Marcela corre risco de extinção: A planta está ameaçada pelo comércio exploratório, extrativismo e agrotóxicos

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27 Junho 2016

Na quarta-feira, dia 22-06-2016, ocorreu a “Oficina de Plantas Medicinais”. A atividade faz parte da programação da Ecofeira Unisinos, que é realizada às quartas-feiras no corredor central da Universidade em São Leopoldo. Esta é uma das oficinas realizadas semanalmente e tem como objetivo a promoção da “in-formação” sobre as plantas que têm impacto na saúde. A cada semana são apresentados diferentes grupos de plantas, explorando o cultivo, o uso, os benefícios e os impactos na vida. Uma das plantas apresentadas nesta semana foi a MARCELA, que sofre risco de ser extinta no nosso estado.

O chá de marcela é um dos mais populares do RS. Em 2002, a marcela foi considerada, através da Lei nº 11.858/2002, a Planta Medicinal Símbolo do Rio Grande do Sul. Porém, esta erva corre sérios riscos de extinção por conta do extrativismo, do comércio exploratório e do uso de agrotóxicos. “O que se percebe nas áreas rurais é que existe uma retirada, bastante grande, muitas vezes de forma errada, na época de colheita da planta. Em vez de tirar os ramos, toda planta é arrancada para o comércio, sem cuidados”, aponta a bióloga Denise Schnorr.

Foto: Carolina Lima

Plantas Cicatrizantes

O debate sobre essa e outras plantas foi feito durante a “Oficina de Plantas Medicinais”, ministrada pela bióloga e pesquisadora Denise Schnorr, na sala Ignacio Ellacuría e Companheiros – IHU.

A temática da oficina foram as plantas cicatrizantes. Denise apresentou os benefícios e usos da Babosa, do Confrei e da Marcela. Essas plantas incentivam o crescimento celular e são de uso externo. A novidade está em saber que o chá de marcela também pode ser usado para ajudar na cura de ferimentos. “Dentro da cultura do sul do Brasil, o uso da marcela é interno principalmente para problemas digestivos”, afirma Denise. A bióloga chama atenção para o uso externo da planta, que serve como anti-inflamatório e cicatrizante. 

Para ser usada como cicatrizante, a planta de marcela deve ser fervida, de forma a fazer um chá. Com o líquido é indicado que se lavem os ferimentos.

O confrei também é usado da mesma forma, mas deve-se ter cuidado para que os ferimentos, nesse caso, ainda não estejam infectados.

Já o uso da babosa se faz através do gel natural da planta. Não se recomenda o uso interno desta planta, e a bióloga pede o cuidado de a pessoa não se expor ao sol após o uso da babosa.

Consumo consciente

Durante a atividade, a bióloga Denise Schnorr chamou atenção para o uso da marcela. Por ser uma planta espontânea, natural da região sul, a erva tem sofrido com o extrativismo. “Nas áreas rurais mais próximas das cidades vêm diminuindo os campos de marcela, não só pela colheita, mas também pelo avanço urbano”, explica.

Outro ponto que ajuda na extinção da marcela é a forma como se colhe a planta. “O correto é quebrar somente os ramos com flor”, frisa a bióloga. O que também determina a extinção da marcela nos campos gaúchos é o uso de defensivos agrícolas e agrotóxicos.

Todos os anos a marcela é colhida durante a Sexta-Feira Santa. Essa é uma tradição que envolve a planta com a cultura brasileira. Além disso, lendas em volta da erva apontam que travesseiros de marcela ocasionam sonhos coloridos, em analogia ao efeito relaxante da planta. Isso apresenta a importância da erva para a construção da história da região sul.

Em vista dos riscos de extinção que sofre a marcela, a bióloga aponta que a comunidade deve ter duas responsabilidades essenciais: “A primeira é manter uma memória do uso tradicional da planta. E a segunda é retirar da natureza apenas o que é necessário para o seu consumo, pensando na manutenção dessa espécie para as próximas gerações”, ressalta.

Iracema Kauer, agricultora da Região do Vale do Rio dos Sinos, participou da oficina. A agricultora afirma que faz uso da planta no Chimarrão e também como chá. Agora que aprendeu outras formas de usar a marcela, vai investir nesse conhecimento. “Tomara que não precise, mas agora sei que posso usar a marcela também como remédio”, conta.

A partir dos elementos debatidos na Oficina, os participantes assumiram o compromisso de tornar público os riscos de extinção da planta, como também de se colocarem no enfrentamento ao que gera o fim da marcela. “Projetar ações de informação e intervenção sobre esta realidade é urgente e necessário”, enfatiza Marilene Maia, coordenadora do ObservaSinos, que esteve presente na atividade.

Ecofeira

A oficina faz parte da Ecofeira Unisinos, uma iniciativa do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, por meio do Observatório da Realidade e das Políticas Públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos e que conta com diversos parceiros, entre eles o Programa de Ação Socioeducativa na Comunidade – PASEC, o Projeto Tenda Viva – Curso de Comunicação Social Jornalismo Unisinos, a Associação Rio-grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural e Banco de Alimentos São Leopoldo.

Denise aponta o espaço de oficina como uma forma de apresentar os usos das plantas medicinais. “Podemos divulgar na comunidade acadêmica os usos tradicionais das plantas que podem e devem também ser cultivadas dentro do sistema orgânico associado aos alimentos”, provoca.

Na próxima semana acontece a última edição da “Oficina de Plantas Medicinais”.

A Ecofeira Unisinos segue sendo realizada nas quartas-feiras durante o mês de junho. Em agosto as oficinas voltam a acontecer no horário das 13h na Sala Ignacio Ellacuría e companheiros – IHU. Acompanhe a programação aqui.

A “Oficina de Plantas Medicinais” foi transmitida ao vivo por meio do canal do IHU no Youtube e pode ser assistida on-line.

 

Por Carolina Lima e Marilene Maia.

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