Um soco ou a outra face? Um papa que agrada aos padres das ruas (e um pouco menos aos teólogos)

Revista ihu on-line

Do ethos ao business em tempos de “Future-se”

Edição: 539

Leia mais

Do ethos ao business em tempos de “Future-se”

Edição: 539

Leia mais

Grande Sertão: Veredas. Travessias

Edição: 538

Leia mais

Grande Sertão: Veredas. Travessias

Edição: 538

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Mais Lidos

  • Deveríamos chamar os padres de ''padres''?

    LER MAIS
  • “Este Sínodo, em sua profecia, é fiel aos gritos dos pobres e da irmã Mãe Terra”. Entrevista com Mauricio López

    LER MAIS
  • 'Dizer-se cristão não é o mesmo que ser cristão, é preciso coerência', afirma o Papa Francisco

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

21 Janeiro 2015

O padre Vinicio Albanesi é um padre que se suja as mãos, daqueles que agradam ao Papa Francisco. "A sua piada sobre o soco? Não me escandaliza, ao contrário, realmente me agradou", observa o padre Vinicio. A frase do pontífice, proferida diante dos jornalistas no avião rumo a Manila, não poderia escapar sem reações.

"Se o Dr. Gasbarriafirmou Bergoglio, olhando para o organizador das suas viagens – diz um palavrão contra a minha mãe, espera-lhe um soco (imita o gesto com a mão fechada). Mas é normal. Não se pode provocar. Não se pode insultar a fé dos outros."

A reportagem é de Riccardo Bruno, publicada no jornal Corriere della Sera, 17-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre Vinicio Albanesi, presidente da Comunidade de Capodarco, dá o seu exemplo: "Se um jovem usuário de drogas continua roubando e me enganando, eu não reajo lhe dizendo: 'Eu te perdoo'. Assim, eu não o ajudo. Certamente não o odeio, mas tenho o dever de me defender, e ele também. O mal deve ser combatido, caso contrário, somos tolos bonachões".

O Papa Francisco deve estar feliz, mas nem todos pensavam como o padre Vinicio nos últimos dias. Alguns ironizaram o pontífice "manual", outros lembraram que o Evangelho nos convida a "dar a outra face".

Para Piero Stefani, biblista e professor na Faculdade Teológica da Itália Setentrional de Milão, foi "uma expressão infeliz", mas "não se pode isolar do contexto uma frase que escapou das mangas". Para Stefani, que pesquisa sobretudo a relação entre as religiões e o pensamento laico, mais aspectos devem ser levados em consideração para uma avaliação correta.

"Enquanto isso, há os problemas que nascem de uma comunicação papal coloquial, que muitas vezes não é assumida por aquilo que é. Depois, o uso de uma linguagem popular, que o leva a exemplos como o da mãe. E, por fim, o verdadeiro núcleo da questão: há valores inegociáveis, limites à liberdade de expressão. Quando a ironia ou o sarcasmo são extremos, então se tornam secularizantes. O risco é de despedaçar os pontos de força da religião, uma dissolução que não se pode aceitar."

Dario Antiseri, filósofo católico de pensamento às vezes incômodo, também parte do pressuposto de que "a liberdade de imprensa é fundamental, mas nenhuma liberdade é ilimitada". O papa queria dizer isso. "A piada sobre o soco é justamente uma brincadeira apenas. A mansidão e a misericórdia estão fora de questão. Ele certamente não queria endossar a violência, que, em uma sociedade democrática, é monopólio do Estado".

Acrescenta Antiseri: "A sátira também é informação, e a informação pode ser falsa. Além disso, tudo pode ser criticado, mas os ideais, como o pensamento religioso, não devem ser ridicularizados ou ofendidos gratuitamente".

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, que estava ao lado de Bergoglio quando ele falou aquelas frases, esclareceu que o papa "simplesmente quis lembrar que existem duas liberdades que devem ser mantidas juntas: a de expressão e a religiosa, que implica o respeito pela religião alheia. Ele usou um exemplo que todos podemos entender, quando são tocados os nossos sentimentos mais profundos".

"Enquanto ele falava, ele tinha o sorriso nos lábios", observa o padre Virginio Colmegna, da Casa della Carità de Milão. "Não era uma teorização, não é preciso fazer instrumentalizações". O Pe. Virginio, que acolhe e ajuda migrantes e famílias em dificuldade, depois dos acontecimentos de Paris, está organizando na sua estrutura, "onde a maioria é muçulmana, momentos de reflexão, de recuperação dos valores culturais, em busca do diálogo e dos sentimentos mais profundos. É exatamente a isso que o papa se referia. Foi só uma doce provocação".

Pode ser isso, mas o frei Pio Rocca, diretor do Instituto Escolar Villa Flaminia, em Roma, estaria em apuros diante das perguntas dos seus alunos: "Há anos eu ensino o oposto, que é preciso dar a outra face. Com toda a sinceridade, eu teria poupado aquela frase".

Apesar disso, ele convida a não se focar só nela, por ser uma "piada". "O pontífice, mesmo nos últimos discursos no Sri Lanka e nas Filipinas, enfatizou fortemente que não se replica ao insulto com o insulto, não se opõe à violência outra violência. A meu ver, esse exemplo da mãe e do soco escapou, mas faz parte do seu modo de se propor, como sacerdote que vem do mundo latino-americano, de uma Igreja nova, que abala aquela velha da Cúria Romana, que recupera o Evangelho na sua essência, voltando às origens. E esse seu modo de ser, só podemos admirar".

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Um soco ou a outra face? Um papa que agrada aos padres das ruas (e um pouco menos aos teólogos) - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV