"O Evangelho deve ser presenteado e não imposto com a presença católica." Entrevista com Mauro Pesce

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15 Dezembro 2015

"A chegada do novo bispo de Bolonha marca uma virada fundamental em relação aos episcopados anteriores." A convicção é de Mauro Pesce, biblista e historiador do cristianismo, até 2011 professor da Alma Mater.

A reportagem é de Marina Amaduzzi, publicada no jornal Corriere di Bologna, 13-12-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Professor, o que devemos esperar?

Os episcopados de Poma, Biffi e Caffara se caracterizaram pela vontade de contrastar uma parte política e a linha secular da cidade, e, depois, por não darem espaço para as minorias e para as dissidências dentro da Igreja bolonhesa. Depois, eles demonstraram a incapacidade de valorizar todas as forças morais presentes na cidade. Se nos concentrarmos não na defesa do poder da Igreja, mas, positivamente, em relação aos pobres, aos humildes, a quem precisa do anúncio Evangelho, é evidente que não se pode deixar de convergir com todas as forças atentas à necessidade, à imigração, às necessidades espirituais da cidade e da população em todas as suas camadas. É a ótica que muda completamente.

Portanto, vai haver uma convergência mais forte na cidade sobre os temas sociais?

Os episcopados anteriores estavam concentrados no poder da Igreja, na necessidade de ocupação do espaço público da Igreja e na luta contra os inimigos da Igreja e do cristianismo. Ora, parece-me que a atitude mudou radicalmente, com atenção aos problemas, e isso leva a uma convergência. Os episcopados anteriores negligenciaram que a maior parte da esquerda não é inimiga da Igreja. Muitos daqueles que faziam parte de partidos de esquerda eram católicos. O próprio mundo secular não é oposto à Igreja. Assim que se supera a imagem da hostilidade, aumenta a possibilidade de colaborar e, ao próprio cristianismo, de estar muito mais presente, de baixo, não como poder que busca eliminar outras presenças.

Dom Matteo Zuppi se formou na comunidade de Santo Egídio. Isso vai influenciá-lo de alguma forma?

Faz parte da bagagem de Zuppi como experiência pessoal, o que não envolve a transferência de um grupo dentro de uma cidade. A Comunidade de Santo Egídio não é um dos muitos movimentos em nível mundial, como o Comunhão e Libertação ou a Renovação no Espírito, que tendem a se expandir pelo território. Eu não vejo esse perigo, é a natureza da comunidade que é diferente de um movimento como o Comunhão e Libertação, muito apoiado pelos episcopados anteriores como os de Biffi e Caffara.

O que implica a chegada de Dom Zuppi à Cúria bolonhesa?

Eu não tenho um conhecimento direto e aprofundado do organograma atual. Eu acho que as forças do catolicismo presentes na cidade não terão dificuldade para se relacionar com esse bispo. O clero bolonhês sempre teve personalidades independentes, livres. Não vai ser um problema.

Quais serão os sinais de mudança?

O fato de dar voz e permitir a expressão de uma pluralidade de posições. O catolicismo hoje está fortemente dividido em correntes internas, e o erro dos outros foi de privilegiar uma delas. Então, eu espero que não haja mais inimigos e se descubram os valores evangélicos presentes nas tantas manifestações. O Evangelho deve ser presenteado às pessoas, não deve ser imposto mediante as escolas católicas, os hospitais católicos, a presença católica na prefeitura.

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