Da dúvida à fé

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Desgaste do discurso evangélico

    LER MAIS
  • Outro papa. Ratzinger, sua renúncia e o confronto com Bergoglio

    LER MAIS
  • ‘Eu serei sempre minoria’, diz padre Júlio sobre sua vocação em ajudar pobres e oprimidos

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


26 Abril 2019

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 20,19-31 que corresponde ao Segundo Domingo de Ressurreição ciclo C, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

O homem moderno aprendeu a duvidar. É típico do espírito do nosso tempo questionar tudo para progredir no conhecimento científico. Neste clima, a fé fica frequentemente desacreditada. O ser humano vai caminhando pela vida cheio de incertezas e dúvidas.

Por isso, nos sintonizamos sem dificuldade com a reação de Tomé, quando os outros discípulos lhe comunicam que, estando ele ausente, tiveram uma experiência surpreendente: «Vimos o Senhor». Tomé poderia ser um homem dos nossos dias. A sua resposta é clara: «Se eu não O vejo... não acredito».

A sua atitude é compreensível. Tomé não diz que os seus companheiros estão mentindo ou que estão enganados. Apenas afirma que os seus testemunhos não são suficientes para aderir à sua fé. Ele necessita viver a sua própria experiência. E Jesus não o censura em nenhum momento.

Tomé pode expressar as suas dúvidas dentro do grupo de discípulos. Aparentemente eles não ficaram chocados. Não o expulsaram do grupo. Também eles não acreditaram nas mulheres quando lhes anunciaram que viram Jesus ressuscitado. O episódio de Tomé sugere o longo caminho que o pequeno grupo de discípulos teve de percorrer até a fé em Cristo ressuscitado.

As comunidades cristãs deveriam ser nos nossos dias um espaço de diálogo no qual poderíamos honestamente partilhar as dúvidas, as interrogações e as buscas dos crentes de hoje. Nem todos vivemos no nosso interior a mesma experiência. Para crescer na fé, necessitamos do estímulo e do diálogo com os outros que compartilham da mesma preocupação.

Mas nada pode substituir a experiência de um contato pessoal com Cristo nas profundezas de sua consciência. Segundo o relato Evangélico, Jesus apresenta-se novamente após oito dias. Mostra-lhes as suas feridas.

Não são «provas» da ressurreição, mas «sinais» de seu amor e da entrega até a morte. Por isso, convida-o a aprofundar as suas dúvidas com confiança: «Não sejas incrédulo, mas um crente». Tomé renuncia a verificar o que seja. Já não sente necessidade de provas. Só sabe que Jesus o ama e o convida a confiar: «Senhor meu e Deus meu».

Um dia, nós os cristãos descobriremos que muitas das nossas dúvidas, vividas de forma sã, sem perder o contato com Jesus e a comunidade, nos pode resgatar de uma fé superficial que se contenta em repetir fórmulas e estimular-nos a crescer em amor e confiança em Jesus, esse Mistério de Deus que constitui o núcleo da nossa fé.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Da dúvida à fé - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV