Uma experiência antecipada da ressurreição

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • O que muda (para pior) no financiamento do SUS

    LER MAIS
  • Ou isto, ou aquilo

    LER MAIS
  • Desmatamento na Amazônia aumenta 212% em outubro deste ano, aponta Imazon

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

23 Fevereiro 2018

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha.

E se transfigurou diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas, como nenhuma lavadeira no mundo as poderia alvejar. Apareceram-lhes Elias e Moisés, que conversavam com Jesus.

Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.» Pedro não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo. Então desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: «Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!» E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.

Ao descerem da montanha, Jesus recomendou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram a recomendação e se perguntavam o que queria dizer «ressuscitar dos mortos».

Leitura do Evangelho de Marcos capítulo 9,2-10 (Correspondente ao Segundo Domingo da Quaresma,ciclo B do Ano Ltúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.


Uma experiência antecipada da ressurreição

No domingo passado, no primeiro domingo da Quaresma, lemos sobre as tentações de Jesus no deserto que estão no começo do Evangelho de Marcos. Neste domingo a Palavra de Deus, que a Igreja nos oferece para refletir e viver, é um texto central que está na segunda parte do evangelho.

Lembremos que podemos dividir este evangelho em duas partes. Uma primeira parte que aponta para o mistério da pessoa de Jesus. Gera a pergunta sobre identidade, quem é este homem que liberta da opressão e da escravidão tantas pessoas que o procuram na busca de uma vida nova. Ele se dirige às multidões através de sinais e signos que manifestam seu poder curativo e transparecem o amor misericordioso do Pai, mas não é acusado de blasfemo, de estar possuído pelos demônios, de ser louco e considerado impuro pelos fariseus e sacerdotes.

Na segunda parte do evangelho Jesus anuncia sua paixão e morte. O triunfo do Messias esperado não é como o povo aguarda: um Messias glorioso que os libertará do Império Romano pela luta e sua destruição. Seu triunfo será pela doação de sua própria vida, entregando-a na cruz por amor a cada um e cada uma de nós.

O texto começa “seis dias depois” e mostra assim a continuidade com o narrado antes. Jesus tinha começado a ensinar os discípulos e a todas as pessoas que o escutavam que “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar depois de três dias”.

Ele apresenta um caminho de renúncia a si mesmo e de “perder a vida por causa de mim e da Boa Notícia”. Possivelmente isto gerou nos discípulos muita incompreensão. Será que Jesus não se dá conta de que ele é capaz de vencer os romanos? Por isso Pedro tentou repreendê-lo e recebeu a reprovação e a advertência por parte de Jesus: “Fique longe de mim, satanás!”. “Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens.”  Eles não compreendem Jesus (8,21).

O episódio da Transfiguração é inserido neste contexto de dificuldade e de crise, por parte dos discípulos, e possivelmente também para Jesus era um tempo especial. Ele dirige-se ao encontro do Pai e do seu conforto, e leva ao seu lado três discípulos: Pedro, Tiago e João. Aquele que Jesus batizou com um novo nome e que neste momento quer fazer partícipe da sua intimidade com o Pai e receber, também, o consolo da presença de Deus.

Diante do anúncio da Paixão e da sua morte na Cruz, é preciso que eles recebam a esperança da Vida nova do Céu, desse Amor que há no Pai e que abraça tudo e todos. Sejam partícipes de uma semente da Ressurreição. Jesus é realmente o Filho amado de Deus e isto gera neles confiança e a fé no seu seguimento e nas suas palavras. São reconfortados, e sua tristeza, desânimo e até desesperança se transformam numa confiança total em Jesus e no sofrimento que eles passam no seu seguimento.

Os discípulos convidados por Jesus subiram ao monte com Ele e são partícipes da nova manifestação de Jesus.

Neste tempo somos também convidados/as a estar numa maior intimidade com Jesus. Podemos perguntar-nos onde está esse monte que Jesus nos convida a ir com ele porque deseja, como o fez com os discípulos, fazer-nos partícipes de sua intimidade com o Pai.

Marcos continua: “Apareceram-lhes Elias e Moisés, que conversavam com Jesus” (4). Qual é o significado deste encontro?

Moisés e Elias representam, respectivamente, a Lei e os Profetas, isto é, todo o Primeiro (Antigo) Testamento pelo qual poderíamos afirmar que Jesus veio para levar a cumprimento total o Projeto de Deus, por meio da entrega de sua vida.

Finalmente desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra. Os discípulos conheciam a tradição do povo de Israel. Sabiam que a nuvem tinha se tornado um testemunho da presença divina descendo maternalmente sobre a fragilidade do povo no caminho da libertação, na dureza do êxodo, em pleno deserto, no meio de perigos e tentações.

Era sinal da presença do próprio Deus na tenda dos peregrinos, sinal de orientação, de socorro, de defesa e de ânimo para o povo.

Dessa maneira, entendemos o que o evangelista nos quer dizer: tanto Jesus como seus discípulos são envolvidos pela presença de Deus, pelo seu Espírito, que lhes permite escutar as mesmas palavras que só Jesus tinha escutado no Jordão: “Este é meu Filho muito amado”. Uma vez mais, Deus declarava sua paternidade, o filho de Maria é o filho de Deus, no qual Ele confia plenamente.

Vemos assim que o texto apresenta os sinais característicos das manifestações de Deus do Antigo Testamento: o monte, a voz do céu, as aparições, as vestes brilhantes, a nuvem, uma luz resplandecente.

Jesus é o Filho de Deus e os discípulos recebem a exortação de escutá-lo!

Hoje também nós recebemos este imperativo do Pai que nos chama a escutar seu Filho, e receber assim dele a força necessária no seu seguimento. Sua Palavra gera em nós a esperança que precisamos para levar adiante no seguimento de Jesus e a fidelidade para construir um mundo mais justo e mais fraterno!

Nós também somos filhos e filhas amados do Pai e estamos chamados a abrir os ouvidos para que sua mensagem se traduza em estruturas novas onde não habite a exclusão e a opressão das pessoas. Ser partícipes da missão de Jesus gerando esperança onde há desesperança.

Oração

Rezemos junto com São Francisco esta oração
Fazei-me instrumento de vossa paz
Onde houver ódio que eu leve o amor
Onde houver ofensa que eu leve o perdão
Onde houver discórdia que eu leve a união
Onde houver dúvidas que eu leve a fé
Onde houver erro que eu leve a verdade
Onde houver desespero que eu leve a esperança
Onde houver tristeza que eu leve a alegria
Onde houver trevas que eu leve a luz

Oh, Mestre!
Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado
Compreender, que ser compreendido
Amar, que ser amado
Pois é dando, que se recebe
É perdoando, que se é perdoado
E é morrendo, que se vive
Para a vida Eterna.

Leia mais

 

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Uma experiência antecipada da ressurreição - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV