China teme crise bancária e vai socorrer empresas

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13 Outubro 2011

A China anunciou planos para dar apoio emergencial a empresas privadas com problemas, em meio a temores de que falências num setor crucial, que tem sofrido com a queda nas exportações, podem ameaçar o sistema financeiro.

A reportagem é de Lingling Wei, publicada pelo jornal The Wall Street Journal, 13-10-2011.

Um número crescente de empresas privadas chinesas está à beira da falência porque não consegue pagar credores do mercado negro que assumiram o lugar do crédito estatal, depois que o governo restringiu os empréstimos bancários para coibir a inflação. Os analistas dizem que o risco é que essa fonte ilegal de crédito seque e quebre até mesmo empresas sadias, com graves consequências no sistema bancário formal.

O principal motivo de preocupação é o crescimento vertiginoso do crédito "sombra". São empréstimos de curto prazo no mercado negro que ameaçam levar as pequenas empresas chinesas à falência, criando por sua vez uma ameaça imediata à economia, e também empréstimos fora de balanço dos grandes bancos, que criam perigo no longo prazo. O crédito que fica fora do balanço das instituições financeiras é de cerca de 12 trilhões de yuans (US$ 1,9 trilhão), dizem economistas do UBS. O total de empréstimos é de US$ 8,8 trilhões.

Pequim reforça crédito a pequena empresa

A China anunciou planos para dar apoio emergencial a empresas privadas com problemas, em meio a temores de que falências num setor crucial, que tem sofrido com a queda nas exportações, podem ameaçar o sistema financeiro do país.

Um número crescente de empresas privadas chinesas está à beira da falência porque não consegue pagar credores do mercado negro que assumiram o lugar do crédito estatal depois que o governo restringiu os empréstimos bancários para coibir a inflação. Os analistas dizem que o risco é que essa fonte ilegal de crédito seque e consequentemente quebre até mesmo empresas sadias, com graves consequências no sistema bancário formal.

O principal motivo de preocupação é o crescimento vertiginoso do crédito "sombra". São empréstimos de curto prazo no mercado negro que ameaçam levar as pequenas empresas chinesas à falência, criando por sua vez uma ameaça imediata à economia, e também empréstimos fora de balanço dos grandes bancos, que criam perigo no longo prazo. Esse sistema financeiro subterrâneo cresceu o suficiente para atrapalhar o firme controle governamental sobre o crédito e as taxas de juros, duas ferramentas fundamentais para conduzir a segunda maior economia do mundo.

Depois de uma reunião presidida pelo premiê Wen Jiabao, o conselho de estado, que é o gabinete de governo da China, anunciou na noite de quarta um conjunto de medidas para oferecer mais crédito para pequenas empresas. "É preciso dar muita atenção a essas firmas", afirmou o conselho estatal num comunicado no site do governo, acrescentando também que as pequenas empresas têm um "papel insubstituível" na economia e no emprego do país.

As pequenas e médias empresas do setor privado chinês respondem por 80% dos empregos do país e por mais da metade do PIB, segundo algumas estimativas.

O comunicado foi feito dois dias depois de o fundo soberano da China intervir na Bolsa de Xangai para conter a queda das ações de vários bancos, o que evidencia como a possibilidade de deterioração do sistema financeiro está recebendo cada vez mais atenção dos líderes chineses.

Foi o primeiro resultado concreto de uma visita feita por Wen semana passada à cidade costeira de Wenzhou, famosa pelo espírito empreendedor e onde várias pequenas empresas fecharam as portas porque não conseguiram pagar os juros anuais de até 50% cobrados pelo mercado negro.

As grandes estatais chinesas continuam com acesso a empréstimos bancários, apesar do aperto de crédito iniciado pelo governo ano passado, mas as firmas privadas, geralmente pequenas, muitas vezes ficam de fora e são forçadas a buscar fontes alternativas de financiamento. O mercado negro, onde há pouca regulamentação, tem recursos de incorporadoras imobiliárias, mineradoras de carvão e pessoas físicas ricas em busca de retorno maior. Boa parte dos recursos desses credores vem dos próprios bancos.

Num indício de quão grande é o volume de empréstimos que não é contabilizado pelos bancos, o crédito que fica fora do balanço das instituições financeiras é de cerca de 12 trilhões de yuans (US$ 1,9 trilhões), dizem economistas do UBS. O total de empréstimos a receber, tanto dentro como fora do balanço dos bancos, era de 55,7 trilhões de yuans em agosto.

Quase 100 donos de fábricas em Wenzhou fugiram da cidade desde abril depois de não conseguir pagar empréstimos com juros elevados, segundo a imprensa estatal. Problemas como esses, alertam economistas, podem significar que há desafios ainda maiores para o vasto setor bancário chinês e para o resto da economia, com potencial de causar inadimplência até em empréstimos bancários a juros normais. Isso pode forçar os bancos a cortar linhas de crédito mesmo para empresas sadias e seus fornecedores.

A crise no setor privado chinês também alimenta novas dúvidas sobre a capacidade do país de usar o crédito bancário para impulsionar a economia, como fez durante a crise financeira mundial de dois anos atrás. "Achamos que os riscos maiores são a retirada do crédito tanto no mercado informal como no formal e o contágio", afirmou numa nota recente Wang Tao, economista do UBS especializado na China.

O comunicado do gabinete chinês reconheceu as possíveis ameaças e enfatizou que os canais de financiamento privados e informais só serão permitidos "nos limites da lei". O gabinete afirmou também que o governo vai reprimir práticas ilegais como esquemas de pirâmide ou crédito a juros excessivamente altos. O governo também vai proibir empregados de empresas financeiras de qualquer envolvimento com o crédito informal, afirmou o gabinete.

O gabinete afirmou também que a China permitirá que pequenos bancos continuem desfrutando de exigências de compulsório "relativamente baixas", em comparação com os grandes bancos, para que os pequenos bancos possam emprestar mais para as empresas menores. Os compulsórios precisam ser depositadas no banco central, limitando a capacidade de crédito dos bancos. As autoridades anunciaram também que vão reduzir os impostos das pequenas empresas.

Os analistas dizem que as novas políticas representam o que eles chamam de "afrouxamento direcionado" em áreas específicas em que as empresas enfrentam pressão, mas que não significam um relaxamento geral da política monetária do governo. "Essa política é voltada principalmente para aliviar a situação financeira de pequenas empresas [...] já que elas têm enfrentado muita pressão", disse o economista Ma Xiaoping, do HSBC.

O mercado negro de crédito existe há anos na China, mas o recente crescimento não tem precedente, dizem analistas.

O resultado dessa expansão é que a China tem um "nível inusitadamente alto" de dívida bruta em comparação com outros países em desenvolvimento, segundo um relatório recente do Fundo Monetário Internacional sobre estabilidade financeira mundial. O FMI calcula que os empréstimos domésticos dentro e fora do balanço dos bancos atingiram 173% do PIB da China no fim de junho.

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