ambiente. Da mesma maneira, decidiu-se reforçar os processos formativos em matéria de políticas públicas, de conhecimento das diferentes legislações segundo os diferentes níveis (local, nacional e internacional) e de proteção dos direitos dos indígenas.

Além disso, decidiu-se criar um catálogo de todas as leis nacionais e internacionais que protegem e garantem os direitos dos povos indígenas. Será promovido um encontro entre os povos das fronteiras e está prevista a construção de uma rede internacional que inclua paróquias, dioceses, vicariatos e organizações indígenas.

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