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Por: André | 28 Agosto 2014

Eram fundamentalmente somalianos, eritreus, nigerianos e ganeses os ocupantes do barco que afundou a poucos quilômetros de Trípoli. No Mediterrâneo teriam desaparecido cerca de 2.000 pessoas desde o começo deste ano.

 
Fonte: http://bit.ly/VO0TgZ  

A reportagem é de Elena Llorente e publicada no jornal argentino Página/12, 25-08-2014. A tradução é de André Langer.

Enquanto no Iraque, Líbia e Palestina somam-se os mortos e as ações de guerra, na África as pessoas continuam procurando fugir das perseguições, da pobreza e dessa angústia de não saber se amanhã se sobreviverá. A Europa, custe o que custar, continua sendo o objetivo privilegiado. E os que fogem da África e do Oriente Médio, usando os meios mais rudimentares, como velhos barcos e pagando somas inimagináveis aos traficantes de seres humanos, morrem uma vez mais no Mar Mediterrâneo, como aconteceu no último fim de semana perto da costa da Líbia e também perto da ilha italiana de Lampedusa. Somente no domingo, dia 24, foi possível calcular que o número dos mortos do barco líbio pode chegar ao menos a 250, embora nem todos os corpos tenham sido encontrados. Segundo contou um oficial dos guardas costeiros líbios, seus homens fizeram mergulhos e puderam comprovar que o barco afundado era muito maior do que se supunha.

As autoridades líbias, dada a grande confusão que reina no país mergulhado numa guerra civil travada pelos islamistas, não deram sinal de vida. Tampouco a Cruz Vermelha que, aparentemente, teria sido chamada pelos guardas costeiros. Eram fundamentalmente somalianos, eritreus, nigerianos e ganeses os ocupantes do barco que afundou a poucos quilômetros da capital, Trípoli. Salvaram-se apenas 16 pessoas.

Às vítimas do barco que partiu da Líbia se somam ao menos outras 18 a bordo de um bote inflável que esteve a ponto de naufragar perto de Lampedusa. Pelo que tudo indica, teriam morrido por inalar carburantes, já que a lancha transportava vários tambores com gasolina. Dessa barca foram salvas com vida 73 pessoas. Mas outras oito estariam desaparecidas. A tragédia não teve maiores repercussões para a marinha militar italiana que, no marco da chamada Operação Mare Nostrum, que desde outubro passado trata de evitar naufrágios e salvar os imigrantes no mar, detectou a barca e pôde lançar balsas salva-vidas quando percebeu que a barcaça estava começando a afundar.

“Cada vez que socorremos um barco em dificuldades nos defrontamos com a mesma cena e cada vez ficamos impressionados. Vemos gente que foge da fome e da guerra enfrentando enormes riscos para os quais não estão preparados, vestidos com roupas não adequadas, com pouca água e alimentos”, contou à imprensa o almirante Marco Bilardi, que à frente do navio Sirio salvou os 73 migrantes de Lampedusa. Às vezes, disse, além disso, são os próprios marinheiros que, num primeiro momento, dão roupas às pessoas e brinquedos às crianças para aliviar o seu sofrimento.

De acordo com a Agência Habeshia, uma organização não governamental que se ocupa de assistir os migrantes, no Mediterrâneo teriam desaparecido cerca de 2.000 pessoas desde o começo deste ano. Segundo Mussie Zerai, sacerdote eritreu que preside a Agência Habeshia, para fazer os cálculos sobre as pessoas desaparecidas no mar baseiam-se nas denúncias de familiares ou companheiros de viagem que pedem informações sobre pessoas que não mais deram sinais de vida depois de terem passado por algum centro de recepção de imigrantes na Líbia ou na Tunísia. A marinha militar italiana, por sua vez, falou de quase 3.000 imigrantes salvos nas últimas 48 horas no Mediterrâneo italiano.

Mas, mesmo que as tragédias no mar não se detenham e o tema fosse repetidamente abordado pelo governo italiano com os representantes da União Europeia, não há decisões europeias importantes, por enquanto, nesse sentido. Um assunto por demais complicado para toda a Europa e particularmente para os países do Mediterrâneo, mas do qual alguns países não diretamente implicados querem se esquivar, porque significa custos e abertura à entrada de estrangeiros não europeus. “A Europa deve tomar a questão em suas mãos definitivamente”, repetiu uma vez mais o ministro do Interior italiano, Angelino Alfano, insistindo em que a fuga das guerras e da perseguição não é uma questão exclusivamente italiana.

A Comissão Europeia, pela boca de sua comissária para os Assuntos Internos, Cecília Malmstrom, anunciou que na próxima semana se reunirá com Alfano “para definir melhor as prioridades e a assistência à Itália e aos países do Mediterrâneo” que devem enfrentar uma importante pressão migratória e de pedidos de asilo. Porque aos mais pobres e perseguidos africanos devem-se somar os imigrantes dos países do Oriente Médio em guerra, como a Síria e o Iraque, principalmente.

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