Desenvolver uma maior comunhão: o diálogo luterano-católico em vista dos 500 anos da Reforma

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23 Julho 2015

A Comissão Internacional de Diálogo Luterano-Católico-Romana se reuniu em Budapeste, na Hungria, entre os dias 15 e 21 de julho. A comissão é composta por membros da Federação Luterana Mundial e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O tema da reunião, em que 20 teólogos estão participando, são as bases comuns e as diferenças na compreensão do batismo.

A reportagem é de Cornelia Kästner, publicada no sítio Lutheran World Information, 20-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O sítio Lutheran World Information conversou com Eva-Maria Faber, professora católica de dogmática e teologia fundamental da Universidade Teológica de Chur (Suíça), sobre o estado do diálogo e da comemoração conjunta da Reforma em 2017.

Eis a entrevista.

Na sua opinião, quais são os passos mais importantes nos 50 anos de diálogo luterano-católico?

O passo mais importante provavelmente é o primeiro, sem o qual nada teria se seguido: a prontidão para encontrar um ao outro e descobrir a nossa fé comum. Havia confiança de que as Igrejas muito em breve encontrariam o seu caminho para uma maior comunhão – essas esperanças parcialmente se cumpriram, mas não em todos os aspectos. Outro passo notável, em 1983, foi o documento Martinho Lutero: testemunha de Jesus Cristo, que marcava o 500º aniversário do nascimento de Martinho Lutero. Mais recentemente, eu considero a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação como um dos passos mais importantes, porque essa foi a primeira vez que um documento de diálogo ecumênico foi oficialmente recebido. Isso significa que as respectivas lideranças eclesiais declararam que o documento era uma expressão autêntica da nossa fé comum, de modo que ele agora pertence aos documentos doutrinais de ambas as Igrejas. Isso significou um novo começo na nossa tradição doutrinal comum.

Como a publicação do documento Do conflito à comunhão contribui com esse diálogo?

No que diz respeito ao aniversário da Reforma em 2017, a parte católica, às vezes, perguntou se tinha alguma coisa para se comemorar. Podemos participar desse aniversário, afinal? O texto Do conflito à comunhão documenta uma visão comum dos próprios acontecimentos que levaram a uma dolorosa ruptura da Igreja. Isso permitiu uma percepção mais justa do passado – por um lado, na apreciação mútua e, por outro, na conscientização mútua dos erros da Igreja Católica e também dos lados obscuros das revoltas da Reforma. Acima de tudo, no entanto, olhar para o 500º aniversário da Reforma simultaneamente nos tornou mais conscientes do caminho ecumênico que começou, enquanto isso. Quando relembramos a Reforma e a resistência católica a ela, devemos olhar hoje para a crescente comunhão ecumênica.

O documento Do conflito à comunhão já foi traduzido para sete línguas. Por que você acha que ele é tão popular nas respectivas Igrejas?

Enquanto outros documentos ecumênicos seguem uma agenda teológica, esse é um documento que se refere a uma ocasião vindoura. Isso naturalmente chama a atenção, sobretudo quando se trata de uma ocasião que tem tanto peso quanto o aniversário da Reforma. Os imperativos práticos no fim do documento certamente foram propícios para a recepção positiva do documento.

Como o diálogo católico-luterano global assume os desafios que as Igrejas enfrentam em nível congregacional?

Muitas vezes, essa é uma questão subjacente, assim como a questão de como lidar com as diferenças inconfundíveis entre a prática ecumênica nas comunidades locais e as regras ecumênicas oficiais. No entanto, uma comissão de diálogo teológico tem a sua própria dinâmica, em que ela busca questões teológicas. Os órgãos de liderança eclesial encomendaram a ela que fizesse isso. É claro, devemos ter em mente que essa atividade, às vezes, está longe dos acontecimentos diários da Igreja. No entanto, esperamos que os diálogos também possam afetar praticamente a vida congregacional.

Em que direção o diálogo luterano-católico vai se desenvolver no futuro?

Devemos nos tornar mais conscientes de como a contínua divisão da Igreja representa um defeito fundamental e desanimador para cada uma das nossas Igrejas. Perceber isso deveria mudar as nossas listas de prioridades. Os passos para uma unidade mais tangível, por exemplo, no sentido de uma comunhão eucarística mais visível, podem ser deficientes, já que não esclarecemos todas as questões teológicas nem resolvemos as diferenças. Mas permanecer na divisão também é deficitário e pode ter sérias consequências.

O que significa para você a comemoração conjunta da Reforma em 2017?

Eu espero que a comunhão reconciliada entre Igrejas diferentes possa crescer, graças ao aniversário. Eu estimo a mesma esperança para 2019, quando, em Zurique, celebraremos o 500º aniversário da Reforma na Suíça.

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