Neurônios, pensamentos e sensações: a inteligência humana em um computador

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04 Julho 2011

O Human Brain Project, do Politécnico de Lausanne, na Suíça, irá reproduzir as operações do cérebro usando um supercomputador. O projeto poderia estar concluído em 2023, e a União Europeia está pronta para financiá-lo. Na equipe, neurocientistas e cientistas da informática, especialistas em robótica e em em bioética de nove países europeus.

A reportagem é de Elena Dusi, publicada no jornal La Repubblica, 04-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Será preciso um computador um milhão de vezes mais poderoso do que as supercalculadoras de hoje. Mas no fim – a meta está fixada para 2023 – os cientistas do Human Brain Project esperam reproduzir o funcionamento do cérebro humano em um único e enorme circuito elétrico.

"O objectivo é ambicioso, mas não impossível, se olharmos para a velocidade com que cresceu o poder de cálculo nos últimos anos", explica Enrico Macii, professor de circuitos eletrônicos no Politécnico de Turim.

A equipe do Human Brain Project reúne especialistas em neurociências e em informática, em robótica e em bioética, provenientes de nove países europeus. A coordenação é de Henry Markram, do Politécnico de Lausanne, que, em seis anos de trabalho, já conseguiu traduzir na língua dos computadores a vida e o funcionamento de um fragmento de 10 mil neurônios do córtex cerebral de um rato. Uma gota no oceano em comparação com os 100 bilhões de neurônios do cérebro humano que a equipe europeia se propõe a analisar e a reproduzir, tijolo por tijolo, dentro de um computador.

Se o que ajudou Markram com o cérebro do camundongo foi um computador parente daquele Deep Blue que, em 1997, derrotou Garry Kasparov no xadrez, para o órgão do pensamento humano ainda não existe uma máquina capaz de aceitar o desafio. "Usaremos não um único computador, mas sim um cluster de supercomputadores conectados entre si", explica Macii. Por enquanto, o Human Brain Project está em curso para angariar o colossal financiamento de um bilhão de euros em dez anos, que a União Europeia prometeu aos dois projetos de pesquisa mais importantes e clarividentes do continente.

Seis equipes de cientistas estão correndo para obter o reconhecimento, que será concedido no verão europeu de 2012. Os concorrentes de Lausanne se ocupam do grafeno, o material que promete substituir o silício e que foi premiado no ano passado com o Prêmio Nobel de Física; de uma plataforma de computador capaz de analisar enormes quantidades de dados de todo o mundo e prever crises naturais ou colapsos econômicos; de "anjos da guarda", máquinas que coletam dados sobre um indivíduo ao longo de sua vida e o ajudam em suas escolhas sem utilizar baterias, mas obtendo energia do corpo humano; de instrumentos para análise do DNA e a medicina personalizada; de robôs inteligentes, capazes de sentir emoções e de ajudar os idosos ou os socorristas durante as catástrofes.

"Nós, do Human Brain Project, estamos preparando o projeto final a ser submetido à Comissão Europeia", explica Macii. "O primeiro passo é coletar dados muito acurados sobre o cérebro. Como nos ocuparemos do cérebro humano, precisamos de sensores que não sejam invasivos". Posteriormente, será preciso traduzir as leis que regulam pensamentos e sensações em uma linguagem compreensível aos computadores.

"É nessa fase que precisaremos de uma enorme capacidade de cálculo" e de um poder incomparável aos 30 watts de uma lâmpada consumidos em média pelo nosso órgão do pensamento. No banco de dados informático, acabarão dados sobre como os neurônios estão estruturados, segundo qual arquitetura estão ligados as neurônios vizinhos, quais neurotransmissores utilizam para trocar mensagens e quais genes estão ativos em seu interior. Assim como ocorreu para o fragmento de cérebro de camundongo simulado por Markram, se começará com um pequeno grupo de células para depois reconstruir uma única região cerebral e, finalmente, o órgão inteiro.

Quando o gigantesco mecanismo do cérebro artificial estiver concluído, ele poderá simular o efeito de novos medicamentos, "ou poderá ser transferido a um robô capaz de prever o futuro", explica Macii. Não é por acaso que uma parte da equipe – entre os quais os pesquisadores do CNR [Conselho Nacional de Pesquisa da Itália] e do laboratório Lensa da Universidade de Florença – está se ocupando da construção de sistemas de visão artificial. Mas o desafio é enorme, se pensarmos que, para simular o funcionamento de um único neurônio, hoje é preciso o poder de cálculo de um laptop, e se cada um dos 100 bilhões de neurônios humanos pode estreitar uma conexão com outros 10 mil neurônios vizinhos. E ao Deep Blue só restará empalidecer quando se der conta de que acabou a era dos jogos de xadrez.

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