Nas barricadas e de túnica: Jesus contra Wall Street

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20 Dezembro 2011

"O Jesus dos pobres e dos necessitados que eu amo estaria hoje entre os manifestantes do Occupy Wall Street. Ou na prisão". Por telefone, de Rye, a cidade a 35 quilômetros a nordeste de Manhattan, onde ele vive com a sua esposa mezzosoprano Brook, a voz do reverendo George E. Packard, veterano do Vietnã e bispo episcopal aposentado, chega tênue e cansada.

A reportagem é de Alessandra Farkas, publicada no jornal Corriere della Sera, 19-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há dias, Packard trabalhava para encontrar um compromisso entre a Igreja Episcopal Trinity Church, em Wall Street, e os líderes do movimento Occupy Wall Street, que pediam para usar um lote da propriedade da igreja como nova base de operações na era pós-Zuccotti Park. Mas, além de negar a permissão, os responsáveis pela Trinity chamaram a polícia, que prendeu 55 pessoas lideradas por Packard (dez delas, expoentes do clero), que invadiram a cerca e "ocuparam" o lote proibido.

"Fomos liberados à meia-noite, depois de nove horas na cela", disse o prelado. "O New York Police Department tem duas almas. Uma pró-Occupy, como a do policial que, ao me algemar, pediu desculpas porque, embora compartilhando o meu gesto, foi obrigado a me prender. A segunda, gratuitamente violenta, que empurra jovens policiais enfurecidos a agredir seus coetâneos, réus por protestar pacificamente, como nos ensinou Martin Luther King".

Até algum tempo atrás, Packard era conhecido como o capelão do Exército dos EUA, sempre pronto para ir às zonas "quentes" do planeta, da Bósnia ao Iraque, para levar conforto aos militares traumatizados pela guerra. "Eu combati no Vietnã como oficial da Primeira Divisão de Infantaria", explica Packard. "Voltei para casa em 1970, com uma Estrela de Prata e duas medalhas de bronze no peito, mas também com um distúrbio pós-traumático de estresse, que me condenou a décadas de psicoterapia e fortes remédios antidepressivos".

Depois de 12 meses de retiro espiritual, em 1971, ele entrou para o Virginia Theological Seminary, onde se graduou em 1974, decidido dedicar sua vida aos outros. O seu compromisso com o movimento começou no fim de setembro. "Uma noite, fui preso ao tentar levar água aos manifestantes: pessoas maravilhosas, acredite em mim, apaixonadas e idealistas, mas também focadas e concretas. Você percebe? Maltratado e algemado porque dei de beber aos sedentos, como ordena o Evangelho".

A frustração de Packard, nascido em 1944 em New Rochelle, em uma rica família de origem inglesa, é palpável. "A miopia das autoridades eclesiásticas é incrível. A Igreja Protestante está morrendo, e o número dos seus fiéis está no mínimo histórico. Abrir os braços a esses jovens que pedem ajuda seria oportuno, além de justo".

"A Trinity Church é a instituição religiosa mais rica dos Estados Unidos, com bens de mais de 10 milhões de dólares", afirma. "A maior parte dos imóveis ao sul do Canal Street, em Manhattan, são seus". Packard é a prova viva de como, depois das expulsões, o movimento está vivo e em pleno vigor. "Recebemos o apoio do arcebispo Desmond Tutu, e – por meio do Occupy Faith – padres, rabinos, pastores protestantes e imãs estão ajudando esses corajosos jovens, decididos a pôr um fim à profunda injustiça de sociedades que defendem os ricos e fazem guerra contra os seus pobres".

Por telefone, a sua voz agora soa alegre e otimista: "Recém acabei de ler The Swerve: How the World Became Modern, de Stephen Greenblatt, sobre como, durante a Idade Média, a única ilha de civilização, reflexão e divergência eram os ricos mosteiros beneditinos. Se estamos aqui protestando hoje, também é graças a eles. Mas os burocratas da Trinity Church não entendem isso".

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