Papa institui um “Dia de Oração pela Criação” com os ortodoxos

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Por: André | 11 Agosto 2015

O Papa Francisco instituiu o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”, todos os dias 1º de setembro, que se celebrará com os ortodoxos. A primeira proposta conjunta foi feita pelo metropolita de Pérgamo, Zizioulas, representante do Patriarca Ecumênico ortodoxo Bartolomeu, que interveio no Vaticano em junho durante a apresentação da encíclica ecológica de Francisco, a Laudato si’.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada por Vatican Insider, 10-08-2015. A tradução é de André Langer.

“Compartilhando com o amado irmão Bartolomeu, Patriarca Ecumênico, a preocupação com o futuro da criação e, acolhendo a sugestão de seu representante, o Metropolita Ioannis de Pérgamo, que interveio na apresentação da encíclica Laudato si’, sobre o cuidado da casa comum”, escreveu o Pontífice em uma carta dirigida ao presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, e ao presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, Kurt Koch, “desejo comunicar-lhes que decidi instituir também na Igreja católica o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que, a partir do ano em curso, será celebrado no dia 1º de setembro, assim como acontece há algum tempo na Igreja ortodoxa”.

“Como cristãos – continua a carta –, queremos oferecer a nossa contribuição para a superação da crise ecológica que a humanidade está vivendo. Para isso devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação, lembrando sempre que para os que creem em Jesus Cristo, Verbo de Deus feito homem por nós, ‘a espiritualidade não está desconectada do próprio corpo, nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas que vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia’ (Laudato si’ n. 216)”.

A crise ecológica, escreveu o Papa Francisco, “nos chama, portanto, a uma profunda conversão espiritual: os cristãos estão chamados a uma ‘conversão ecológica, que comporta deixar brotar, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do seu encontro com Jesus Cristo’ (LS n. 217). De fato, ‘viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas é parte essencial de uma existência virtuosa’ (LS n. 217).”

O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que se celebrará anualmente, oferecerá a cada fiel e às comunidades uma valiosa oportunidade para renovar a adesão pessoal à própria vocação de guardiões da criação, elevando a Deus uma ação de graças pela maravilhosa obra que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando sua ajuda para a proteção da criação e sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos”.

A celebração do Dia e na mesma data que a Igreja ortodoxa, sublinhou o Bispo de Roma, “será uma ocasião profícua para testemunhar a nossa crescente comunhão com os irmãos ortodoxos. Vivemos em um tempo em que todos os cristãos enfrentam idênticos e importantes desafios, e aos quais devemos dar respostas comuns, se quisermos ser mais confiáveis e eficazes. Por isso, espero que este Dia possa contar com a participação de outras Igrejas e Comunidades Eclesiais e ser celebrado em sintonia com as iniciativas que o Conselho Ecumênico das Igrejas promove sobre este tema.”

“Peço a você, cardeal Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, para que leve ao conhecimento das Comissões de Justiça e Paz das Conferências Episcopais, bem como dos organismos nacionais e internacionais que trabalham no âmbito ecológico, a instituição do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, para que, de acordo com as exigências e as situações locais, a celebração seja organizada devidamente com a participação de todo o Povo de Deus: padres, religiosos, religiosas e fiéis leigos. Para este propósito, e em colaboração com as Conferências Episcopais, esse Dicastério se esforçará para realizar iniciativas adequadas de promoção e animação, para que esta celebração anual seja um momento intenso de oração, reflexão, conversão e uma oportunidade para assumir estilos de vida coerentes.”

“Peço a você, cardeal Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que se ponha em contato com o Patriarcado Ecumênico e com as demais realidades ecumênicas, para que este Dia Mundial seja sinal de um caminho que todos os que creem em Cristo percorrem juntos. Além disso, esse Dicastério se ocupará da coordenação com iniciativas similares organizadas pelo Conselho Ecumênico das Igrejas.”

“Esperando a mais ampla colaboração para o bom início e desenvolvimento do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, invoco a intercessão da Mãe de Deus, a Maria Santíssima, e de São Francisco de Assis, cujo Cântico das Criaturas inspira tantos homens e mulheres de boa vontade a viver louvando o Criador e respeitando a criação.”

O metropolita de Pérgamo, Zizioulas, refinado teólogo muito apreciado também por Bento XVI, havia recordado, na coletiva de imprensa para a apresentação da encíclica Laudato si’, em 18 de junho passado no Vaticano, que no dia 1º de setembro, o Patriarca Ecumênico, desde 1989, celebra um dia de oração pelo meio ambiente: “Não poderia tornar-se um dia de oração para todos os cristãos? Seria um passo para uma maior aproximação entre nós”, afirmou naquela ocasião, e destacou que a defesa do meio ambiente pode converter-se em um dos pontos fundamentais do “ecumenismo existencial”, ou seja, “no esforço de enfrentar juntos os mais profundos problemas existenciais que preocupam a humanidade em seu conjunto, e não apenas lugares ou populações particulares”.

A Laudato si’ é, neste sentido, uma importante “dimensão ecumênica, porque une os cristãos diante de uma tarefa comum, que devem enfrentar juntos”, e é também um “convite à unidade: unidade na oração pelo ambiente, no mesmo Evangelho da Criação e na conversão dos corações e dos estilos de vida para respeitar e amar tudo o que nos foi dado por Deus”.

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