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15 Novembro 2018

Publicamos aqui o comentário do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 33º Domingo do Tempo Comum, 18 de novembro (Mc 13, 24-32). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Com este domingo, termina a leitura cursiva do Evangelho segundo Marcos, que escutamos na assembleia dominical ao longo de todo o Ano Litúrgico B.

As palavras de Jesus sobre as quais meditamos hoje são aquelas pronunciadas por ele nos últimos dias da sua vida, antes da paixão e da morte; palavras dirigidas por ele no Monte das Oliveiras aos quatro discípulos da primeira hora (cf. Mc 1, 16-20), os mais próximos dele: Pedro, Tiago, João e André (cf. Mc 13, 3).

O chamado “discurso escatológico” é muito longo – ocupa todo o capítulo 13 – e quer ser uma resposta à pergunta sobre o tempo posterior à história terrena de Jesus: o que acontecerá? Servindo-se de ideias e imagens tiradas dos livros proféticos, Jesus anuncia que o templo de Jerusalém, que se erguia majestoso diante dele e dos discípulos, entrará em ruínas (Mc 13, 2), que haverá eventos que causarão grande sofrimento aos humanos (cf. Mc 13, 5-23) e que no fim – é o tema do nosso trecho – o Filho do homem virá na sua glória para realizar o juízo último e definitivo (cf. Mt 25, 31-46).

Esse discurso de Jesus é uma mensagem em uma linguagem codificada, segundo o gênero apocalíptico, uma linguagem que quer ser reveladora, profética, mesmo que às vezes seja obscura, de difícil interpretação.

Nós lemos apenas a sua parte final, justamente, o anúncio da vinda gloriosa do Messias, quando ocorrerá a destruição do templo e tiver passado o tempo da história, na qual guerras, calamidades e perseguições se farão dolorosamente presentes na vida de homens e mulheres (como vemos desde que o mundo é mundo...).

Depois da terrível prova que investirá contra toda a humanidade, o povo de Israel e a Igreja do Senhor, haverá uma subversão de toda a estrutura do universo criado. Não nos deixemos espantar pelas palavras de Jesus, mas sim atemorizar, porque elas revelam a “verdade” deste mundo que Deus criou, quis e sustentou, mas que terá um termo, um fim: assim como há um fim pessoal, a morte, assim também haverá um fim deste mundo.

Jesus quer falar sobre esses eventos para revelar uma realidade de traços indescritíveis. A criação sofrerá um processo de decriação, poderíamos dizer um retorno ao “no princípio” (cf. Gn 1, 1-2), mas em vista de uma nova criação, de um mundo novo, com céus e terra novos (cf. Is 65, 17; 66,22; 2Pe 3, 13; Ap 21, 1).

Essas imagens não querem significar destruição, decomposição, desaparecimento da matéria, mas sim o fim das atuais estruturas da criação, no meio do sofrimento, do mal e da morte, para uma recriação, uma transfiguração que não conseguimos sequer imaginar.

Eis, então, as imagens apocalípticas, inspiradas por fenômenos que o homem contempla, mas que são transitórios, portanto, não destruidores da vida: o sol que eclipsa definitivamente, a lua que perde a sua luz, as estrelas que caem do céu... Imagens evocadoras da fragilidade da estrutura do nosso universo, que não é eterno, que – como as ciências também nos asseguram – teve um início e terá um fim.

No entanto, esse universo, que aos olhos daqueles que creem no Senhor Jesus “geme as dores de parto” (Rm 8, 22), é um universo desejado por Deus e que Deus salvará, transfigurando-o em morada do Seu Reino.

Precisamente nessa “crise” cósmica se manifestará o Filho do homem, fará a sua segunda parusia de modo glorioso, vindo dos céus, na luz definitiva que vencerá para sempre as trevas: “Então verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória” (cf. Dn 7, 13-14). Repito: a vinda final do Senhor não nega a história, mas quer transfigurar o nosso mundo.

Mas, na verdade, quem pode descrever esse evento? Os cristãos pintaram ou retrataram em mosaicos nas absides das Igrejas Aquele que vem na glória, sentado no arco-íris, juiz de todo o universo, Pantokrátor (2Cor 6, 18; Ap 1, 8; 4, 8 etc.), ou seja, Aquele que mantém todas as coisas juntas; mas, ao fazer isso, tiveram que se inspirar na parusia, na entrada gloriosa dos reis e dos imperadores, revestindo o Filho de Deus e Filho do homem com traços de uma glória humana.

Na realidade, não sabemos de que modo contemplaremos o Senhor que vem; só podemos dizer que, então, todos o reconheceremos, mesmo aqueles que, durante a sua vida, nunca o reconheceram no faminto, no sedento, no doente, no estrangeiro, no prisioneiro, no nu (cf. Mt 25, 31- 46). Mesmo aqueles que transpassaram Jesus ou transpassaram o pobre, a vítima, então o reconhecerão, baterão no próprio peito (Ap 1, 7) e entenderão que os ferimentos infligidos no outro, no irmão ou na irmã eram feridas que chegavam até o Senhor, que agora se mostra juiz misericordioso, mas temível.

Aquela também será a hora da reunião de todos os eleitos, os justos, aqueles que viveram exercendo confiança no outro, esperando junto com os outros, amando aqueles que estavam ao lado e, com o seu comportamento, tornavam próximos, vizinhos. Os filhos de Deus dispersos serão finalmente uma comunhão, que não conhecerá mais nem a morte, nem o mal, nem o pecado (cf. Is 35, 10; Ap 21, 4).

Quando isso acontecerá (cf. Mc 13, 4)? Em um dia que ninguém conhece, mas é um dia certo, é uma promessa de Deus que se realizará. Não é o “quando” que importa, mas sim a certeza confiante de um futuro orientado pela promessa do Senhor: “Eu venho muito em breve!” (Ap 22, 20). Os discípulos de Jesus, portanto, não devem perguntar “quando?”, mas sim devem se perguntar se eles mesmos estarão prontos para acolher aquele evento da parusia como salvação, se serão capazes de se alegrar diante da vinda do Filho do homem, se terão sabido esperar com perseverança naquela hora: uma hora que é um segredo, porque nem mesmo o homem Jesus a conhecia, e nem mesmo os anjos, mas só o Pai.

Por isso, aqueles que creem devem aprender a observar a história em espírito de discernimento, lendo os “sinais dos tempos”. Jesus, aliás, tinha constatado isso, com um certo estupor que também é uma exortação: “Vocês sabem prever o tempo, mas não são capazes de interpretar os sinais dos tempos?” (Mt 16, 3). Pergunta que sempre nos intriga e acende a nossa responsabilidade, pondo em causa o nosso discernimento...

A vinda do Filho do homem será como o verão que os agricultores sabem prever, olhando principalmente para a figueira: quando a figueira, para que a linfa suba, suaviza os seus ramos, e se abram as gemas que ficaram fechadas durante todo o inverno, então o verão está prestes a desabrochar. Assim, se a pessoa que crê sabe ler a história, aderindo à realidade cotidiana da vida humana e escutando a palavra de Deus que sempre ressoa no seu “hoje” (Sl 95, 7), então estará pronto para a hora da vinda temível e misericordiosa do Senhor.

Trata-se – como se lê na conclusão do discurso (cf. Mc 13, 33-37), aquela com que abrimos o ano litúrgico, no 1º Domingo do Advento – de vigiar, de permanecer vigilantes, despertos, capazes de exercer a inteligência para discernir e de não ser encontrados adormecidos ou espiritualmente atordoados...

Será o fim? Sim, mas esse fim traz um nome: é o Senhor Jesus Cristo, Filho do homem e Filho de Deus, homem e Deus que veio ao mundo, como Deus que era (cf. Fl 2, 6), para se fazer homem, e que virá na glória para que o homem se torne Deus. Então, finalmente, Deus será tudo em todos (cf. 1Co 15, 28): toda a humanidade será em Deus e cada um de nós será o Filho de Deus.

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