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17 Agosto 2018

A Ressurreição de Cristo e sua Ascensão aos céus abriram as portas da vida eterna para toda a humanidade. A Assunção de Maria é fruto da Ressurreição de seu Filho e resultado de sua vida, vivida como exemplar peregrinação de fé. No evangelho de hoje, Maria visita a sua prima Isabel, que exclama: “Bendita és tu entre as mulheres!” Maria responde com o Magnificat.

Domingo, 19 de Agosto de 2018: Assunção de Nossa Senhora - Ano B

Referências bíblicas:

Missa da Vigília
1ª leitura: «A arca de Deus foi colocada no meio da tenda que Davi tinha armado» (1 Crônicas 15,3-4.15-16;16,1-2)
Salmo: Sl 131(132) Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, subi com vossa arca poderosa!
2ª leitura: «Ó morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?» (1 Coríntios 15,54-57)
Evangelho: «Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram» (Lucas 11,27-28)

Missa do Dia
1ª leitura: «Uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés» (Apocalipse 11,19; 12,1-3-6,10)
Salmo: 44(45) - R/ À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.
2ª leitura: «Em primeiro lugar, Cristo; depois, os que pertencem a Cristo» (1 Coríntios 15,20-27)
Evangelho: «O Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor; derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes; encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias...» (Lucas 1,39-56)

A Assunção diz respeito a todos nós

O dogma da Assunção não tem nenhuma raiz mais séria nas Escrituras. É fruto de uma dedução: se Jesus está vivo, na glória do Pai, Maria, que é uma só carne com Ele, deve também estar ali: onde está o Cristo, aí também deve estar a sua mãe. Não se trata obviamente de nenhuma localização geográfica: a "glória", morada de Deus, está para além do universo, preenchendo-o todo "assim como o relâmpago que parte do Oriente e brilha até o Poente" (Mateus 24,27). Outra coisa: "assunção" não significa que Maria foi levada viva para o céu, tal como Elias foi levado num carro de fogo. Significa que ela foi assumida totalmente por Deus, em corpo e espírito. Por isso lemos hoje 1 Coríntios 15,20-27, texto que não versa sobre uma economia da morte, mas sobre a ressurreição. Poderia acaso o itinerário de Maria não se conformar ao de Jesus? E, de fato, Jesus realmente passou pela morte. Na Idade Média, para não se falar em "morte", falava-se em sono, em "dormição" de Maria. Pudor um tanto discutível! Em todo caso, esta assunção de Maria por parte de Deus encerra e recapitula tudo o que ela viveu. A Assunção não é nenhuma espécie de crença suplementar, nenhum detalhe que viesse a se juntar a outros. Através deste "dogma" podemos descobrir tudo o que diz respeito a Maria e que é também o nosso próprio périplo.

Uma recapitulação da história de Maria

Maria, de fato, é figura exemplar do itinerário de cada um de nós e de toda a humanidade. Não somos nós o Corpo de Cristo? Não somos com Ele uma só carne? Inseparáveis, para o pior, primeiro, e para o melhor, depois? Assim como Maria, também nós não somos aquela morada de Deus prefigurada pela Arca de que fala a primeira leitura da missa da vigília da Assunção (1Crônicas 15,3...16,2)? Mas, permaneçamos no percurso de Maria: as palavras do relato da Anunciação, «cheia de graça, o Senhor é contigo» exprimem já a total comunhão com Deus, e isto é o que significa a Assunção. Podemos reler todo os relatos da infância de Jesus tendo a Assunção como chave de interpretação. Aliás, na vida de todo mundo, o final é que comanda os princípios. Em Maria, é a nossa humanidade, a humanidade inteira, que alcança o termo final para o qual foi criada. O fim perseguido gera todos os gestos e todos os passos do percurso. Se hoje lemos o Magnificat, é porque este canto do início, situado antes mesmo do nascimento de Cristo, assume o seu pleno sentido no final de seu percurso. Por toda a sua vida, Maria teve de reiterar o seu ato de fé inicial, por ocasião de tudo o que sua vida levou-a a atravessar. Sopesemos, por exemplo, a frase de Lucas 2,50: «Eles, porém, (Maria e José) não compreenderam a palavra que ele lhes dissera.» Só depois, quando, desconcertada pelo comportamento de seu filho, Maria buscou falar-lhe a respeito, teve de sofrer uma recusa. Ora, estas provações da fé são agora sucedidas pela luz da visão.

Maria e nós

Tudo o que está dito sobre Maria diz respeito a nós e esclarece a nossa própria história. Ela é a primeira a seguir o Caminho, este Caminho que é o Cristo. Nosso percurso, no entanto, não coincide plenamente com o dela. É um fato que, em nossas existências, encontra-se o pecado, ou seja, há sempre uma falência da fé, que, aliás, pode assumir diversas formas, mas que gera a cada vez um eclipse do amor. Será que por isso iremos perder o caminho, que iremos deixar a estrada real de nossa comunhão com Deus? Certamente que não. Porque Maria é uma só conosco. Ela veio ao mundo para dar nascimento àquele que toma para si e que tira o nosso pecado. Se foi chamada de refúgio dos pecadores foi porque ela de alguma forma nos representa. Quando Deus olha para nós, vê Maria, figura da humanidade portadora do Filho. Fazendo-nos um só com ela, somos assumidos por Deus. A Assunção é profecia de nosso futuro e por isso pode se tornar muito ambíguo apresentá-la como um privilégio, uma realidade que dissesse respeito somente a Maria. Acrescentemos que este mistério, que se pode chamar de nossa transfiguração, já está presente em nós. Ainda em obra, certamente, mas de uma eficácia irreprimível. Que fique bem entendido, assim como Maria, isto nos levará até ao pé da cruz, e, aí, a nossa fé será verdadeiramente posta a prova, mas é também aí que ouviremos: «Eis tua mãe !» (João 19,27).

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