China, maior credor dos EUA, diz ter "todo o direito" de cobrar solução para dívida

Revista ihu on-line

Bioética e o contexto hermenêutico da Biopolítica

Edição: 513

Leia mais

Revolução Pernambucana. Semeadura de um Brasil independente, republicano e tolerante

Edição: 512

Leia mais

Francisco Suárez e a transição da escolástica para a modernidade

Edição: 511

Leia mais

Mais Lidos

  • Mantido o ritmo atual, Brasil levará 200 anos para levar ensino médio a todos os jovens, mostra pesquisa

    LER MAIS
  • Pro Pope Francis: carta aberta de apoio ao Papa Francisco

    LER MAIS
  • Um em cada cinco bebês que nascem no Brasil é filho de mãe adolescente

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

06 Agosto 2011

Na condição de maior credor dos Estados Unidos, a China tem "todo o direito" de exigir que Washington enfrente os problemas estruturais de seu endividamento e garanta a segurança dos ativos em dólar controlados por Pequim, afirmou ontem editorial da agência oficial de notícias "Xinhua", que também defendeu "supervisão internacional" sobre a emissão de dólares e a adoção de uma nova moeda global de reserva de valor.

A reportagem é de Cláudia Trevisan e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 07-08-2011.

O governo chinês usou palavras duras, dizendo que Washington precisa "curar seu vício em dívidas" e "viver com seus próprios meios". O comentário foi uma resposta ao rebaixamento da nota de crédito norte-americana pela agência de classificação de risco Standard & Poor"s, anunciado sexta-feira.

A decisão e o prolongado impasse em torno do aumento do teto de endividamento dos EUA evidenciaram os riscos da política chinesa de acumulação de reservas internacionais, que atingiram em junho a estratosférica quantia de US$ 3,2 trilhões, dos quais 70% estão aplicados em ativos denominados em dólar.

As autoridades de Pequim temem a erosão do valor de sua poupança externa com uma eventual persistente depreciação da moeda norte-americana. O editorial de ontem refletiu a preocupação com a excessiva dependência do dólar e o papel dominante que ele desempenha no sistema financeiro global.

A adoção de uma "nova, estável e segura" moeda de reserva global "pode ser uma opção para evitar a catástrofe provocada por um único país", sustentou o texto, que também criticou o impasse no Congresso em torno do teto de endividamento. "(Os EUA) deveriam abandonar as velhas práticas de permitir que a política doméstica eleitoral faça a economia global de refém e de contar com os bolsos dos principais países superavitários para sustentar seus déficits perenes", afirma o editorial.

Falta de opção

A China lidera o ranking dos credores internacionais dos norte-americanos, com pelo menos US$ 1,16 trilhão em títulos emitidos por Washington. Apesar de toda a retórica de Pequim e da promessa de diversificação das reservas, é provável que o país continue a investir em bônus norte-americanos, por absoluta falta de opção.

A Europa também enfrenta problemas com seu nível de endividamento e o tamanho de seu mercado de títulos não é grande o suficiente para absorver a gigantesca demanda chinesa, que continuará em alta, a menos que haja uma transformação no modelo de crescimento do país.

Nos seis meses entre dezembro de 2010 e junho de 2011, as reservas internacionais controladas por Pequim saltaram de US$ 2,85 trilhões para US$ 3,2 trilhões - só o aumento de US$ 450 bilhões no período supera o total das reservas de US$ 336 bilhões detidas pelo Brasil. A previsão de analistas é que o valor chegue a pelo menos US$ 3,5 trilhões no fim do ano, o que significa que a China precisará encontrar onde investir US$ 300 bilhões, e há poucas opções além dos títulos do Tesouro dos EUA.

O grande desafio para Pequim é mudar a política que leva o país a acumular um volume de reservas que supera em muito o patamar considerado razoável para se proteger contra turbulências externas.

O regime de câmbio semifixo é o principal fator que infla a montanha de recursos externos administrada pelo Banco do Povo da China. Para impedir a apreciação do yuan, a autoridade monetária compra os dólares que entram no país, emitindo em troca moeda nacional.

Depois, o banco central vende títulos no mercado para reduzir a quantidade de dinheiro em circulação, em uma tentativa de evitar a inflação e a formação de bolhas de ativos. Alguns economistas acreditam que a chamada "esterilização" não está sendo eficaz para previr a elevação de preços na economia chinesa e também defendem mudança no modelo cambial.

O surgimento de uma nova moeda global de reserva de valor poderia reduzir a dependência da China em relação ao dólar e ampliar as possibilidades de investimentos do país. Mas esse é um processo que pode levar anos -ou décadas - para estar concluído.

As autoridades de Pequim defenderam pela primeira vez a substituição do dólar como reserva de valor em março de 2009, quando cresciam os temores de desvalorização da moeda norte-americana em razão do aumento do endividamento para financiar o pacote de estímulo à economia adotado em 2008.

"O objetivo desejável da reforma do sistema monetário é a criação de uma moeda de reserva internacional que seja desconectada de nações e capaz de permanecer estável no longo prazo, removendo assim as deficiências inerentes à utilização de moedas nacionais", escreveu na época o presidente do banco central, Zhou Xiaochuan, no documento em que propôs a mudança.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Instituto Humanitas Unisinos - IHU - China, maior credor dos EUA, diz ter "todo o direito" de cobrar solução para dívida