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12 Outubro 2018

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 10,17-30 que corresponde ao 28° Domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

Antes de se pôr a caminho, um desconhecido aproxima-se de Jesus a correr. Ao que parece tem pressa de resolver o seu problema: «Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?». Não lhe preocupam os problemas desta vida. Ele é rico. Tem tudo resolvido.

Jesus coloca-o perante a Lei de Moisés. Curiosamente, não lembra os dez mandamentos, mas só os que proíbem de atuar contra o próximo. O jovem é um homem bom, observante fiel da religião judaica: «Tudo isso tenho cumprido desde jovem».

Jesus olha-o com carinho. É admirável a vida de uma pessoa que não fez mal a ninguém. Jesus quer atraí-lo agora para que colabore com Ele no Seu projeto de fazer um mundo mais humano, e faz-lhe uma proposta surpreendente: «Uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres... e depois vem e segue-me».

O rico possui muitas coisas, mas falta-lhe a única que permite seguir Jesus de verdade. É bom, mas vive apegado ao seu dinheiro. Jesus pede-lhe que renuncie à sua riqueza e a coloque a serviço dos pobres. Só partilhando o que é seu com os necessitados poderá seguir Jesus colaborando no Seu projeto.

O homem sente-se incapaz. Necessita de bem-estar. Não tem forças para viver sem a sua riqueza. O seu dinheiro está acima de tudo. Renuncia a seguir a Jesus. Tinha vindo a correr entusiasmado para Ele. Agora se afasta triste. Não conhecerá nunca a alegria de colaborar com Jesus.

A crise econômica convida-nos, aos seguidores de Jesus, a dar passos para uma vida mais sóbria, para partilhar com as pessoas necessitadas o que temos e simplesmente não precisamos para viver com dignidade. Temos de nos fazer perguntas muito concretas se queremos seguir Jesus nestes momentos.

A primeira é rever a nossa relação com o dinheiro: que fazer com o nosso dinheiro? Para que poupar? Em que investir? Com quem partilhar o que não necessitamos? Logo, rever o nosso consumo para fazê-lo mais responsável e menos compulsivo e supérfluo: Que compramos? Onde compramos? Para que compramos? A quem podemos ajudar a comprar o que necessitam?

São perguntas que devemos nos fazer no fundo da nossa consciência e também nas nossas famílias, comunidades cristãs e instituições da Igreja. Não faremos gestos heroicos, mas, se damos pequenos passos nessa direção, conheceremos a alegria de seguir Jesus, contribuindo para fazer a crise de alguns, um pouco mais humana e leve. Se não é assim, iremos sentir-nos bons cristãos, mas à nossa religião faltará alegria.

 


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