O agricultor ama sua videira

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27 Abril 2018

«Eu sou a verdadeira videira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não dá fruto em mim, o Pai o corta. Os ramos que dão fruto, ele os poda para que deem mais fruto ainda. Vocês já estão limpos por causa da palavra que eu lhes falei. Fiquem unidos a mim, e eu ficarei unido a vocês. O ramo que não fica unido à videira não pode dar fruto. Vocês também não poderão dar fruto, se não ficarem unidos a mim. Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem fica unido a mim, e eu a ele, dará muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer nada. Quem não fica unido a mim será jogado fora como um ramo, e secará. Esses ramos são ajuntados, jogados no fogo e queimados.»

«Se vocês ficam unidos a mim e minhas palavras permanecem em vocês, peçam o que quiserem e será concedido a vocês. A glória de meu Pai se manifesta quando vocês dão muitos frutos e se tornam meus discípulos.»

Leitura do Evangelho de João 15,1-8 (Correspondente ao V Domingo da Páscoa, do ciclo B do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

O agricultor ama sua videira

O trecho do Evangelho de hoje está intercalado entre um discurso de despedida que começa no capítulo 13 e será retomado no capítulo 16. Inicia-se com a apresentação de Jesus, onde afirma ser a verdadeira videira do Pai: “Eu sou a verdadeira videira, e meu Pai é o agricultor”.

Jesus usa esta metáfora da videira, dos ramos e dos frutos. No Antigo Testamento, em várias oportunidades, sugere-se que a imagem da videira seja no sentido próprio ou no sentido figurado. Por exemplo: os homens enviados por Moisés “Chegando ao vale do Cacho, cortaram um ramo de videira com um cacho de uvas, e o penduraram numa vara transportada por dois homens” para reconhecer a terra de Canaã.

No Cântico dos Cânticos a videira pode representar a esposa (Ct 6,11). É preciso lembrar que a videira é uma árvore muito comum na terra de Palestina, assim como a figueira ou a oliveira. Geralmente a palavra videira ou vinha é usada para significar o Povo de Israel e sua relação com Deus.

Normalmente a videira, quando foi podada nos momentos oportunos, produz frutos abundantes. O profeta Jeremias usa esta imagem quando, em nome de Deus, dirige-se ao povo dizendo: “Eu havia plantado você como lavoura especial, com mudas legítimas. E como é que você se transformou em ramos degenerados de vinha sem qualidade?” (Jr 2,21). Ele expressa os sentimentos de Deus e seu povo.

Em outros textos é apresentado como “a vinha”, que Deus plantou com cepas escolhidas, que Ele cuidou e da qual esperava frutos abundantes, mas só recebe frutos amargos. “Cantarei em nome do meu amigo um canto de amor para a sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha em fértil colina. Capinou a terra, tirou as pedras e plantou nela videiras de uvas vermelhas. No meio, construiu uma guarita e fez um tanque de pisar uvas. Esperava que produzisse uvas boas, mas ela produziu uvas azedas.” A tristeza e desilusão de Deus é produzida pela infecundidade da videira porque não produz os frutos que esperava (Jer 2,21; Ez 17,5-10; 19,10-12; Os 10,1).

Jesus se apresenta como a verdadeira videira e isso faz alusão a uma falsa videira que se percebe nos textos dos profetas que ecoam os sentimentos de Deus sobre sua vinha. “A vinha de Javé é a casa de Israel, e sua plantação preferida são os homens de Judá. Eu esperava deles o direito e produziram injustiça, esperava justiça e aí estão os gritos de desespero” (Is 5,7).

Jesus é a videira verdadeira; ele é a Boa Notícia que nos apresenta o novo povo de Deus inaugurado por ele e todos e todas os que permanecem unidos a ele.

A comunidade cristã nasce da videira que gera vida: Jesus que foi morto e ressuscitou. Neste tempo Pasqual somos convidados a permanecer unidos a Ele, que oferece sua Vida em abundância como uma videira que continuamente nutre os ramos unidos a ela. Somente assim é possível dar frutos. Se vivemos separados dele não teremos vida e seremos cortados pelo Pai, como um agricultor, porque não permite aos outros ramos crescer com liberdade e nutrir-se de Vida. O Pai não separa os ramos, os que não permanecem em Jesus já estão separados. Os agricultores podam a videira para que dê mais fruto, e assim faz o Pai porque sua intenção é procurar que sua vida produza fruto. Todo ramo que não dá fruto em mim, o Pai o corta. Os ramos que dão fruto, ele os poda para que deem mais fruto ainda.

Há diferentes formas de rejeitar a Vida que Jesus nos oferece. Pessoas que preferem o individualismo, o fechamento nas suas ideias e projetos. Escolhem assim seu próprio bem-estar sem olhar para tantos seres humanos que ao seu lado clamam por uma ajuda, um conselho, uma palavra! É somente levantar os olhos e estender a mirada por encima de nós mesmos ou do nosso redor. Ao nosso lado estão tantos e tantas que são desprestigiados/as e desconsiderados/as pela sociedade e por isso devem morar ao borde de um caminho que conduz ao desprestigio e a desconsideração. Pessoas e sociedades que somente produzem frutos de morte.

O Pai, como bom agricultor que ama sua videira, se preocupa de limpar a vinha, de quitar as folhas que impedem que dê frutos. Continuamente está nos convidando a um caminho de conversão. As vezes é necessário uma virada no caminho ou uma renovação na atração da Videira para permanecer sempre unidos e unidas a ele, fonte de Vida.

Neste domingo somos atraídos para renovar nossa união com Jesus, alimentando-nos da mesma seiva que corre pelo tronco da videira e viver assim como Ele viveu.

Oração

Luz

Não nos chamas
a iluminar as sombras
com frágeis velas
protegidas dos ventos
com as palmas da mão,
nem a ser puros espelhos
que refletem luzes alheias,
cotizadas estrelas
dependentes de outros sois,
que como amos da noite
fazem brilhar as superfícies
com reflexos passageiros
ao seu bel prazer.

Tu nos ofereces
ser luz desde dentro, (Mt 5,14)
corpos acesos
com teu fogo inextinguível
na medula do osso (Jr 20,9)
sarças ardentes
nas solidões do deserto
que buscam o futuro (Ex 3,2)
rescaldo de lar
que congrega os amigos
compartilhando pão e peixes (Jo 21,9)
ou relâmpago profético
que risque a noite
tão dona da morte.

Tu nos ofereces
ser luz do povo (Is 42,6)
fogueiras de pentecostes
na persistente combustão
de nossos dias
acesos por teu espírito,
ser luz em ti,
que és a luz,
fundido inseparavelmente
nosso fogo com teu fogo.

Benjamín G. Buelta, sj

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