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25 Maio 2018

Quando os cristãos dos primeiros séculos adotaram o dogma da Trindade, não escolheram um caminho fácil! Então, o que significa acreditar na Santíssima Trindade?

A reflexão é de Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras da Festa da Santíssima Trindade, do Ciclo B. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara

Referências bíblicas

1ª leitura: «O Senhor é o Deus lá no céu e aqui na terra e não há outro além dele» (Dt 4,32-34.39-40).
Salmo: Sl. 32(33) - R/ Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança.
2ª leitura: «Recebestes um Espírito de filhos adotivos, no qual todos clamamos: Abá, ó Pai!» (Rm 8,14-17).
Evangelho: «Batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,16-20).

Viver é intercambiar

Para muitas pessoas, o dogma da Trindade é um assunto um tanto obscuro, sobre o qual não vale a pena falar muito. Para outras, é uma doutrina até meio estranha, quase demente. Para outros ainda, é escandalosa: uma espécie de politeísmo. Tudo isso mostra o quanto estamos longe de termos assimilado o Evangelho de Jesus Cristo. É evidente que os nomes de Pai, Filho e Espírito devam ser tomados em sentido "superelevado", muito além de tudo o que, a partir da nossa experiência humana, possamos colocar sob tais palavras. São como que placas indicadoras que orientam o nosso olhar e o nosso caminhar em direção ao indizível. Além do mais, as Escrituras não fazem conta e nem dizem em lugar nenhum que "elas são três". Falam sim do Pai, do Filho e do Espírito, mas sem se ocuparem com o número. O certo é que a Santíssima Trindade distingue a fé cristã de todas as religiões do mundo. Dizer que Deus é Pai, Filho e Espírito permanecendo absolutamente Um só faz explodir a nossa ideia espontânea e arcaica do divino, abrindo-nos à imagem de uma "generosidade expansiva" que funda tudo o que existe. Deus é, de qualquer forma, emissão de Si, ou, então, dom, comunicação, amor. Mas não é tudo isto como se fosse algo a mais do que si mesmo; Ele é isto. Busquemos outras palavras: Ele é geração, engendramento (olha só! Eis aí o Filho!). Ele é transbordamento, corrente de água que dá fertilidade, corrente de ar que traz vida (eis aí o Espírito!). Resumindo, Ele é vida! E sabemos que vida é intercâmbio. E também combustão: eis aí o arbusto ardente e o fogo do Espírito, que, ao invés de consumir, faz viver.

O fundo do ser

Falar da Trindade? Falemos antes da paz que promove o amor mútuo, da luta contra a fome e contra a exploração dos mais fracos, etc. Muito bem, mas em nome do que esta luta? Os cristãos dirão que é "em nome da vontade de Deus e do Evangelho de Cristo". Outros responderão que "em nome da simples humanidade". Sim, mas não é humano querer elevar-se acima dos outros, ganhar mais, instalar-se? Não é o homem, naturalmente, um lobo para o homem? Guerras, enfrentamentos e rivalidades entre irmãos inimigos, entre exploradores e explorados, não existe isso desde que o homem está aqui? E ainda assim falamos na vontade de Deus e no Evangelho do perdão? A vontade de Deus pode parecer-nos arbitrária e a palavra evangélica, uma voz entre outras. Tanto que quem a respeita nos casos difíceis? Para resumir, a palavra evangélica reclama, ela mesma, um fundamento. Por isso, a princípio ela é, não recomendações para a ação, não uma "ética", mas revelação. Ela revela o fundo das coisas, o que faz com que o universo exista, a verdade última. Ou seja, o que chamamos Deus. Daí é que decorre a ética. Mas como o Evangelho nos fala? Primeiro, pela presença de uma pessoa viva, por seus gestos, pelos seus comportamentos. Não é suficiente, contudo, contentar-se com escutar o Cristo, é preciso também olhá-lo: "quem me viu, viu o Pai" porque "o Pai e eu somos Um". E "é o Espírito que dá testemunho". Ele é quem nos faz dizer "Pai" quando falamos com Deus; Ele é quem nos faz conhecer o Filho e nos dá atitudes filiais.

Deus é Um? Melhor, "União" (Santo Inácio de Antioquia)

Ficamos assim sabendo que o fundamento de tudo o que existe não é solidão, mas "sociedade". E por que dizemos Trindade e não Dualidade? A dupla Pai e Filho já não seria suficiente? Por que, além disso, as Escrituras nos impõem este Espírito tão difícil de se perceber? A nossa experiência pode nos ajudar a compreender: uma dupla pode manter uma "sociedade" fechada, buscando cada um a si próprio no olhar do outro: ou seja, um narcisismo duplicado. O cara-a-cara aprisiona, sendo necessário um terceiro termo, para fazer detonar os muros desta prisão. E abrir-se assim ao infinito. No casal humano, por exemplo, o filho é a unidade do pai e da mãe, mas está aberto ao mesmo tempo e remetido a um novo futuro. Na falta do filho, os laços sociais e a amizade podem preencher esta função de superação. O próprio Deus é superação de Si mesmo: significamos isto, quando o chamamos de Criador. E exatamente porque é Pai, Filho e Espírito é que Ele é criador. Um deus monolítico, imutável, porque sem mobilidade interior, como se fosse uma esfera sem fissura, não poderia ser criador. O fato de criar é derramar-se; por ser em Si mesmo efusão é que Deus pode derramar-se em nós. A consequência ética: só alcançamos a verdade do nosso ser, ou seja, a imagem e semelhança de Deus, e, mesmo, a "participação na natureza divina", ligando-nos aos outros pelos laços do amor.

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