Na África, uma Igreja que desconfia da abertura

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Por: André | 27 Novembro 2015

As manchetes dos jornais do Quênia chamam-no de “o Papa da esperança” e os quenianos dizem que graças a ele vão à igreja com mais vontade, rezam assiduamente e tratam melhor o seu próximo. Esperam que Francisco pregue sobre a corrupção, a convivência pacífica e a justiça social.

A reportagem é de J. Gettleman e L. Goodsteinx e publicada por La Nación, 26-11-2015. A tradução é de André Langer.

Mas, durante a sua viagem, Francisco também terá que lidar com a poderosa e autoritária Igreja católica da África, que olha com desconfiança seus apelos para construir uma instituição mais inclusiva com os divorciados, os homossexuais e os conviventes não casados. “Sim, somos mais conservadores”, disse o bispo Renatus Leonard Nkwande, da diocese de Bunda, na Tanzânia.

Tanto a África como Francisco, o primeiro papa latino-americano, são símbolos da importância do Hemisfério Sul para o futuro da Igreja católica em seu conjunto.

A Igreja africana vive um momento de auge, tanto pelo número de fiéis como por seu poder e influência, e a Igreja católica do resto do mundo observa e reflete. Os africanos representam atualmente 14% dos 1,2 bilhão de católicos de todos o mundo, mas segundo o especialista em estudos sobre o cristianismo Philip Jenkins, da Universidade Baylor, em 2050 esse número deve estar perto dos 30%.

No continente africano, Francisco enfrenta fortes resistências aos seus pedidos de uma Igreja mais tolerante. No mês passado, quando os bispos se reuniram no Vaticano para o Sínodo sobre a Família, os bispos africanos se destacaram por sua drástica oposição a qualquer aceitação do divórcio e da homossexualidade.

Os prelados africanos estão em pleno acordo com Francisco em vários de seus tópicos preferidos, como a pobreza, o meio ambiente e a injustiça social. Mas os bispos africanos também são vistos como um crescente contrapeso dos bispos da Europa Ocidental e do continente americano, que apóiam o chamado de Francisco para construir uma Igreja mais aberta às famílias não convencionais.

O Pe. Boniface Mwangi, diretor da Cáritas para o Quênia Central, diz ter a esperança de que o Papa evite os temas candentes debatidos pelos católicos do Ocidente, como a comunhão dos divorciados recasados ou a atitude a tomar diante dos fiéis homossexuais. Ao menos 36 países africanos têm leis que condenam a homossexualidade, inclusive os três que o Papa estará visitando.

Apesar das condições sociais, ou talvez justamente por causa delas, a Igreja africana não para de crescer.

Jenkins disse que “estão movendo a Igreja numa direção conservadora em questões morais e numa direção progressista em questões econômicas e de justiça social”.

Para Jenkins, a homossexualidade demonstrou ser “um tema explosivo” para as Igrejas africanas, em parte devido ao fato de que na África “o cristianismo enfrenta uma forte rivalidade por parte do Islã”.

“Os dirigentes da Igreja africana dizem que se o cristianismo se abrisse a determinados temas, como a homossexualidade, teriam a sensação de estar traindo os valores africanos que estão sendo vendidos no Ocidente e que seria o mesmo que deixar o campo livre para o Islã”, acrescenta Jenkins.

Durante o Sínodo do mês passado, o cardeal Robert Sarah, da Guiné, equiparou os direitos dos homossexuais ao terrorismo: disse que ambos eram “bestas do Apocalipse de origem diabólica”.

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