Maioria dos curitibanos reprova a realização da Copa na cidade

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22 Abril 2014

Curitiba recebe hoje, pela quarta vez, o francês Jérôme Valcke mais desconfiada do que nunca do evento que tem o secretário-geral da Fifa como principal gestor. Levantamento feito pela Paraná Pesquisas, a pedido da Gazeta do Povo, indica que 38,7% dos curitibanos apoiam a realização da Copa do Mundo de 2014 na cidade. É o pior índice das quatro sondagens realizadas pelo instituto, ao longo dos três últimos anos.

A reportagem é de Leonardo Mendes Júnior, publicada pelo jornal Gazeta do Povo, 22-04-2014.

Jérôme Valcke terá uma agenda rápida em Curitiba, toda concentrada na Arena. O estádio que a Fifa, em fevereiro, decidiu manter no Mundial, mas que possivelmente não verá totalmente pronto para a Copa dia 15 de maio, como pedido pelo secretário-geral. A indefinição é reflexo da quebra do fluxo financeiro da obra, entre o fim de março e o início de abril. Somente hoje, com o depósito de R$ 7 milhões da terceira e o integral da quarta parcela, o cronograma de repasses ficará em dia. O descompasso provocou greve de operários por falta de pagamento e uma redução no ritmo geral dos trabalhos.

“O efeito de uma redução do ritmo de uma obra não se corrige imediatamente”, diz o engenheiro responsável pelo estádio, Luiz Volpato, antes de transpor essa correção para o calendário. “Não é possível garantir que entregaremos nossa parte até 30 de abril, talvez precisaremos avançar maio. E a parte das estruturas temporárias provavelmente vai entrar no período exclusivo da Fifa”, complementa.

O período exclusivo começa em 22 de maio. Será o dia em que a Fifa assumirá a gestão do estádio para os últimos ajustes, especialmente de tecnologia e transmissão de televisão e a realização efetiva dos jogos. Cenário que a entidade já enfrentará no Itaquerão, palco da abertura da Copa.

O andamento do cronograma será um dos pontos centrais da reunião de Valcke com o ministro Aldo Rebelo, o prefeito Gustavo Fruet, o governador Beto Richa, o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, e os secretários de Copa Reginaldo Cordeiro (municipal) e Mario Celso Cunha (estadual). Também será definida neste encontro a realização de novos eventos-teste.

Dentro do Atlético, há uma corrente satisfeita com o teste já realizado. Na mão oposta, Petraglia anunciou a realização de até mais dois jogos pré-Mundial. A decisão caberá a Valcke. Após o voto de confiança recebido em fevereiro, Curitiba recebe o secretário-geral da Fifa disposta a cumprir os passos que ele determinar.

Em junho de 2011, a aprovação era de 66,5%. Adesão que permaneceu estável até julho do ano seguinte, quando o índice era de 65,2%. Em julho de 2013, o número sofreu a primeira grande queda, chegando a 55,1%. Entre o levantamento anterior e o atual, o salto no orçamento da Arena da Baixada (de R$ 265,4 milhões para R$ 330 milhões), a redução no pacote de mobilidade urbana e o atraso em todas as obras fizeram com que, pela primeira vez, a reprovação (57,5%) supere a aprovação (38,7%) à realização do Mundial na capital.

“O principal motivo é a desinformação. Tudo está muito centrado no estádio, quando o legado da Copa para o estado é muito maior. Além disso, as pessoas veem o valor exorbitante dos estádios de Brasília, no Rio de Janeiro, em outras cidades e projetam isso para o de Curitiba. Quando, na verdade, temos o estádio mais barato de todos, financiado por empréstimos, não com investimento de dinheiro público”, avalia o coordenador-geral de Copa no Paraná, Mario Celso Cunha, sem levar em consideração que parte dos empréstimos será paga com potencial construtivo, reconhecido como recurso público pelo Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR).

Principal fiscalizador da aplicação de recursos públicos, o TC-PR também recebeu uma nota baixa dos 504 curitibanos ouvidos pela Paraná Pesquisas, entre 12 e 15 de abril. Para 82,3%, a aplicação de recursos na Copa não está tendo a devida fiscalização pelo poder público. Em maio de 2009, quando Curitiba foi escolhida cidade-sede, esse índice era de 42%.

A reprovação ao fluxo de dinheiro público diz respeito ao estádio – apenas 11,1% é favorável à aplicação de recurso estatal na Arena. Mas também extrapolou os limites da Baixada e do município. Para 72,6%, a Copa trará mais prejuízos do que benefícios ao país. Quando a questão é sobre benefício ou prejuízo pessoal, o pessimismo diminui, mas não muito: 66,3%.

Copo vazio

Uma análise que permite duas interpretações: de que a Copa no Brasil realmente tem fornecido matéria-prima ruim para informação ou de que a imprensa tem enxergado o copo sempre vazio. Os organizadores do Mundial no país claramente escolheram a segunda opção.

“Beira a falta de informação fechar os olhos ao outro lado da moeda, que leva em conta o impacto econômico, as obras aceleradas ou antecipadas, os modernos estádios no país do futebol e a capacitação de milhares de brasileiros”, escreveu o chefe executivo de operações do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Trade, em artigo na Folha de S. Paulo, quinta-feira passada.

“Cometemos um erro ao não investir em um processo de comunicação. Deixamos de informar o cidadão sobre o que significa a Copa em sua inteireza. Isso permitiu que, no geral, a grande imprensa e os setores que fazem oposição clara ao governo tentassem transformar a Copa em uma tragédia, com prejuízo ao povo brasileiro”, havia dito, dois dias antes, o secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho.

Comunicação

O governo federal promete intensificar a comunicação para mostrar ao brasileiro o lado bom da Copa. É uma das esperanças de Curitiba para melhorar a percepção do torneio na cidade. Isso porque, localmente, os R$ 10 milhões antes destinados ao marketing da competição tiveram de ser remanejados para manter a tarifa do transporte coletivo em R$ 2,70.

A outra aposta é a entrega das obras de mobilidade durante o mês de maio. “O apoio aumenta naturalmente com a proximidade do evento. Quando as seleções começarem a chegar e a confusão no trânsito der lugar às obras concluídas, vai mudar esse sentimento”, confia o secretário municipal de Copa, Reginaldo Cordeiro.

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