“Foi o Papa Francisco quem saiu perdendo”: sobreviventes de abuso sexual falam após voltar de Roma

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08 Março 2016

Os sobreviventes de abusos sexuais de Ballarat que viajaram a Roma para assistir ao Cardeal George Pell prestar depoimento a uma Comissão Real australiana de investigação disseram que foi o Papa Francisco quem saiu perdendo ao não haver um encontro entre eles no Vaticano.

A reportagem foi publicada por The Guardian, 06-03-2016. A tradução de Isaque Gomes Correa.

O grupo de sobreviventes chegou de volta a Melbourne no domingo pela manhã depois que uma campanha colaborativa de arrecadação de fundos lhes permitiu viajar a Roma para presenciar o depoimento de Pell à Comissão Real que investiga casos de pedofilia na Austrália cometidos pelo clero.

Falando no Aeroporto de Melbourne, o grupo pediu que o primeiro-ministro do país se comprometa a criar um programa nacional de reparação às vítimas de abuso. “Muitas pessoas podem achar que este é o fim da nossa caminhada. Mas não é”, disse Andrew Collins, sobrevivente, aos jornalistas.

Segundo Collins, os abusos clericais em Ballarat – incluindo aqueles feito pelo pior padre pedófilo da Austrália, Gerald Ridsdale – e os seus efeitos a longo prazo sobre as vítimas ressaltam a importância do apoio aos sobreviventes.

“Convocamos o governo [do primeiro-ministro Malcolm] Turnbull a pôr em prática o programa de reparação apresentado pela Comissão Real”, disse ele. “Quanto mais demorar, mais pessoas vão morrer”.

David Ridsdale – que fora abusado sexualmente por seu tio e pior padre pedófilo do país, Gerald Ridsdale – disse que o grupo ficou decepcionado por não ter tido a chance de se encontrar com o Papa Francisco. “É o papa quem saiu perdendo”, disse ele depois que o Vaticano declarou não ter recebido pedido algum de encontro por parte do grupo.

Na sequência do depoimento de Pell, o Vaticano disse que a cobertura midiática “sensacionalista” da audiência deixou a impressão de que a Igreja Católica pouco (ou nada) havia feito para resolver a questão dos abusos sexuais clericais, quando este não foi o caso.

A Igreja Católica também elogiou Pell pelo seu depoimento pessoal “digno e coerente” e pela disposição dos sobreviventes em se engajar com o Vaticano. Ridsdale falou que nenhum dos sobreviventes ficou satisfeito com o depoimento de Pell ou com a resposta da Igreja a ele.

“A pessoa precisa estar delirando para achar que aquilo que foi dito é a verdade”, disse. “Um passo muito pequeno foi dado, mas nenhum de nós achou que o depoimento do cardeal foi representativo do homem que nós conhecemos na sala do hotel”.

Os sobreviventes disseram que Pell os escutou em encontros privativos, no entanto, em público, pareceu ser indiferente para com eles. “A pessoa que aí transpareceu era o burocrata. Ele foi corporativo”, acrescentou Ridsdale. “Nenhum de nós ficou satisfeito com o seu depoimento. Nem um pouco”.

Um encontro em Roma entre Pell e os sobreviventes de abuso após a audiência acabou com o mais alto religioso australiano na hierarquia católica prometendo trabalhar junto à comunidade de Ballarat na criação de um centro de apoio às vítimas.

Em setembro, a Comissão Real recomendou o estabelecimento de um programa nacional de reparação financeira, cuja estimativa ficou entre US$ 4,3 bilhões ao longo de dez anos e que foi aprovado pelo governo.

O programa seria financiado pelas instituições nas quais os abusos ocorreram, devendo ser administrado por um conselho independente sob os auspícios do governo federal para garantir a equidade a todos os sobreviventes.

O partido dos trabalhadores australiano prometeu apoiar a ideia.

O governo federal disse que irá trabalhar com os estados e territórios no desenvolvimento de um programa de reparação nacional consistente, com a principal responsabilidade residindo na jurisdição onde o delito ocorreu, e não no país inteiro.

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