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05 Janeiro 2018

No dia de hoje, tudo é radiante. O esplendor da Jerusalém de Isaías ultrapassa as fronteiras de Israel e atrai nações e reis de toda a terra. Belém não é mais a preterida, pois a ela acorreram os «magos vindos do Oriente», deixando-se guiar pela estrela do «Rei dos Judeus».

A reflexão é de Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras da Solenidade da Epifania do Senhor, Ciclo B (06/01/2018). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto. 

Referências bíblicas

1ª leitura: “Levanta-te, Jerusalém, porque apareceu sobre ti a glória do Senhor” (Isaías 60,1-6)
Salmo: Sl. 71(72) - R/ As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
2ª leitura: “Os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo e associados à mesma promessa” (Efésios 3,2-3.5-6).
Evangelho: “Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mateus 2,1-12)

 

O amor distingue e reúne

O sentido geral da visita dos Magos nos é dado pela 2ª leitura: o que Israel detinha como bem particular torna-se agora um dom manifesto a todos os povos. Passamos da eleição de somente Israel, à eleição de todas as nações. Mas esta é uma fórmula contraditória, pois eleger é escolher, discriminar. Se Israel foi o primeiro a ser escolhido, foi para que compreendêssemos tratar-se de um caso de amor. Ora, a menos que se torne totalmente abstrato, o amor não se dirige a massas tomadas assim em bloco, mas orienta-se a um ser escolhido. Exatamente o que aconteceu com Israel. Mas eis que, com Cristo, este amor direcionou-se para todos os homens, da mesma forma que se dirigia ao povo eleito. O seu Amor revelou-se, portanto, escolhendo cada povo como se fosse o único no mundo. E, de fato, só existe amor se voltado para alguém único. Ficamos, então, sabendo que cada um de nós, para Deus, é único; que cada um é conhecido e chamado por seu nome próprio, o que significa sair do anonimato. Assim é que se funda a dignidade do eleito. Por fim, a tradição não foi mal inspirada, quando deu os nomes aos Magos. Não são eles três intercambiáveis. Por isso, sem dúvida, é que Mateus os mostra trazendo diferentes presentes para Jesus. Cada um tem a sua particularidade, mas estão unidos numa ação única: Jesus os reúne numa mesma adoração. Constrói-se assim a unidade. Porque, em Deus, o Filho não é o Pai nem o Espírito, mas os três juntos são o único Deus.


Quem são os Magos?


Os Magos são representantes de povos e culturas totalmente estranhos a Israel. Não só pela etnia, pela língua e pelos costumes, mas também por suas concepções religiosas. Mago e mágico são sinônimos. Praticavam a feitiçaria. Na Bíblia, o mago é muitas vezes associado à adivinhação. São personagens que não gozam de bom conceito em Israel. O livro de Daniel toma-os em ridículo constantemente; o Êxodo os mostra impotentes diante de Moisés. O versículo 31 do capítulo 19 do Levítico proíbe dirigir-se a eles e, em 20,6, afasta até mesmo do povo quem recorre aos seus serviços. Quando o Evangelho mostra que os Magos vieram adorar o Cristo, ficamos sabendo que estes «cada um», reunidos pelo amor, não se assemelham; que não eram exemplares idênticos de uma criação em série; e pudemos verificar a palavra que diz que o Espírito vai «de uma extremidade a outra», investindo no que lhe é o mais contrário. Os Magos guardam, portanto, a sua particularidade quando vêm até o Cristo. No final, «voltam para casa», para retomarem as suas ocupações habituais, mas «por outro caminho». Tudo permanece semelhante e, no entanto, é tudo diferente.

Compreendamos que não é necessário adotar costumes, filosofias ou a psicologia ocidentais para aderirmos ao Cristo. Aceitemos que Asiáticos, Africanos ou outros vivam a mesma fé cristã, inclusive na liturgia, de modo totalmente diferente de nós.

 

Caminhos dos homens, caminhos de Deus

Examinemos agora o que diz respeito aos diversos personagens do relato. À notícia do nascimento do novo rei dos judeus, Herodes compreende tratar-se do Messias esperado. Um astro não se levanta para um rei qualquer. Sua reação foi de medo, e, com ele, toda Jerusalém ficou perturbada. Diante da aproximação do divino, os seres humanos, a princípio, são tomados pelo medo. O anjo da Anunciação não teve de dizer até mesmo a Maria: «Não tenhas medo»? Mas, em vez de passar do medo à fé, Herodes passou à decisão de matar. Os sumos sacerdotes e os escribas sabiam muito bem onde o Messias devia nascer. Sabiam, mas não se moveram. Dispunham das chaves, mas não quiseram entrar. Voltemos aos Magos. O que foi dito no parágrafo anterior poderia nos fazer acreditar que foram até o Cristo apesar de suas práticas divinatórias, quase idolátricas. Contudo, ao contrário, foi pelo viés da sua astrologia (a estrela) que «vieram adorá-lo». Será, então, através das «sementes do Verbo» contidas em suas religiões, que budistas, hinduístas, animistas etc. virão até o Cristo? Não devemos esquecer que Deus se serve dos caminhos do ser humano, mesmo sendo estes caminhos de errância. Ou não foi assim que os Israelitas deram a si mesmos um rei, contra a vontade do próprio Deus (1 Samuel 8,4-9)! E não foi desta mesma linhagem real, não desejada por Deus, que Ele fez nascer o Messias? Assim como Salomão, fruto do adultério de Davi, veio a se tornar ancestral de Jesus! Pois, Deus se servirá da vontade criminosa dos homens para proporcionar-lhes a salvação. Até mesmo o mal se põe a serviço do amor, para vir finalmente promover o bem.

 

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