Movimento Passe Livre endurece tática na luta contra o reajuste da tarifa

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13 Janeiro 2016

O Movimento Passe Livre, que reivindica o transporte gratuito e esteve na origem das manifestações históricas de 2013, volta às ruas nesta terça-feira em São Paulo para protestar contra a mais recente alta das tarifas de transporte público na cidade, de 3,50 para 3,80 reais. Tudo sinaliza para a leitura de que os militantes do MPL buscam maneiras para ampliar e endurecer suas táticas, incluindo bloqueios temporários de ruas estratégicas, para tentar impedir que a mobilização se esvazie sem alcançar a meta de revogar o aumento, como aconteceu no ano passado.

A reportagem é de Marina Rossi, publicada por El País, 12-01-2016.

Se a primeira manifestação contra o reajuste, na última sexta, seguiu o mesmo roteiro de 2015 - início sem distúrbios, envolvimento de black blocs e repressão policial -, uma nova estratégia surge. Desde a semana passada, o MPL vem incentivando e organizando trancamentos, que consistem em fechar vias e terminais de ônibus, impedindo a passagem dos carros, por determinado tempo. O mesmo recurso foi usado pelos estudantes secundaristas no ano passado, quando perceberam que somente ocupar as escolas não estava tendo efeito esperado contra a reorganização proposta pelo Governo Alckmin (PSDB), que fecharia ao menos 92 colégios. Os secundaristas partiram então para levar cadeiras das salas de aula para bloquear vias importantes da cidade.

O primeiro trancamento ligado à mobilização contra a tarifa ocorreu na sexta-feira passada, pela manhã no Terminal Lapa, na zona oeste. Nesta segunda-feira, a ação foi repetida: o Terminal Bandeira, no centro, e o Pinheiros, na zona oeste, ficaram trancados por um tempo durante a manhã. Nesta terça-feira foi a vez do Terminal Santo Amaro, na zona sul. O trânsito ao redor ficou completamente travado para carros e ônibus, que não podiam entrar e nem sair dos terminais. A polícia não reprimiu e, após um tempo de bloqueio, os manifestantes liberaram as vias.

Apesar de divulgar e incentivar essas ações, o MPL não quer para si a responsabilidade pelos bloqueios. Por isso, tem convidado simpatizantes locais a realizar bloqueios perto da área onde vivem. A discrição ocorre por questões “táticas" e de "segurança”, dizem eles. Outro motivo é conceitual: a palavra "liderança" é repelida pelo MPL, que se diz um movimento horizontal, sem líderes.

Haddad e ano eleitoral

No front político, o prefeito Fernando Haddad se vê mais sozinho em sua decisão pelo aumento do que em 2015. No ano passado, após o primeiro ato do MPL contra o reajuste, o petista convocou membros da Juventude do PT para conversar sobre transporte público e o aumento, na época, de 3 para 3,50 reais. O MPL não foi convidado. A ideia era tentar enfraquecer a mobilização do Passe Livre atraindo integrantes da juventude e grupos ligados ao partido, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes (UEE).

Neste ano, a reportagem apurou que mesmo dentro da Prefeitura, entre os mais próximos ao prefeito, há muitos que encaram a medida, que Haddad diz ser inadiável, como "suicídio eleitoral" para o petista, que deve buscar reeleição em meio a baixos níveis de popularidade. Até a CUT, tradicionalmente alinhada ao PT, publicou uma nota em seu site apoiando as manifestações contra o reajuste, que também ocorreu para trens e metrô, sob comando do Governo Geraldo Alckmin (PSDB). A UBES, UNE e UEE estavam presentes no ato de sexta.

Cartaz que será espalhado pela cidade a partir desta terça com os argumentos do MPL contra a tarifa.

A Juventude do PT, por sua vez, publicou uma nota na última sexta que, embora tente não se comprometer com nenhum dos lados, se mostra mais próxima à pauta do MPL do que da medida de Haddad e Alckmin. “A Juventude do PT sempre se posicionará contra reajustes tarifários, pois entendemos que esta medida pesa significativamente no orçamento do trabalhador e daqueles que mais necessitam do transporte público coletivo”, dizia a nota. A juventude petista chama o Governo Federal para assumir a responsabilidade pelo tema de discutir a tarifa zero, em meio à recessão econômica. Na página do Facebook da JPT Nacional, há diversos posts de apoio à luta contra o reajuste da tarifa em várias cidades do país.

A Prefeitura afirma que o reajuste na tarifa é necessárioporque o subsídio aumentou muito no último ano: 1,9 bilhão de reais. Refere-se aos estudantes beneficiados pelo passe livre, criado no ano passado, e aos idosos, cuja idade para usar o benefício foi ampliada - antes, homens só tinham a gratuidade a partir dos 65 anos. A idade foi reduzida para 60 anos.

Os 'black blocs' contra a tarifa

O ato da última sexta-feira, convocado pelo MPL, terminou em violência e depredação no centro da cidade. Mascarados, adeptos da tática black bloc, que prega a depredação do patrimônio como mensagem de inconformidade política, queimaram lixo pelas ruas, viraram caçambas, quebraram pontos de ônibus e agências bancárias. Viaturas da CET tiveram seus vidros arrebentados, e alguns ônibus foram parados. Depois que os passageiros desceram, os veículos foram depredados e pixados.

Essa é uma tática usada em manifestações ligadas a temas progressistas, socialistas e anarquistas – um dos prováveis motivos pelos quais os black blocs não surgiram nos atos pelo impeachment. As de sexta, porém, foram polêmicas até mesmo entre aqueles que apoiam o recurso. "Estou decepcionado com nossos anarquistas... Atrapalhar o trabalhador para atirar pedras em ônibus eles estão dispostos, agora pra atuar na ação direta e na resistência eles estão afim, saem de fininho”, publicou um rapaz simpatizante dos black blocs no Facebook.

No Twitter, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), após o ato da sexta, publicou: "São inaceitáveis os atos de vandalismo e a destruição de patrimônio público ocorridos hoje na capital. A PM agiu e continuará agindo para garantir a liberdade de manifestação e o direito de ir e vir. Vandalismo é crime. Não será tolerado." Pode ser interpretado do que está por vir nesta terça.

Fé de errata: Em uma primeira versão desta reportagem, publicamos que a página do Facebook do MPL não era atualizada desde dezembro. O MPL, porém, não é o administrador da citada página.

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