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02 Abril 2012

Nesta segunda-feira (2), a Organização das Nações Unidas implementará a resolução 65/309, adotada unanimemente pela Assembleia Geral em julho de 2011, que coloca a “felicidade” na agenda mundial.

A reportagem é de Timothy W. Ryback, vice-secretário-geral da Academie Diplomatique Internationale de Paris, publicada pelo jornal International Herald Tribune e reproduzida pelo Portal Uol, 31-03-2012.

“Consciente que a busca da felicidade é um objetivo humano fundamental” e “reconhecendo que o Produto Interno Bruto (…) não reflete adequadamente a felicidade e o bem-estar do povo”, a resolução 65/309 confere ao Reinado de Butão a oportunidade de promover uma reunião de alto nível sobre a felicidade como parte da 66ª sessão da Assembleia Geral da ONU na próxima semana.

Vários palestrantes famosos falarão para este remoto reino do Himalaia. Sua alteza real o Príncipe de Gales vai abrir a reunião com uma missiva gravada em vídeo. O prêmio Nobel Joseph Stiglitz falará sobre “indicadores de felicidade”, assim como o economista Jeffrey Sachs. O primeiro-ministro do Butão representará o rei Jigme Khesar Namgyel, o Rei Dragão da Casa de Wangchuck do Butão. (O reinado tornou-se uma monarquia constitucional em 2007).

Butão significa “terra dos dragões” na língua local dzongkha. Para o Rei Dragão de 32 anos, a resolução 65/309 da ONU representa um triunfo de relações públicas mundiais e a realização de uma ambição hereditária, iniciada por seu avô há 40 anos, de estabelecer a Felicidade Interna Bruta (FIB) como alternativa ao Produto Interno Bruto como medida de progresso nacional.

“Uma família deve ter uma boa casa, terra suficiente, se for de agricultores, e ter um nível modesto de máquinas que poupam algum tempo precioso usado pelo trabalho físico excessivo”, explica Karma Ura, intelectual e artista que é tanto assessor do rei em casa quanto embaixador da FIB no exterior.

Ele desenhou as notas bancárias do país, que representam a moeda local conhecida como ngultrum, ou nu, que é ligada à rúpia da Índia. E promoveu a FIB na Comissão Europeia em Bruxelas e o fará novamente na segunda-feira na ONU, em Nova York.

Por seus serviços, Karma Ura recebeu o título de cavalheiro do rei, que inclui um título honorífico, dasho, e uma espada que Ura carrega tão orgulhosamente quanto sua patriótica FIB. As “verdadeiras formas de riqueza”, diz ele, é ser abençoado com um “meio ambiente deslumbrante, saúde vibrante, relacionamentos comunitários fortes, significado na vida e liberdade para ter tempo livre”.

Como nação, o Butão simboliza bem a fórmula da Dasho Karma Ura. No alto da cadeia dos Himalaias, entre as potências econômicas de China e Índia, o reino está entre os mais pobres e menos desenvolvidos do mundo.

Com menos de 800.000 habitantes, a renda média é de US$ 110 (em torno de R$ 200) por mês. A maior parte dos butaneses não ganha o suficiente para pagar impostos, que só são cobrados sobre rendas superiores de 100.000 ngultrum, ou cerca de US$ 2.000 (aproximadamente R$ 3.600). Apesar dessas limitações, a “Business Week” classificou o Butão como a nação mais feliz na Ásia e a oitava mais feliz do mundo.

“Os butaneses combinaram a espiritualidade budista com uma economia sustentável e criaram um modelo único que tem muito a ensinar às outras nações”, observa Jean Timsti, advogado em Paris e artista que financiou a publicação de um livro sobre a “operacionalização da Felicidade Interna Bruta”, baseado em uma conferência no Butão em 2003. O tomo de 750 páginas ajudou a definir a FIB e elevá-la à agenda global.

Até hoje, houve conferências de FIB na Tailândia, Canadá, Holanda e Brasil. De acordo com Timsti, essas atividades deram ímpeto para que o presidente Nicolas Sarkozy, da França, comissionasse Stiglitz, junto com o prêmio Nobel Amartya Sen e o economista francês Jean-Paul Fitoussi, para conduzirem um estudo do “desempenho econômico e progresso social” que incluísse diversos indicadores de FIB, desde caminhadas a leitura e frequência do sexo.

“O tipo de civilização que construímos depende da forma que fazemos nossas contas, simplesmente porque muda os valores que damos às coisas”, observa Sarkozy em seu prefácio ao relatório. “E não estou falando apenas em valor de mercado”.

Amanhã, o modelo butanês para FIB será apresentado na ONU, de acordo com a resolução 65/309. “A Reunião de Alto Nível de 2 de abril será um passo marcante para a adoção de um novo paradigma mundial econômico baseado em sustentabilidade para a felicidade humana e bem-estar de todas as formas de vida, que venha substituir o atual sistema defeituoso que se baseia em uma premissa insustentável de crescimento ilimitado em um planeta finito”, afirma o site do governo do Butão.

Com a atual crise internacional na Síria e no Irã, além dos conflitos do Afeganistão, Darfur e a República Democrática do Congo, para citar alguns, a agenda butanesa talvez não chame tanta atenção quanto merece.

“Acredito que apesar de a Felicidade Interna Bruta ser inerentemente butanesa, suas ideias podem ter uma relevância positiva para qualquer nação, povo ou comunidade, onde quer que esteja”, observou o rei Jigme Khesar Namgyel no prefácio do livro de FIB em 2004, enquanto ainda era príncipe herdeiro.

Os americanos talvez aleguem terem sido pioneiros na noção de “felicidade” como uma “verdade evidente” e “direito inalienável”, desde a Declaração de Independência de Thomas Jefferson, mas o Rei Dragão dá um viés distintamente butanês na questão.

“Não é possível haver paz duradoura, prosperidade, igualdade e fraternidade neste mundo se nossas metas são tão separadas e divergentes”, diz ele, “se não aceitamos que, no final, somos pessoas iguais, compartilhando a terra entre nós e também com outros seres, que têm igual papel e risco no estado deste planeta”. O Rei Dragão falou. Talvez seja hora de o mundo ouvir.

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