40 anos de diaconato permanente entre os Povos Indígenas do Chiapas

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Por: André | 20 Janeiro 2015

O diácono indígena é um homem maduro, muito respeitado por sua integridade, pois é conhecido pela comunidade desde a sua infância. É estimado por sua qualidade humana e moral, assim como pelo sentido do seu serviço eclesial. Em 02 de dezembro passado, celebrou-se a ordenação de 09 diáconos indígenas permanentes, todos eles tzeltales da Missão de Bachajón, atendida pelos padres jesuítas. Desta forma, foi reiniciado um caminho no qual nós pedimos ao Espírito Santo nos guiar, para que, em comunhão com o Papa, com a Igreja universal, com nossos irmãos das Igrejas que peregrinam na América Latina, no México e na Província de Chiapas, tenhamos diáconos que sejam discípulos missionários de Cristo, empenhados na nova evangelização e inculturação do Evangelho entre os povos indígenas de nossa diocese.

 
Fonte: http://bit.ly/1sKBuEC  

A reportagem está publicada no sítio do Apostolado Social da Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina, CPAL, 05-01-2015. A tradução é de André Langer.

O Espírito Santo, mediante a Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, restabeleceu o diaconato permanente no dia 21 de novembro de 1964: “... poderá ser restaurado como um grau próprio e permanente da hierarquia... Este diaconato pode ser conferido a homens de idade mais madura, mesmo casados, ou a moços idôneos, para os quais, porém deve continuar firme a lei do celibato” (LG 29).

A Conferência dos Bispos do México, mediante um decreto, aprovou em 1973 o restabelecimento deste ministério para as dioceses mexicanas. Na diocese de San Cristóbal de las Casas, graças à visão pastoral de dom Samuel Ruiz García, colocou-se em prática este caminho aberto pelo Espírito, para encarnar a Igreja nas culturas indígenas deste lugar, para inculturar a evangelização nos povos originários, tseltales, tsotsiles, ch’oles, tojolabales e zoques.

Foi uma experiência muito rica, que ajudou a dar a esta Igreja particular um rosto que procura refletir o que foi pedido pelo próprio Concílio: “Deste modo da semente que é a palavra de Deus, por todo o mundo surgem as Igrejas particulares autóctones, devidamente organizadas, enriquecidas também de forças próprias e de maturidade. E dotadas de suficiente hierarquia própria unida ao povo fiel, e de meios aptos para uma vivência plenamente cristã, as novas Igrejas colaborem para o bem de toda a Igreja” (AG 6).

Em 1974, em várias comunidades indígenas, começou-se a escolher homens casados que desempenharam durante anos o serviço como catequistas entre suas comunidades, para iniciar seu ministério como candidatos ao diaconato (foram chamados coloquialmente de “pré-diáconos”).

Deu-se lhes a faculdade de administrar o sacramento do batismo, assistir os matrimônios em nome da Igreja, abençoar as sepulturas, distribuir a comunhão, entre outras funções litúrgicas. Propôs-se um período de formação e de “prova” de cinco anos, ao final do qual as comunidades fariam uma avaliação e apresentariam formalmente aqueles considerados idôneos para serem ordenados diáconos.

Seguia-se, deste modo, o caminho traçado pelo decreto conciliar Ad Gentes, que se expressou nestes termos: “Os que desempenharem uma função verdadeiramente diaconal – ou como catequistas pregando a palavra divina, ou em nome do bispo e pároco dirigindo longínquas comunidades cristãs, ou praticando a caridade nas obras de assistência social – será útil corroborá-los e ligá-los mais intimamente ao altar pela imposição das mãos, tradição que nos vem desde os Apóstolos. Destarte desempenharão mais eficazmente o seu ministério, mediante a graça sacramental do diaconato” (AG 16).

Em março de 1981 aconteceram as primeiras ordenações diaconais nesta diocese. O ministério do diaconato foi adornado com a roupagem cultural destes povos. As culturas indígenas deram a este ministério uma fisionomia própria surgida de seus “sistemas de cargos”: os diáconos indígenas são acompanhados em seu ministério por “principais” nomeados pela comunidade que os aconselham e animam; seu serviço é gratuito e, assim como os demais “cargos comunitários”, vivem de seu trabalho no campo; sua formação vai se dando nos próprios serviços que a comunidade lhes pede, além da formação especial que recebem para exercer o seu ministério; escolhe-se homens casados que mostraram que sabem guiar com sabedoria a sua família; são propostos pela comunidade a partir do conhecimento que têm de sua disposição de serviço; são aceitos e confirmados pelos agentes de pastoral e o bispo.

Os primeiros 25 anos de caminho percorrido ficaram refletidos na redação do Diretório para o Diaconato Indígena Permanente na Diocese de San Cristóbal de las Casas. Em 06 de janeiro de 1999, dom Samuel Ruiz García e seu coadjutor da época, dom Raúl Vera López, O.P., promulgaram este Diretório.

No povo evangelizado e, em geral, entre as comunidades, há um grande apreço e respeito pelo ministério diaconal. O diácono indígena é um homem maduro, respeitado pela sua integridade, é conhecido pela comunidade desde a sua infância. É estimado por sua qualidade humana e moral, assim como pelo sentido do seu serviço eclesial.

Ao longo destes anos as comunidades indígenas fizeram deste ministério algo muito significativo para fortalecer e fazer ainda mais seu o processo de evangelização inculturada. A aceitação e o crescimento que este ministério teve só pode ser um sinal dos tempos, uma manifestação do impulso do Espírito a esta Igreja particular para consolidar a inculturação do Evangelho no Povo de Deus.

Em meados de 2000, ao receber dom Felipe Arizmendi Esquivel a sede episcopal de San Cristóbal de las Casas, o número de diáconos indígenas permanentes atingiu a marca de 341. O contraste entre o grande número de diáconos e o reduzido número de sacerdotes (66 nessa época) semeou dúvidas entre alguns membros da hierarquia.

Em 2002, decidiu-se pedir ao bispo diocesano para que suspendesse as ordenações de novos diáconos permanentes. Foi esta uma dura prova de fé e obediência tanto para o bispo, como para muitos agentes de pastoral e povo fiel, que sentiam a viva necessidade de maior número de diáconos e sacerdotes para atender as necessidades pastorais em suas comunidades.

 
Fonte: http://bit.ly/1sKBuEC  

Iniciou assim um longo processo de diálogo com bispos mexicanos e com a Santa Sé sobre a natureza deste ministério entre as comunidades indígenas, que, sem dúvida, foi frutuoso para ambas as partes. Em 2005, as comunidades se dirigiram nestes termos ao Papa Bento XVI para solicitar-lhe que continuasse a ordenação de diáconos permanentes:

“O trabalho do diácono é muito importante, porque dá vida à comunidade: sabe como convocá-la, sabe como visitá-la e como aproximar-se de cada uma das pessoas. Mesmo que tenha lama, chuva, de noite, subidas e descidas, caminha e nos visita. Conhece nossa língua e nossa cultura, e fala na nossa própria língua. Sabe como nos falar ao coração. Mesmo que haja sacerdotes com muito boa disposição de servir, não podem nos visitar e acompanhar com a mesma frequência. Ao longo destes 30 anos, vimos que o trabalho do diácono não é o mesmo de um catequista ou de um ministro, pois sentimos que ao ter recebido o Espírito Santo pela imposição das mãos, o diácono anima o coração das comunidades. Sentimos através de seu trabalho o acompanhamento do Espírito. Nossas comunidades receberam através de todos aqueles que aceitaram a vocação ao diaconato o dom do Espírito Santo.”

Um fruto importante desse diálogo com a Santa Sé foi a revisão do Diretório de 1999, ao qual foram incorporadas sugestões e emendas. Foi apresentado à Congregação para o Clero sob o nome de Diretório Diocesano para o Diaconato Permanente entre os Povos Indígenas. Em maio de 2013, esta Congregação aprovou “ad experimentum por um período de cinco anos” o novo diretório.

Finalmente, na recente visita Ad Limina dos bispos mexicanos à Santa Sé, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos abriu novamente a porta para a ordenação de novos diáconos permanentes na diocese (24 de maio de 2014).

Em 02 de dezembro de 2014, celebrou-se a ordenação de 09 diáconos indígenas permanentes, todos eles tzeltales da Missão de Bachajón, atendida pelos padres jesuítas. Desta forma, foi reiniciado um caminho no qual nós pedimos ao Espírito Santo nos guiar, para que, em comunhão com o Papa, com a Igreja universal, com nossos irmãos das Igrejas que peregrinam na América Latina, no México e na Província de Chiapas, tenhamos diáconos que sejam discípulos missionários de Cristo, empenhados na nova evangelização e inculturação do Evangelho entre os povos indígenas de nossa diocese.

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