A Igreja quer ser modelo da “melhor prática” na luta contra o abuso, diz o Vaticano

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17 Janeiro 2014

Diante de um exame sem precedentes dos seus registros sobre abuso sexual de crianças por um painel da Organização das Nações Unidas, um alto funcionário do Vaticano afirmou hoje que a Igreja Católica quer ser um “exemplo da melhor prática” na prevenção deste tipo de abuso.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por National Catholic Reporter, 16-01-2014.

Representante do Vaticano na ONU em Genebra, o arcebispo italiano Silvano Tomasi falou na manhã desta quinta-feira (16-01-2014) ao comitê da Convenção dos Direitos da Criança, um tratado da ONU de 1989 ratificado pelo Vaticano em 1990.

Embora o painel da ONU não tenha poder para obrigar o Vaticano a fazer coisa alguma, espera-se que seus especialistas deem recomendações após um dia inteiro de audiência. Com efeito, hoje marca a primeira vez que autoridades vaticanas aparecem diante de um organismo independente para defender o tratamento da Igreja nos escândalos de abusos surgidos ao longo das últimas décadas.

A seriedade com a qual o Vaticano está levando o processo reflete-se no fato de que foi enviado a participar neste momento não apenas Dom Tomasi, mas também o bispo maltês Dom Charles Scicluna, que trabalhou durante 10 como principal advogado de acusação nos casos de abusos sexuais do Vaticano e que é amplamente considerado como um líder reformador.

A preocupação com o resultado da audiência também se refletiu no fato de que o Vaticano divulgou um documento contendo “perguntas e respostas” com Dom Tomasi e um longo comunicado feito pelo Pe. Federico Lombardi, o porta-voz do Vaticano.

Em seu discurso preparado para o painel da ONU, Dom Tomasi pintou um retrato de uma Igreja comprometida com a mudança.

“A Santa Sé delineou políticas e procedimentos projetados para ajudar eliminar casos de abuso e para colaborar com as autoridades estatais na luta contra este crime”, disse ele.

“A Santa Sé também se compromete em ouvir cuidadosamente as vítimas de abuso e abordar o impacto que tais situações têm nos sobreviventes dos abusos e em suas famílias”, afirmou Dom Tomasi.

Dom Tomasi argumentou que o Vaticano adotou fortes medidas antiabuso nos departamentos pessoais sob sua supervisão direta, citando o fato de que um ex-embaixador papal na República Dominicana acusado de abuso, o arcebispo polonês Jozef Wesolowski, está enfrentando um procedimento criminal diante de um tribunal eclesiástico.

Além disso, disse Dom Tomasi, o Vaticano igualmente tem encorajado bispos e Igrejas locais ao redor do mundo a adotar medidas similares, fazendo notar – entre outras coisas – a Carta para a Proteção das Crianças e Jovens dos bispos dos EUA.

Dom Tomasi afirmou que tais medidas irão “ajudar a eliminar a ocorrência de abuso sexual de menores por parte do clero e de funcionários da Igreja”.

O religioso disse também que o Papa Francisco está comprometido em realizar reformas, apontando para a recente criação de uma nova comissão papal para combater o abuso.

Em seu comunicado, o Pe. Lombardi insistiu que Francisco tem um amor especial pelas crianças e que a “Santa Sé é uma promotora (...) de uma imensa corrente, em todo o mundo, de amor e serviço para o bem-estar das crianças”.

Lombardi disse que o Vaticano comprometeu-se em “estar completamente disponível para colaborar” com o painel da ONU, mas também disse que algumas perguntas feitas previamente pelo organismo “parecem supor que os bispos ou superiores religiosos agem como representantes ou delegados do papa”, uma suposição que “carece de fundamento”, afirmou Lombardi.

Desde o início da crise relacionados com os casos de abusos, críticos e advogados das vítimas vêm tentando, eventualmente, traçar alguma responsabilidade por parte do Vaticano. Porém, autoridades insistem que os bispos e outros líderes na Igreja não são “empregados” do papa e que, portanto, Roma não é responsável pela forma como estes lidam com casos de abuso.

A julgar por alguns comentários, tal argumento não irá funcionar bem ao menos com algumas das vítimas.
“Muitos de nós que fomos abusados por um padre assistente procuramos o padre responsável para que tomasse providências, após isso o bispo, após isso o Vaticano”, disse Barbara Blaine da Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres.

“Ninguém resolveu o problema. Que autoridade no mundo poderá responsabilizar o Vaticano?”, perguntou.

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