Novos ministérios. Artigo de Antônio José de Almeida

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05 Maio 2015

Nas décadas posteriores ao Concílio Vaticano II, a América Latina e algumas partes da África viram um grande crescimento de novos ministérios, serviços pastorais e litúrgicos que eram assumidos por pessoas diversas, que se manifestam na dimensão profética, cultual ou pastoral da missão da Igreja: animadores de grupos bíblicos e comunidades, responsáveis pelas pastorais sociais, catequistas e grupos litúrgicos. Experiências que têm em comum a eclesiologia conciliar do povo de Deus

A opinião é do padre e teólogo Antônio José de Almeida, professor da PUCPR. O artigo foi publicado na revista mensal Mondo e Missione, de abril de 2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Nos 20 anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, na América Latina e em algumas partes da África, houve um extraordinário crescimento de novos ministérios. De fato, foram descobertos muitos serviços pastorais, litúrgicos, de animação do mundo, que não eram assumidos pelos padres, mas por pessoas diversas, com carismas e pertencimentos específicos às próprias comunidades. Tal processo foi apreciado e relançado pelo Sínodo sobre a evangelização de 1974 e pela exortação apostólica Evangelii nuntiandi, de Paulo VI, no ano seguinte.

Refiro-me a uma gama muito ampla de serviços que têm uma identidade própria, uma relação significativa com a missão da Igreja, que são importantes para a vida da comunidade e para a sua projeção no mundo, que são assumidos como responsabilidade própria e de modo estável por leigos e leigas, e que são reconhecidos pela Igreja. Eles podem se manifestar na dimensão profética, cultual ou pastoral da missão da Igreja: dos animadores de grupos bíblicos e comunidades aos responsáveis pelas pastorais sociais, passando pelos catequistas e pelos grupos litúrgicos, em diferentes níveis eclesiais (comunidades, paróquias, regiões pastorais, dioceses e além).

Propostas pastorais em lugares diferentes

Parecem-me ser experiências particularmente interessantes no Brasil as Comunidades Eclesiais de Base. São mais de 100.000. Nascidas antes do Vaticano II, foram reforçadas pela eclesiologia conciliar, sendo assumidas por algumas dioceses como prioridade pastoral.

No ano passado, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil publicou o documento Paróquia, comunidade de comunidades para relançá-las. Nessas comunidades, são importantes os grupos de famílias (ou não), vizinhos ou não, de acordo com o contexto social. São grupos de ação e de reflexão, em que se conecta a leitura da Bíblia com a vida cotidiana.

Também são importantes os Delegados da Palavra, hoje quase 40.000, lançados em 1966 em Choluteca, em Honduras, por Dom Marcel Gérin y Boulay e, depois, promovidos por Dom Raúl Corriveau. Trata-se de leigos, especialmente agricultores, especificamente formados, que se encarregaram de reunir as pessoas lá onde o padre não chega, para refletir juntos sobre a Bíblia na partilha das situações cotidianas.

E depois, naturalmente, a dos diáconos permanentes indígenas em San Cristóbal de las Casas, no México, que desempenham o seu ministério em casal com a esposa.

Essas experiências têm em comum a eclesiologia conciliar do povo de Deus: povo chamado por Deus, povo livre e responsável, povo ao serviço do plano de Deus na história, povo de irmãos ao mesmo tempo iguais e diferentes, povo em que o que é comum (a condição de cristãos e cristãs) garante a todos igualdade de dignidade e de missão, povo que afunda raízes em culturas diferentes e dialoga com elas, povo enriquecido por dons, carismas e serviços diferentes ao serviço da missão. E satisfazem diferentes exigências das comunidades (compartilhar a Palavra, acompanhar grupos específicos, a catequese, a celebração eucarística...), contribuindo para que se desenvolvam diversos carismas já existentes nas comunidades.

As "equipes de ministros ordenados" de Dom Lobinger

Dom Fritz Lobinger, bispo emérito de Aliwal, recupera, em termos de estrutura pastoral de base, a essência daquillo que acontecia na Igreja cristã dos primeiros séculos e pode ser adaptado às realidades de hoje: comunidades à medida do homem, animadas por ministros próprios (homens e mulheres); uma formação cristã e ministerial permanente, com o acompanhamento de presbíteros encarregados para tal fim pela diocese; a celebração da Eucaristia como plenitude da realização da Igreja em missão em um lugar.

Serviriam em muitíssimas comunidades – no Brasil, são mais de 70.000 as comunidades sem a possibilidade de celebrar regularmente a Eucaristia –, ministros eleitos pela comunidade e presbíteros ordenados para nelas presidir a Eucaristia.

Na lógica da Igreja antiga, estudada pelo eclesiólogo francês Pe. Hervé Legrand, quem preside a comunidade preside também a sua Eucaristia. A comunidade o elegia, os bispos o ordenavam, ele se tornava presidente-pastor daquela comunidade e, portanto, da sua Eucaristia. A celebração da Eucaristia é fonte e ápice da sua vida cristã e eclesial. Não pode ser celebrada, como ocorre em tantas comunidades, apenas uma vez por ano ou a cada dois ou três anos.

Dom Lobinger propõe que os novos ministros pertençam à própria comunidade, eleitos diretamente por ela, não um por comunidade, mas em um pequeno grupo (dois ou três), célibes ou casados, e que conservem a família, o trabalho etc. Como a comunidade é pequena, eles participarão dela intensamente, mas o seu serviço como ministros ordenados seria em tempo parcial. Assim, se obteria uma maior participação, que faria surgir dons e carismas mais específicos (capacidade de trabalhar com as crianças, os idosos, os casais, os imigrantes...) e uma sobrecarga menor sobre uma pessoa.

O modelo não é a grande paróquia, territorial, anônima, sacral, centralizada no pároco do qual tudo depende, mas a comunidade "à medida do homem", composta por pessoas que se conhecem, uma comunidade acolhedora, aberta, participativa, missionária.

Dom Lobinger não fala de viri probati, mas de communitates probatae que precisam se tornar communitates plenae, ou seja, capazes de celebrar a Eucaristia sob a presidência dos seus próprios ministros. O seu ponto de partida não é a escassez de padres nem a abolição do celibato, mas a comunidade eclesial, o seu caminho, a sua legítima autonomia, a multiplicidade de ministérios para a vida e a missão da Igreja, a centralidade da Eucaristia para a vida cristã e a construção de autênticas comunidades cristãs a serviço do Reino.

Dom Lobinger fala de dois tipos de presbíteros: diocesanos e "de comunidade". Os primeiros seriam aqueles que conhecemos hoje: formados no seminário, com muitos anos de estudos de filosofia e teologia, célibes etc. No novo modelo, passariam a desempenhar uma nova função "quase episcopal" – como dizia Dom Valfredo Tepe, um franciscano alemão que trabalhou toda a vida no Brasil, tornando-se bispo de Ilhéus – de motivação, animação, suporte, formação continuada, consultoria e coordenação entre as comunidades e entre estas e os seus ministros.

Os "de comunidade" receberiam uma formação continuada mais adaptada ao ambiente em que desempenham a sua ação pastoral e poderiam ser muito mais numerosos e mais próximos da cultura local.

O fato de a maioria dos diáconos se dedicarem somente à liturgia deve ser mudado. Há também a diaconia da palavra e a da caridade. Seria equivocado ordenar indiscriminadamente padres os diáconos, mas isso poderia se feito com alguns que têm uma história de compromisso comunitário, uma vivência familiar positiva, um bom testemunho do Evangelho na vida civil. Nesse sentido, eu olharia, por exemplo, para os diáconos indígenas casados de San Cristóbal de Las Casas.

E a proposta de Dom Lobinger caberia como uma luva na experiência dos Delegados da Palavra centro-americanos.

O papel das mulheres

A comunidade não vive sem as mulheres. Elas são responsáveis pela maioria dos serviços da comunidade. A catequese, por exemplo, está quase inteiramente nas suas mãos. Muitas trabalham nas equipes de liturgia, embora não podem ser oficialmente "instituídas" como leitoras e acólitas.

A esse respeito, seria preciso rever o cânone 230 do Código de Direito Canônico, que, de fato, não é respeitado, porque as mulheres geralmente atuam como leitoras e acólitas nas celebrações. Na Cúria Romana, muitas funções desempenhadas pelo clero poderiam ser confiadas a leigos e leigas. O mesmo vale para as Cúrias diocesanas.

O Papa Francisco disse que a porta para a ordenação presbiteral das mulheres está fechada. Mas assim não estaria a porta para discutir, por exemplo, o diaconato feminino. Paulo VI a deixou aberta na declaração Inter insigniores de 1976.

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