''Eu tenho um filho, me demito'', o último escândalo dos Legionários de Cristo

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21 Maio 2013

Um ano atrás, ele havia feito uma admissão pública e clamorosa: "Eu tive uma relação com uma mulher e sou o pai do seu filho. Estou profundamente arrependido por essa transgressão e tentei repará-la. Os meus superiores e eu decidimos que o melhor para mim seria tomar um ano sem ministério público ativo para refletir sobre o mal que eu cometi e sobre os meus compromissos como padre. Estou realmente arrependido a todos aqueles que estão feridos por causa dessa revelação e peço as suas orações enquanto eu busco orientação sobre como corrigir os meus erros". E hoje, um ano depois, o padre Thomas Williams fez mais. Escreveu diretamente ao Papa Francisco, pedindo-lhe para ser dispensado das obrigações da ordenação sacerdotal. Em suma, a reflexão amadureceu nele a decisão de não retomar mais ao seu ministério. E pediu ao papa para subscrever essa escolha.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 20-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essa não é nada mais do que o último capítulo, o epílogo, de um escândalo que, mais uma vez, atingiu um membro dos Legionários de Cristo, também nesse caso um padre da velha guarda ligada ao padre Marcial Maciel Degollado, fundador dos próprios Legionários, que abusou sexualmente de menores e teve filhos com diversas mulheres.

Na Legião, o padre Williams não é qualquer um: tem 51 anos, é norte-americano de Michigan, de 2001 a 2007 foi decano da faculdade de teologia do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, é um frequente comentarista para as redes de televisão NBC e CBS, um rosto familiar também para o grande público.

Certamente, a carta enviada a Francisco também diz outras coisas. Vendo bem, de fato, é um dos frutos da operação de limpeza posta em campo pelo cardeal Velasio De Paolis, a pedido de Bento XVI, desde 2010 "comissário" junto aos próprios Legionários de Cristo. Ratzinger, na Cúria romana de Karol Wojtyla, foi um dos poucos cardeais a para favorecer a ascensão romana do padre Maciel, que, em 2004, festejou na Basílica de São Paulo Fora dos Muros os 60 anos de sacerdócio.

Toda a Cúria romana, incluindo bispos e cardeais, foi para essa celebração. O único que ficou em casa foi justamente o então prefeito da Doutrina da Fé. Ratzinger pediu a De Paolis que trabalhasse duro para reconstruir desde os fundamentos um instituto religioso vexado pelas culpas do seu fundador.

Nesse sentido, a carta de Williams a Francisco, embora escrita autonomamente pelo sacerdote norte-americano, continua sendo um fruto da tentativa de De Paolis de dar aos Legionários uma nova vida, de levá-los para fora de uma conduta feita de omissões e encobrimentos.

Os líderes dos Legionários tinham conhecimento das falhas de Williams há muito tempo, ao menos desde 2005. Quem admitiu isso em uma carta foi o ex-diretor-geral, Alvaro Corcuera, que, provavelmente não por acaso, em outubro passado, foi posto em repouso por De Paolis.

Em seu lugar, explicou De Paolis, "exerce as funções de diretor-geral o vigário geral, padre Sylvester Heereman". Juntamente com o padre Heereman, De Paolis promoveu à cúpula da Legião outro sacerdote, padre Deomar de Guedes Vaz, 51 anos, brasileiro. Tanto Guedes Vaz quanto Heerman foram alguns dos mais determinados a se distanciar do fundador quando vieram à tona as suas falhas. Essa decisão os levou a colaborar com De Paolis no difícil caminho da transparência.

No fim de 2013, deverá ser convocado um capítulo geral em que deverão ser eleitos os novos superiores dos Legionários e também aprovadas as novas constituições. Assim, espera o Vaticano, se poderá dizer que a "operação De Paolis", para todos os efeitos, estará concluída.

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