Papa escolhe novos bispos de Palermo e Bolonha. Nomeações surpreendentes

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28 Outubro 2015

Francisco continua a sua revolução indicando outros dois "pastores" à frente de duas das mais importantes dioceses italianas. O primeiro é conhecido pela sua luta contra a máfia e os escritos sobre o Pe. Puglisi. O segundo, atual auxiliar de Roma, é expoente da Comunidade de Santo Egídio: é conhecido por circular por Roma com o seu carro popular e pela sua atenção aos pobres

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 27-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dois párocos à frente das arquidioceses de Palermo e de Bolonha. É a revolução do Papa Francisco, que, contrariando o mais clássico "spoils system eclesial", decidiu confiar a liderança do clero das capitais da Sicília e da Emilia Romagna nas mãos de dois "pastores com cheiro de ovelhas".

Para Palermo, nomeação foi tornada pública nessa terça-feira, 27 de outubro, Bergoglio escolheu o padre Corrado Lorefice, 53 anos, natural de Modica, na província de Ragusa. Atualmente, ele é vigário episcopal da diocese de Noto, liderada por Dom Antonio Staglianò, que se tornou famoso pelas suas pregações em música com canções de Noemi e Marco Mengoni.

Lorefice é apelidado de "o Pe. Ciotti da Sicília" pela sua luta contra a máfia e os seus escritos sobre o Pe. Pino Puglisi. Ele vai suceder o cardeal Paolo Romeo, que lidera a arquidiocese siciliana desde 2006 e que já alcançou há muito tempo a idade canônica da aposentadoria.

Teólogo muio respeitado, Lorefice também é autor de um livro sobre Dossetti e Lercaro: la Chiesa povera e dei poveri [Dossetti e Lercaro: a Igreja pobre e dos pobres], em que analisa as intervenções do cardeal "progressista" de Bolonha nos anos 1960, em que o purpurado pedia fortemente que o mundo eclesial voltasse ao Evangelho das origens, despojando-se do luxo e da mundanidade da corte papal. Temas e lutas que estão hoje no centro do pontificado de Francisco.

Uma nomeação que surpreendeu o próprio Lorefice. "Quando o sobrinho lhe telefonou para lhe dizer que lhe tinham feito arcebispo de Palermo – conta o irmão mais velho, Michelangelo – o tio padre lhe respondeu maravilhado: 'Onde você leu isso?'. O meu irmão não tinha me dito nada, e na família ficamos todos muito surpresos com essa decisão do papa".

Para Bolonha, por sua vez, Bergoglio escolheu Dom Matteo Maria Zuppi, romano, 60 anos, desde 2012 bispo auxiliar de Roma para o setor Centro, mas por muitos anos pároco e expoente da Comunidade de Santo Egídio, fundada pelo ex-ministro italiano Andrea Riccardi.

Ele vai suceder o cardeal Carlo Caffara, que lidera a arquidiocese emiliana desde 2003 e que, como Romeo, alcançou há muito tempo a idade canônica da aposentadoria. Zuppi, que circula por Roma com o seu simples carro popular, é apelidado de "o Bergoglio italiano" pela sua modéstia e pela sua atenção aos pobres e ao últimos.

Duas nomeações inesperadas que vão deixar um gosto amargo na boca de muitos bispos que, nos últimos meses, esperavam ser promovidos para Palermo e Bolonha. Duas sedes tradicionalmente cardinalícias, mas não é óbvio que isso vai acontecer também no futuro com Lorefice e Zuppi, na subversão dos critérios desejado por Francisco, que ainda não quis dar a púrpura ao patriarca de Veneza, Francesco Moraglia, e ao arcebispo de Turim, Cesare Nosiglia.

Ao contrário, Bergoglio, deixando desapontados muitos carreiristas, quis nomear cardeais os bispos de dioceses menores, como Perugia, com Gualtiero Bassetti; Agrigento, com Francesco Montenegro; e Ancona-Osimo, com Edoardo Menichelli. Três homens nos quais o papa confia muito e que ele quis ao seu lado durante o Sínodo dos bispos sobre a família, que abriu as portas da Igreja aos divorciados recasados.

Os critérios com que Bergoglio está renovando o episcopado mundial, criando muitas dores de cabeça, foram claramente indicados por ele mesmo. Falando à Conferência Episcopal Italiana (CEI), Francisco destacou que "os leigos que têm uma formação cristã autêntica não deveriam precisar do bispo-piloto, ou do monsenhor-piloto, ou de um input clerical para assumir as suas responsabilidades em todos os níveis, do político ao social, do econômico ao legislativo! Em vez disso, eles têm toda a necessidade do bispo pastor".

Assim como o papa pediu que a Congregação para os Bispos, "na delicada tarefa de realizar a investigação para as nomeações episcopais", seja "atenta para que os candidatos sejam pastores próximos das pessoas: esse é o primeiro critério. Pastores próximos das pessoas. 'Ele é um grande teólogo, uma grande cabeça': que vá para a universidade, onde fará muito bem! Pastores! Precisamos disso! Que sejam pais e irmãos, que sejam mansos, pacientes e misericordiosos; que amem a pobreza interior como liberdade para o Senhor e também a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida, que não tenham uma psicologia de 'príncipes'. Estejam atentos para que não sejam ambiciosos, que não busquem o episcopado. E que sejam os esposos de uma Igreja, sem estarem em constante busca de outra".

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