A forte luz dos informantes que afugentam as sombras dos EUA

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31 Agosto 2013

Agredir informantes tornou-se uma paixão para o governo Obama. Funcionários da CIA, do FBI e da NSA que vieram a público com informações de abusos das agências foram demitidos, perseguidos e retaliados.

A opinião é de Colman McCarthy, diretor do Center for Teaching Peace, de Washington, e ministrante de cursos sobre não violência em quatro universidades e duas escolas de Ensino Médio dos Estados Unidos. O artigo foi publicado no sítio National Catholic Reporter, 29-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

[Nota do editor: Colman McCarthy escreveu esta coluna para a edição dos dias 30 de agosto a 12 de setembro, que foi impressa antes que Chelsea Manning, anteriormente conhecido como Bradley Manning, anunciasse a sua decisão de viver como mulher. Por isso, a coluna não reflete a decisão de Manning.]

Poderia acontecer um dia, mas, por enquanto, envergonhar e constranger o governo dos Estados Unidos não é um crime federal. Os envergonhadores e constrangedores atuais são Bradley Manning e Edward Snowden. Ambos divulgaram ao público documentos que os funcionários do governo da Agência de Segurança Nacional [NSA, na sigla em inglês], da CIA, do Pentágono e da Casa Branca de Obama tentaram manter em segredo e classificaram sob as rubricas para todos os fins de segurança nacional e de prevenção de ataques terroristas.

Manning é o soldado de 25 anos das Forças Armadas que tornou público, através da inestimável organização Wikileaks, um tesouro de documentos militares e diplomáticos que expuseram um triste registro de fraude e violência. O público deve a Manning uma dívida por ter revelado um fascinante filme feito pelas Forças Armadas, mas escondido pelas Forças Armadas, da tripulação de um helicóptero Apache matando civis desarmados em uma rua de Bagdá. "Collateral Murder" está disponível no YouTube [versão em português disponível aqui].

Snowden, 30 anos, que trabalhava como fornecedor para a Agência de Segurança Nacional, vazou informações de que a privacidade dos norte-americanos está sob o cerco do programa de vigilância da NSA, que tem coletado dados nos telefonemas das pessoas a partir como os números discados, a duração do conversas e as datas.

A desobediência civil de Manning e de Snowden mostram-nos como homens de consciência e de coragem. Eles viram erros e tentaram corrigi-los.

Eles viram o poder do governo enlouquecer e tentaram domá-lo. Eles viram sombras e luzes brilhantes. Snowden decidiu contar a verdade e correu para a Rússia por enquanto. No caso de Manning, ele foi submetido a três anos de prisão, incluindo o duro confinamento solitário. No fim de julho, ele foi considerado culpado pela maioria das acusações contra ele, mas não pela mais grave: ajudar o inimigo. No dia 21 de agosto, Manning foi condenado a 35 anos de prisão.

Na opinião de muitas pessoas, incluindo a minha, o ajudante verdadeiramente sinistro deve ser buscado na política externa intervencionista norte-americana de habitualmente invadir países como o Afeganistão. A violência equivale a recrutar presentes para a Al-Qaeda e o Talibã. Quanto mais pessoas são mortas, seja por fogo terrestre ou por mísseis de drones, mais fácil é para o inimigo aumentar suas fileiras para enfrentar os EUA, o Grande Satã.

Inimigos estão sendo feitos mais rapidamente do que podem ser mortos. As políticas dos governos Bush e Obama (as semelhanças crescem e crescem) têm sido combustíveis que mantêm as fogueiras do ódio antiamericano ardendo.

Envergonhados e constrangidos pelos dois dedos-duros, previsivelmente, os promotores caçadores de escalpos demonizaram o par como traidores, desajustados culpados de alta traição e (aqui está o gancho) anarquistas. A mancha traz à mente a calúnia de Richard Nixon em 1971 contra Daniel Ellsberg e seus aliados, quando eles deram ao The New York Times documentos confidenciais sobre a guerra do Vietnã, os Papéis do Pentágono. "Inferno", irritou-se Nixon por telefone a um assessor: "Eu não iria processar o Times. A minha opinião é processar os malditos idiotas que deram os documentos a eles".

A questão básica nos casos Manning e Snowden é responsabilização.

É moral que os funcionários públicos decidam por si mesmos, livres de coações, como, quando e onde usar o imenso poder militar, diplomático e de vigilância do país – independentemente de quem irá morrer, ficará empobrecido ou terá negado os seus direitos civis e humanos? Estampar "confidencial" em vastas quantidades de documentos garante um grosso muro de sigilo por trás do qual vale tudo.

Agredir informantes tornou-se uma paixão para o governo Obama, de acordo com as recentes histórias no jornal The Nation e no The Washington Post. Funcionários da CIA, do FBI e da NSA que vieram a público com informações de abusos das agências foram demitidos, perseguidos e retaliados.

Dentre eles estava Jesselyn Radack, expulsa do Departamento de Justiça por ter exposto prevaricação, mas nunca julgada. Advogada, ela atualmente trabalha para o Government Accountability Project, uma organização de defesa sem fins lucrativos de Washington. Parte do seu trabalho é aconselhar informantes que entram em "falência, na lista negra e ficam quebrados", disse ela ao jornal The Washington Post. "Uma vez que você é rotulado assim [como autor de uma denúncia], você simplesmente se torna radioativo".

Em junho, Mairead Maguire, a prêmio Nobel da Paz irlandês, nomeou Manning para o mesmo prêmio. "Os EUA", disse ela, "o país mais militarizado da terra, deveriam se posicionar por algo melhor do que guerras... Ao dar atenção à mensagem do soldado raso Bradley Manning sobre a importância da transparência, o governo dos EUA pode, mais uma vez, reconstruir a sua imagem perante os olhos do mundo e espalhar a democracia não mediante invasões estrangeiras, mas sim dando um forte exemplo".

Se Barack Obama pôde ganhar um Prêmio Nobel da Paz por fazer discursos eloquentes e Al Gore por produzir um filme ambiental, Bradley Manning é tudo, menos um forte candidato.

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