"Francisco não é um nome, é um projeto de Igreja", afirma Leonardo Boff

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Por: Cesar Sanson | 22 Julho 2013

Os discursos que o papa Francisco vai fazer durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) devem tratar de temas como dignidade, justiça social, solidariedade, direitos humanos, combate à pobreza e à corrupção, ecologia e consumismo. A avaliação é do teólogo e professor Leonardo Boff, para quem os tópicos representam a linha que o papa pretende seguir para transformar a Igreja Católica.

A reportagem é de Cristina Indio e publicada pela Agência Brasil, 21-07-2013.

"Creio que ele vai prolongar o discurso que já era característico dele como cardeal em Buenos Aires, dizendo que a pobreza não se combate com a filantropia, se combate com justiça social. E ele disse mais, disse que nenhuma solução é eficaz para os pobres se ela não incluir os próprios pobres", disse em entrevista Leonardo Boff à Agência Brasil.

Para o teólogo, nessa que será a primeira viagem internacional do papa Francisco, o pontífice deve abordar nos pronunciamentos atitudes concretas para a reformulação da Igreja, como apuração das denúncias de irregularidades no Banco do Vaticano e tolerância zero aos pedófilos. "É um crime que deve ter como punição pelo menos de oito a doze anos de prisão. O papa já depôs a diretoria do Banco do Vaticano e já está preso o tesoureiro que transportou, da Suíça para a Itália, em um aviãozinho, 20 milhões de euros. Então é um homem que não é só o franciscano, da ternura e fraterno com todo mundo, mas é também o jesuíta, que pode ter a mão forte”.

Leonardo Boff assinala que Francisco não deve propor mudanças de forma autoritária. “Ele sabe que pode ter muita resistência na Cúria, por isso convocou oito cardeais vindos do mundo inteiro para juntos, de forma colegiada – e não monárquica e solitariamente – dirigir a Igreja e encabeçar a reforma. Ele se armou de uma estratégia poderosa para que se sinta apoiado. Seguramente ele vai limpar a Cúria Romana dos malfeitos que havia lá dentro de crimes de desvio de dinheiro", explicou.

Na avaliação do professor, o papa vai usar o exemplo pessoal ao pregar apoio aos pobres, tema que, na opinião de Boff, será mais um ponto forte nos discursos da Jornada. "Creio que vamos ter uma Igreja mais simples, mais na linha da espiritualidade franciscana, longe dos palácios. Ele não mora no Palácio do Vaticano, mora na casa dos hóspedes, come com todo mundo, renunciou a todos os títulos de poder”.

O professor acredita que a origem latino-americana do papa Francisco também é um sinal de mudanças que devem ocorrer na Igreja. “É o primeiro papa do terceiro mundo e seguramente vai inaugurar uma dinastia de papas que virão da África da Ásia e da América latina, onde vivem 60% dos católicos. Acho que começa uma nova história da Igreja, com um novo estilo de papado: não mais imperial, monárquico, mas sim pastoral. Ele está mostrando isso. O tempo é curto para ver as consequências, mas todo mundo está se realinhando à forma mais comedida e simples que ele está inaugurando", disse.

Sobre as recentes manifestações populares no país, Leonardo Boff destacou que o papa deve manifestar o desejo de que as autoridades brasileiras ouçam as demandas dos jovens, que pedem melhor qualidade de vida para o povo. "A causa deles é justa e está conforme o Evangelho. (…) Creio que o papa vai fazer um apelo também às autoridades para que escute os cidadãos e não governe de costas para o povo. Acho que ele é um homem corajoso, que fala a verdade. Não usa metáforas e nem discursos vaporizados, que vão escondendo as contradições. Ele fala sobre as contradições e sobre a nossa responsabilidade em resolvê-las", analisou.

O teólogo não acredita que a vinda do papa possa despertar protestos ou manifestações. "Os jovens já entenderam que ele [o papa] está do lado deles e não contra eles. O povo brasileiro é acolhedor e hospitaleiro, não fará manifestações contra o papa. Haverá manifestações ao estilo do que houve até agora, sem auxílio de partido e sem movimentos identificados. É o povo que está na rua reclamando outro tipo de governo, outro tipo de democracia, outro tipo de relação para com a população, que não seja esta autoritária, mediada por políticos corruptos. Essas manifestações poderão continuar e o papa seguramente vai entender e apoiar isso. Seguramente vão abrir ala e aplaudir o papa. (…) Não temo que haja distúrbios, pelo contrário: será muito emblemática a presença dele. Ele é Francisco. Francisco não é um nome. É um projeto de Igreja: diferente, unida, popular, pobre e amante da natureza, chamando todos os seres, como chamava São Francisco, de irmãos e irmãs. Irmãos e irmãs a gente trata bem, cuida e não entra em conflito com eles", concluiu.

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