Obama: “A imigração tornou grandes os EUA”. E cita a Bíblia: “Fomos estrangeiros também nós”

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24 Novembro 2014

“A nossa tradição de acolhida dos imigrantes nos trouxe enormes vantagens, fez de nós uma nação dinâmica, jovem, empreendedora”. Começa assim o discurso de Barack Obama que passará à história como pedra milhar de sua presidência, mudará a vida de cinco milhões de imigrantes, e abre subitamente um conflito político duríssimo com a direita, destinado a condicionar a eleição presidencial de 2016.

A reportagem é de Federico Rampini, publicada pelo jornal La Repubblica, 21-11-2014.

Obama enfrenta “aquilo que não funciona no nosso sistema atual: milhões de imigrantes sem documentos legais de residência são frustrados, são constrangidos a viver na sombra, também se querem desesperadamente respeitar as leis deste país”. Acusa os republicanos de ter bloqueado na Câmara uma reforma que já havia passado no Senado, e teria introduzido “correntes de regularização através do pagamento de multas”.

Visto que o Congresso não foi capaz de intervir num problema tão importante, o presidente elenca as três ações que desencadeia usando os próprios poderes executivos. Primeiro: reforçar os controles nas fronteiras, que já nos últimos anos, sob esta administração, reduziram significativamente os afluxos ilegais. Segundo: tornar mais fácil e mais veloz a concessão de apostos vistos “para imigrantes de alta qualificação”. Terceiro: resolver o problema dos imigrantes irregulares que já estão aqui: “expulsar e repatriar os criminosos, os membros de gangs”. Não seria “nem realista, nem justo”, ao invés, “deportar aqueles milhões de estrangeiros que trabalham duro há anos, e muitos dos quais têm filhos nascidos aqui”.

É esta última categoria, muito vasta, o objeto da ação presidencial mais importante e de graves consequências: “Se estais aqui há mais de cinco anos – diz o presidente – e em particular se tendes filhos nascidos na América, podeis sair a descoberto, inscrever-vos em listas disponíveis, pagar os tributos legais, e permanecer aqui temporariamente”.

A novidade atinge aproximadamente cinco milhões de pessoas, potencialmente. São imigrantes em posições irregulares, mas há muito tempo. São “reorganizações familiares”, até aqui muito difíceis com a normativa atual: os filhos nascidos na América têm, de fato, automaticamente a cidadania, mas esta não se estende aos genitores. Obterão permissões de estadia temporária, válida por três anos, provavelmente renováveis no término. O presidente especifica: não vos damos a Green Card (permissão de residência permanente), nem a cidadania, “porque seria injusto para aqueles que fizeram fila para pôr-se em regra, se improvisamente outra categoria de imigrantes pode passar-lhes na frente”.

O discurso de Obama conclui com um apelo aos valores fundantes do povo americano: “O nosso país necessita de um objetivo comum, de um fim elevado. Os imigrantes são um enriquecimento de nossa sociedade. Isto é um debate sobre nossa identidade, sobre quem somos nós. Não podemos ser um país onde os filhos vivem na angústia de que as mães possam ser deportadas. Este debate deve concentrar-se sobre as nossas esperanças, e não sobre os nossos medos”. Termina com uma citação da Bíblia: “Uma vez éramos estrangeiros também nós”.

O alcance desta ação presidencial é evidentemente enorme, visto que está em jogo o status legal de cinco milhões de pessoas. É também uma bomba-relógio que Obama lança no campo adversário. Entre as primeiras reações da direita está a intervenção de Newt Gingrich (ex-candidato à presidência pelos republicanos, ex-presidente da Câmara). Falando à CNN, Gingrich disse: “Para muitos de nós este presidente está fora de controle, age fora da Constituição.

Faz-lhe eco Steve King, republicano de Iowa: “O presidente anuncia medidas que não cabem nos seus poderes. Abre-se uma crise constitucional. É posto em discussão o estado de direito, o respeito da lei”. Para King “o presidente diz que serão expulsos somente os criminosos, mas esquece que todos aqueles que atravessaram a fronteira ilegalmente cometeram um reato e portanto são criminosos”.

King é muito preciso em elencar a ‘escalation’ de contra-ofensiva que os republicanos estão preparando: “Um voto de censura do presidente do Congresso, e seria a primeira vez há um século. Segundo: retirar-lhes os fundos, bloquear os financiamentos às agências federais. Por último, se pode chegar ao impeachment”. A palavra impeachment é manejada com cautela, os republicanos recordam que outras vezes se retorceu contra eles. Para eles, toda a batalha sobre a imigração é um terreno minado. A base militante do partido republicano, aquela do Tea Party, aquela que participa mais ativamente das primárias, é anti-imigrantes e não desdenharia um procedimento de impeachment.

Mas, todos sabem que na eleição presidencial de 2016 votará um eleitorado bem diverso daquele que presenteou um triunfo aos republicanos nas eleições legislativas de ‘midterm’ [meio termo] há três semanas. Na eleição presidencial a afluência é muito alta. Vão votar em percentuais mais altos os jovens e as minorias étnicas: espanhóis, asiáticos. Estas são as faixas de cidadãos mais favoráveis às medidas pro - imigrantes. A virada histórica anunciada ontem, uma saneadora temporária que tira do medo cinco milhões de pessoas, é também um imenso benefício para todos aqueles parentes seus e amigos que já têm a cidadania, e em 2016 irão votar.

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