Mélenchon, terceiro colocado em pesquisas eleitorais na França diz se inspirar em líderes sul-americanos

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Por: Cesar Sanson | 20 Abril 2012

Jean-Luc Mélenchon, candidato da extrema esquerda às eleições presidenciais na França, no próximo domingo, e terceiro colocado em algumas pesquisas de opinião, diz se inspirar em líderes sul-americanos como Luiz Inácio Lula da Silva, Cristina Kirchner, Rafael Correa e Hugo Chávez.

A reportagem é de Daniela Fernandes e publicada pelo sítio BBC Brasil, 19-04-2012.

Mélenchon, candidato da Frente de Esquerda – coalizão de oito partidos, sendo os principais o Partido de Esquerda, fundado por ele, e o Comunista – registra entre 13% e 15% das intenções de votos, segundo pesquisas de diferentes institutos.

Ele afirma que a "revolução cidadã", tema de sua campanha, foi inspirada por Rafael Correa, presidente do Equador. "É o voluntarismo do Chávez, do Lula, de Correa, de Cristina Kirchner que me serve como fonte de inspiração e também me reconforta. Essas personalidades tiveram um voluntarismo para romper com as tradições e foram criticadas por isso", diz. Mélenchon afirma ser amigo de longa data do ex-presidente Lula. "Eu o conheci na época em que ninguém o recebia em Paris", diz.

'Elemento chave'

O candidato, atualmente deputado europeu, já foi ministro da educação do ex-premiê socialista Lionel Jospin entre 2000 e 2002. Ele deixou o partido socialista em 2008 para criar o Partido de Esquerda.

Segundo Raquel Garrido, porta-voz do candidato para as questões internacionais, o Partido dos Trabalhadores brasileiro representou um "elemento chave" para Mélenchon. "Lula criou um instrumento político que não estava apoiado em antigos partidos. Com o Lula, surgiu um novo tipo de esquerda, independente da social-democracia. Isso nos fez refletir", disse Garrido à BBC Brasil.

Lula também é uma fonte de inspiração em outras áreas, diz a porta-voz. "Ao pagar a dívida externa brasileira, Lula mostrou que o Brasil quis obter independência em relação ao Fundo Monetário Internacional", afirma.

"Lula defendeu também a autonomia do Brasil em relação aos Estados Unidos e criou uma política de alianças entre países do hemisfério sul", diz Garrido.

Aliança

O candidato defende uma aliança entre a França e grandes países emergentes, como o Brasil e a China, para lutar contra "a hegemonia econômica em crise dos Estados Unidos e criar um mundo pacífico e multipolar". Há, no entanto, uma ação do governo brasileiro com a a qual o candidato francês não concorda: o superávit nas contas públicas.

"Achamos que isso é perigoso para o crescimento econômico. No caso da Europa, o superávit nas contas significa planos de rigor e a necessidade de agradar aos mercados", afirma Garrido. Melénchon promete "liberar a França da tutela dos mercados financeiros" e tem um programa de governo dispendioso que, segundo analistas, ignora a crise econômica.

Ele prevê aumentar o salário mínimo dos atuais 1,4 mil euros brutos para 1,7 mil euros e o retorno da idade mínima de aposentadoria – ampliada pelo governo para 62 anos – aos 60 anos.

Mélenchon diz que as eleições presidenciais serão uma "insurreição cívica" na França. O jornal conservador Le Figaro batizou o candidato de "pequeno Chávez à francesa". Focalizaram no Chávez meu interesse pelas revoluções que ocorreram na América Latina. Só o vi uma vez. Isso não pode ser chamado de relação pessoal", diz o candidato.

Como a presidente argentina, Cristina Kirchner, que anunciou a nacionalização da companhia petrolífera YPF, Mélenchon também pretende estatizar a Total. O candidato defende que isso permitiria baixar os preços dos combustíveis na França.

Socialistas

Mélenchon teve uma ascensão espetacular nas pesquisas. No final do ano passado, ele registrava entre 5% e 6% das intenções de votos, segundo diferentes institutos, e foi subindo progressivamente.

A guinada, que o levou a ocupar o terceiro lugar em várias pesquisas, ocorreu a partir de meados de março, quando seus comícios começaram a atrair milhares de participantes e ter ampla repercussão na imprensa.

Mas em pesquisas divulgadas nesta semana o candidato se mantém estável ou perdeu até dois pontos percentuais. Segundo analistas e pesquisas, Mélenchon está conseguindo atrair principalmente eleitores socialistas e da esquerda em geral que, decepcionados com as propostas, haviam se retirado do cenário político e provavelmente iriam se abster nessas eleições.

Mélenchon também atrai fortemente eleitores de outros partidos da extrema esquerda que perderam nestas eleições líderes conhecidos do grande público, que deixaram a política. Os candidatos atuais da Luta Operária ou do Novo Partido Anticapitalista, novatos na disputa, só registram atualmente 1% nas pesquisas.

Parte do eleitorado centrista, historicamente ligado à direita francesa, também passou a aderir às propostas de Mélenchon, famoso por seus talentos de orador em comícios. Se as projeções em relação a Mélenchon forem confirmadas nas urnas no próximo domingo, esse será o melhor resultado de um candidato da extrema esquerda francesa nos últimos 30 anos.

Mélenchon declarou que sua meta é obter mais votos do que Marine Le Pen, da extrema direita, que registra, segundo pesquisas, intenções de votos bem próximas às do candidato.

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